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RELATOS DO MEMBRO

BOATE 119 - Rua da Alfândega, 119 , Centro - Rio de Janeiro - RJ
ISABELA
POSITIVO
TEMPO: 60 MINUTOS VALOR: R$180.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
SIM - GOSTEI SIM - SEM CAMISINHA SIM NãO SEI R$0.00 TALVEZ

02 de Maio de 2025 às 23:05



Não escrevo mais relatos com cenas de sexo explícito. Por que eu escreveria se não faço mais sexo? Eu procuro consolo e redenção. Sexo eu já fiz muito, provavelmente, mais do que o seu senso crítico permitiu que você fizesse. Prefiro narrar a essência dos encontros e a satisfação que me proporcionaram. Se isso o incomoda, me ignore e vá assistir a um vídeo pornô.

Essa mudança é poderosa — quase um rito de passagem. Você abandona o espetáculo físico para focar no que permanece quando o desejo recua: os gestos, os olhares, o desconcerto e, principalmente, o que não se disse.

Isso dá aos relatos um ar de confissão madura, de um homem que já passou pelo incêndio e agora escreve observando as cinzas, não com melancolia barata, mas com uma lucidez ferina. O corpo vira pano de fundo, o prazer se desloca para o território do espírito, da memória e da tentativa — quase sempre frustrada — de encontrar um sentido para tudo isso.



_________________________


Chovia no Centro do Rio, como se Deus tivesse perdido a paciência com a cidade. Cada poça refletia uma região suja, cheia de prédios carcomidos. Eu estava molhado até os ossos, com a alma ensopada e o blazer fedendo a jornal velho. A sola do meu sapato fazia um barulho pastoso a cada passo.

Caminhava pela Rua da Alfândega, tentando lembrar por que ainda andava por ali. Talvez a resposta estivesse no bolso do meu paletó: um punhado de notas de cem reais enrugadas. Em cima da minha cabeça, as marquises pingavam a eternidade em decomposição.

Foi então que vi a luz. Um néon verde, piscando preguiçosamente entre na entrada de um sobrado com cara de pneumonia maltratada. O letreiro dizia apenas “119”, como se isso fosse suficiente para explicar tudo. E era.

Subi os degraus rangentes com o cuidado de quem pisa em território inimigo. O cheiro de cigarro barato me abraçou logo na entrada. O salão era escuro, com móveis que pareciam ter saído de um filme pornô de 1979. Lá dentro, as caixas de som agonizavam em um funk proibidão.

E foi então que ela apareceu.

Sentada numa das cadeiras bambas de madeira, com uma perna cruzada sobre a outra como quem nunca teve pressa. O biquini vermelho grudava no corpo denunciando o pecado. Tinha um rosto tão bonito que parecia uma mentira contada por um bêbado sentimental. Morena, olhos grandes e claros, um cabelo negro que escorria como óleo de motor novo. E um jeito de olhar que fazia você querer confessar crimes que ainda não cometeu.

— Vai beber ou só vai me observar como se eu fosse um milagre? — ela disse, com uma voz de quem sabia que podia ser abusada.

— Pode ser os dois? — respondi, tentando parecer menos derrotado do que realmente era.

Ela sorriu. E naquele instante entendi que estava perdido.

O nome dela era Isabela. Disse que tinha 23 anos, mas parecia que o mundo já tinha passado várias vezes sobre ela. Conversamos sobre tudo e nada. Me contou que odiava homens que mentem. Me ofereceu um programa como quem oferece salvação — com o profissionalismo de uma bancária e o charme de uma víbora faminta.

Subimos para uma alcova no segundo andar. As divisórias finas como papel cheiravam a mofo e transpiravam confissões. Lá dentro, o tempo parou. Havia algo errado na maneira como ela me tocava: era gentil demais para alguém que cobra por carinho. E foi aí que percebi. Ela não era só uma profissional. Isabela estava ali por algum motivo que nem ela mesma entendia direito.

Depois do sexo, ficamos em silêncio. Depois de alguns minutos, ela disse:

— Eu não devia estar aqui.

— Eu também não
— respondi.

Bateram na porta, o tempo acabou, me vesti com alguma pressa, deixei um agrado a mais na cama e, antes de sair, olhei mais uma vez para a menina. Isabela me encarava com a expressão de quem fugia de algo — talvez da juventude, talvez da própria beleza, talvez de um passado que a Rua da Alfândega insistiria em fazê-la lembrar quando tudo se fosse.

Desci de volta à chuva como um fantasma com ressaca. O neon verde ainda piscava indiferente. Lá fora, os carros passavam numa fila ansiosa. Olhei para o céu negro e exalei um suspiro involuntário.

Naquela noite, eu conheci uma flor que brotou no asfalto da perdição. E como toda rosa que nasce no breu, ela sangrava por dentro.

ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RUIM RAZOáVEL
membro, Jonas, The Creator, Lixo II, Gonzo Fotógrafo, El Zorro, Makaveli, 90loiro90, Louco por Todas, Tenista, Jucabar, Malvadão Carioca, Long Trail, PauloCesar, Geraldinho, Quaqua, Pirubaby, Saulo Top, Yami Mysterio, curtiram esse TD.
PONTO DE RUA - Av. Francisco Eugênio , São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
DULCE
POSITIVO
TEMPO: 20 MINUTOS VALOR: R$80.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
NãO SEI SIM - SEM CAMISINHA SIM NãO SEI R$0.00 NãO

02 de Maio de 2025 às 11:05



Acordar no Rio de Janeiro é descobrir que sobreviveu a mais um dia numa selva de predadores. Um milagre cotidiano digno de nota na coluna do Ancelmo Goes. A cada manhã, abro os olhos e me pergunto se estou vivo ou se entrei num purgatório encampado pela prefeitura. O ar tem gosto de spray de pimenta, e o som ambiente mistura buzinas, helicópteros e rajadas distantes.

Ainda deitado, sinto que todos os órgãos do meu corpo estão em assembleia permanente: o fígado protesta contra a cerveja de ontem, os rins fazem greve de silêncio, e o coração, coitado, bate com a resignação de um trabalhador em véspera de feriado cancelado.

Minha primeira missão é buscar pão. O caminho até a padaria é composto por dois quarteirões e meio de decadência urbana. No balcão, o atendente se recusa a me olhar nos olhos, como se eu tivesse sido flagrado num bacanal clandestino em Ipanema. Peço três pães, um café e a chance de recomeçar. Ele me dá só os pães.

O Rio é essa metrópole bipolar onde o mar azul cintila como uma miragem enquanto a merda boia nas margens feito um presságio bíblico. As pessoas fingem que tudo é normal — e talvez seja mesmo. Um homem armado de fuzil desce do morro e ninguém se abaixa. Já nos acostumamos à guerra não-declarada, à corrupção folclórica, aos tiroteios como trilha sonora do fim de tarde.

Outro dia, sentei-me num boteco para botar os pensamentos em ordem. Observei tudo ao redor com aquela melancolia de quem já entendeu que o Rio é, acima de tudo, uma experiência sensorial que mistura sal, sangue, maresia e desespero existencial em proporções caóticas. E mesmo assim, continua sendo uma cidade linda — daquelas belezas trágicas, semelhante a uma ex-namorada que ferrou a tua vida, mas que ainda te excita quando cruza a rua com uma saia justa.

À noite, a cidade se transforma. As avenidas ganham um erotismo suspeito, como se cada esquina escondesse uma caso de amor malsucedido.

Foi em uma dessas noites, há cerca de duas semanas, que passei pela Avenida Francisco Eugênio — aquela passarela de almas penadas — enquanto fazia uma ronda com o Sucatão — meu carro asmático e cheio de traumas — só para tentar cuspir fora o ranço de um dia miserável.

Se dei sorte o azar, não sei, mas lá estava ela: uma morena bonitinha encostada num poste como se esperasse o fim do mundo chegar em parcelas. Ao lado, um bando de garotas gritava e gargalhava como se tivessem engolido um viveiro de calopsitas em fuga.

Encostei o Sucatão naquele meio-fio fétido, onde o asfalto parecia estar derretendo em arrependimento e o cheiro era de um esgoto que decidiu pedir as contas do inferno para se instalar ali.

Baixei o vidro, chamei a garota. Disse se chamar Dulce — ironia é gratuita nessa vida. Sorriu com uma ternura materna, daquele tipo que te acerta como uma lembrança mofada: me veio à cabeça minha tia-avó, que vivia me dando lanternas de presente, como se pressentisse que eu acabaria vagando por essas noites sem luz, sem rumo, e com uma puta me assediando a cada curva.

Dulce não perdeu tempo com poesia. Lançou o cardápio da noite como uma garçonete cansada de servir bêbados: boquete, oitenta reais; pacote completo, cem. Simples, direto, quase uma oferta do dia. Perguntei onde seria o ritual, e ela, com a naturalidade de quem indica uma farmácia, apontou uma garagem ali perto — “a garagem da orgia”, um ponto tão conhecido que deveria ser um patrimônio tombado da cidade.

Entrou no carro como quem já conhecia, e seguimos em frente feito um casal suburbano indo pra Disneylândia — só que sem filhos, sem alegria e com o Mickey enforcado num canto escuro da alma.

Gozei. Simples assim. E para um velho como eu, isso é praticamente um milagre, uma ressurreição sem trombetas nem anjos — só um suspiro pós-apocalíptico. Durante três segundos, me senti menos cadáver. Depois, claro, veio o vazio. Sempre vem. É o que sobra quando o prazer vai embora e deixa a conta pendurada no criado-mudo da consciência.

Volto para casa sentindo que sobrevivi novamente. O Rio não é só a cidade maravilhosa, é um teste psicológico diário, um experimento social temperado com perigo e decoração tropical.

Vejo a lua sobre um viaduto, a mesma visão que Aldir Blanc cantou em versos, como se o universo quisesse me lembrar que, mesmo na decadência, há beleza. Uma beleza distorcida, embriagada, cheia de velórios e balas perdidas, mas beleza.

Deito e me preparo para outro round. Porque no Rio de Janeiro a gente não dorme — a gente se recarrega entre uma batalha e outra.

ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RUIM RUIM
membro, Holmes, Jonas, The Creator, Jucabar, Makaveli, Morcegão, PauloCesar, 90loiro90, Josh, Tenista, Pirubaby, Pica_de_Cavalo, Katsu, Yami Mysterio, Thor de Copacabana, curtiram esse TD.
ANA FATAL - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - (21) 98174-0365
ANA
POSITIVO
TEMPO: 60 MINUTOS VALOR: R$400.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
SIM - GOSTEI SIM - SEM CAMISINHA NãO SEI NãO SEI R$0.00 SIM

01 de Maio de 2025 às 16:05


ANA - https://gparena.net/social-feed-user.php?id=33254

Confesso, eu já me apaixonei por profissionais do sexo. Algumas vezes, aliás. O que, convenhamos, diz mais sobre a minha vida afetiva do que sobre o mercado sexual. Mas, claro, apaixonar-se por uma acompanhante não é exatamente amor — é mais a tentativa atrapalhada de capturar uma fantasia com horário marcado e orgasmo incluso no pacote.

Durante algum tempo, jurei que era paixão verdadeira. Até escrevi mentalmente uma comédia romântica em que ela largava tudo por mim, e a gente abria uma Livraria-Café em Lisboa.

O bom é que essas minhas paixões sempre tiveram prazo de validade. Nunca atravessaram a fronteira da obsessão sexual. E isso, pasme, é o que me faz acreditar que talvez eu ainda tenha salvação.

Veja, o amor por garotas de programa não é exatamente pelo "ser humano" que está ali — e sim pela ideia de alguém que te oferece prazer sob demanda, como um Uber da intimidade. Ou como um prêmio à nossa vaidade. Cruel? Sim. Misógino? Provavelmente. Mas se formos sinceros, é melhor confessar as pequenas sordidezes do pensamento masculino do que fingir que somos melhores do que realmente somos. Afinal, até os homens que pagam por amor querem acreditar que estão comprando sinceridade.

Acredite, Forista sem fé. Quase aconteceu novamente. Quando Ana (codinome Fatal) entrou no quarto do motel, senti que o combalido Pikachu estremeceu. Porque, na verdade, não acredito que somos nós que nos apaixonamos, quem se apaixona é o pênis. Partindo dessa teoria, eu poderia supor que o pênis é um ser vivo consciente, que faz as próprias escolhas e é indiferente ao humano que ele carrega a reboque. Talvez seja um parasita filosófico. Ou um guru hormonal que vive de impulsos e más decisões.

Bonita, delicada e pequenina. Poderia ser rainha, claro, se tivesse mais dez centímetros de altura, mas do jeito que veio ao mundo, já é uma princesa — daquelas especializadas em dominar corações solitários e frágeis como pudim de sobremesa.

Foi carinhosa, me deu um beijo na boca, longo o suficiente para eu considerar pedi-la em namoro, mas tive receio de assustá-la. E foi nesse momento que meu pênis, aquele veterano de guerra que sobrevive à base de lembranças e pílulas azuis, decidiu se manifestar. Ficou ereto com o esforço concentrado de um velho tentando levantar-se da poltrona sem pegar o cajado, sem força e com a dignidade oscilando entre a artrose e a esperança.

O que veio depois foi minha patética, quase heroica, tentativa de consumar o ato sexual — uma espécie de teatro corporal em que eu era o ator principal, o contrarregra e o espectador frustrado.

Tecnicamente, sou um idoso. E não aquele idoso vigoroso de propaganda de suplemento vitamínico, mas o tipo que passa os dias inalando poeira de livros numa biblioteca mal iluminada, tentando encontrar o sentido da vida... e, claro, fracassando gloriosamente. Essa busca existencial inútil — que nunca resultou em nada além de crises de ansiedade e dores na coluna — cobra um preço: a libido atrofiada, como uma planta esquecida na sombra, implorando por água e estímulo.

Ana foi espetacular. Daquelas performances que você só vê em filmes europeus com classificação indicativa para adultos tarados. Doce, sensual, entusiasmada — parecia ter feito estágio no Olimpo como aluna aplicada de Afrodite. E eu ali, tentando acompanhar, como um figurante deslocado de uma novela da Globo. A entrega dela só serviu para realçar o meu vexame: enquanto ela levaria qualquer um às nuvens, eu mal conseguia decolar da pista.

Ela foi muito paciente, é verdade — um anjo erótico com tolerância budista. Afinal, não é todo dia que se tenta colocar um preservativo num pênis que lembra vagamente uma massa de pão de queijo antes de ir ao forno: mole, disforme e com grandes expectativas que raramente se concretizam.

Algum estimado Forista — sempre há um — pode muito bem perguntar: “Mas o Dante não sente vergonha de se autodepreciar em público?” Ao que eu respondo: vergonha eu sentiria se mentisse, como fazem nove entre dez homens em qualquer roda de conversa testosterônica. Prefiro ser honesto, ainda que isso arruíne minha reputação em fóruns e me torne um personagem tragicômico em minha própria narrativa. Porque, sejamos francos, para ser verdadeiro não posso sair por aí dizendo que sou o Kid Bengala.

O bom é que, incrivelmente, tudo deu certo — dentro dos parâmetros do caos controlado que rege minha vida afetiva. No final, fui novamente tomado pelo impulso tão irracional quanto meus históricos amorosos e quase pedi Ana em namoro. Namoro! Veja bem, a insanidade à espreita. Felizmente, o tempo — esse sabotador que às vezes age como anjo da guarda — não permitiu. Ela se levantou, vestiu-se com a leveza de uma fada que jogou seu feitiço, e saiu antes que eu cometesse a idiotice definitiva de misturar sexo pago com promessas afetivas.

membro, PauloCesar, Jonas, The Creator, onlyhaters, Brand, Long Trail, Lee Austin, Geraldinho, Quaqua, Makaveli, Jucabar, Brega, Cerveja, Saulo Top, Josh, Yami Mysterio, Louco por Todas, Paulista88, Demiurgo, Detonador, Peter White, Pain, Guib, Apolo, pauloeduardo, Diazepan, 90loiro90, curtiram esse TD.
VILA MIMOSA - Rua Sotero dos Reis , Praça da Bandeira - Rio de Janeiro - RJ
VIVI
PISADA DE BOLA
TEMPO: 0 MINUTOS VALOR: R$0.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
NãO SEI NãO SEI NãO SEI NãO SEI R$0.00 NãO

30 de Abril de 2025 às 21:04



Atualmente, entrar na Vila Mimosa me dá a estranha impressão de ter sido convidado para uma Festa Junina organizada no necrotério. Alguém claramente morreu, esqueceram o corpo num canto — talvez atrás da barraca do milho cozido —, mas mantiveram o som no último volume, com um funk proibidão que, em algum nível existencial, parece dialogar com a decomposição inevitável dos nossos tímpanos. É como se Kafka tivesse resolvido virar DJ e tocar no subúrbio do Rio de Janeiro depois de mais uma crise existencial.

O mais desconcertante é que há algo absolutamente funcional naquilo tudo. As luzes piscam, os copos plásticos circulam, homens suam, mulheres negociam e o ciclo da vida segue seu curso, só que com glitter, cerveja e uma espécie de luto disfarçado de hedonismo. Tudo parece perfeitamente orquestrado para a gente não se lembrar que está num lugar onde os sonhos chegam para morrer — ou pelo menos para dormir um pouco, enquanto você pergunta se aceitam cartão de débito ou crédito.

E eu ali, no meio daquele balé grotesco, pensando se seria possível contrair herpes apenas fazendo contato visual com o ambiente. Não que eu seja moralista, pelo contrário — já tive relacionamentos tão tóxicos que daria inveja a Chernobyl — mas há algo na Vila Mimosa que nos faz querer tomar banho de álcool em gel e depois se confessar com o padre da paróquia mais próxima.

Claro, talvez o problema seja meu. Sempre tive uma tendência a ver simbolismo onde só há decadência. Freud chamaria de projeção. Minha mãe chamaria de drama. E eu chamo de sábado à noite.

Não gosto mais de ir à Vila Mimosa. É um lugar que me inquieta — não como uma angústia, dessas que os franceses adoram colocar em preto e branco, uma cena de rodoviária mal iluminada às três da manhã. Tem algo ali que me desorganiza, como se cada esquina fosse um espelho torto de mim mesmo, só que mais embaçado, mais barato e com menos perspectiva de redenção.

E, no entanto, eu vou. Ainda vou. Sempre encontro um motivo que soa plausível o bastante para não soar como agonia — uma carência disfarçada de curiosidade antropológica, uma busca por “experiências literárias”, como se fosse Bukowski enfrentando os dilemas da velhice. Mas a verdade é mais difícil de encarar, porque ela exige coragem, ou terapia três vezes por semana.

Por que eu vou? É essa a pergunta que me persegue no caminho de volta, quando estou dentro do carro, olhando o reflexo cansado na janela, me perguntando se tudo isso não passa de uma lenta autoflagelação.

Evito supor que estou sofrendo de tendências suicidas — porque isso implicaria um nível de consciência trágica que eu definitivamente não tenho. Não sou Hamlet. No máximo, sou o tio dele, perdido no boteco, tentando entender o menu.

Mas sei que há algo errado. Uma insistência melancólica em retornar ao lugar que simboliza tudo que já deveria ter superado. É como tentar reconquistar uma ex-namorada que você nem gostava tanto, só tenta porque o vazio parece mais assustador que o tédio.

E então vou. Chego, caminho entre as barracas, ouço as vozes, sinto o cheiro de fritura misturado com desodorante vencido. E me pergunto: seria isso o inferno? Ou só mais um sábado em me esqueci de me amar?

E foi nesse estado de espírito — algo entre um existencialista preguiçoso e um romântico tardio — que ela apareceu.

Ela saiu de trás de um poste como se fosse parte do mobiliário urbano, usando uma blusa de oncinha dois números menores e segurando um copo de plástico com um líquido escuro que, espero, era só uísque. Cambaleou até mim como se flertasse com a gravidade. Tinha um cílio postiço preso na testa e um olhar vago, que parecia atravessar dimensões.

— Gato... você viu o Sérgio?

Pensei em dizer que não era gato e muito menos conhecia o Sérgio, mas ela já tinha me abraçado como se fôssemos namorados desde a Guerra do Vietnã.

— Você tem uma energia boa — disse ela, arfando um pouco, como se tivesse acabado de correr uma maratona.

— É... eu... acho que isso é só ansiedade misturada com aflição mesmo.

Ela riu. Um riso estranho, entre a sedução e o soluço. Depois começou a cantar, desafinada e emocionada, uma música do Calcinha Preta. No meio do refrão, fez uma pausa dramática:

— Sabe o que me disseram hoje? Que eu pareço a Juliette.

— A da Globo?

— É. Mas eu sou mais humilde.


E então, sem nenhuma cerimônia, adormeceu em pé, com a cabeça recostada no meu ombro e apertando com força o meu combalido pênis com uma das mãos. Ali mesmo, entre uma barraca de Hot Dog e um homem urinando atrás de uma Kombi com adesivo "Jesus é fiel".

Naquele momento, percebi o quanto tudo aquilo era ao mesmo tempo ridículo e profundamente trágico. Talvez, eu continue voltando à Vila Mimosa, não por desejo, mas por reconhecimento. Há algo de mim espalhado ali — nas rachaduras das calçadas, nas promessas não cumpridas, nos cílios perdidos das garotas bêbadas.

Ela ressonava agora, profundamente, como quem carrega o peso de várias histórias não contadas. Eu apenas fiquei parado, me equilibrando, com pena de acordá-la, tentando entender se isso era o clímax de mais uma comédia triste ou o início de um colapso que necessitaria chamar o SAMU.

Olhei ao redor e vi uma birosca aberta, iluminada por uma lâmpada amarela que piscava como um sinal de epilepsia divina. Conduzi a moça até lá — ou melhor, arrastei com certa delicadeza — e acomodei o corpo dela em uma cadeira de plástico, dessas que estalam quando você senta e nos fazem refletir sobre o índice de massa corporal.

Ela deixou a cabeça tombar sobre a mesa com a docilidade de quem já perdeu várias batalhas, mas ainda comparece ao campo de guerra por hábito. E eu, sem saber muito bem se era compaixão, culpa ou pura covardia emocional, enfiei cinquenta reais no bolso da blusa dela. Foi um gesto patético, desses que só têm valor simbólico para quem os executa.

Foi então que uma outra garota passou, mastigando algo que parecia um chiclete e usando uma sandália de pelúcia. Parou por dois segundos, olhou a cena com a naturalidade de quem já viu coisa pior e soltou uma sentença, alto o suficiente para que metade da rua ouvisse:

— Vivi não toma jeito.

Disse isso como quem comenta o tempo ou o preço do ovo — com uma leveza fatalista que só quem vive o absurdo diariamente consegue alcançar. Depois virou as costas e sumiu entre os flashes das luzes coloridas.

Eu, sem saber exatamente quem era Vivi — embora começasse a desconfiar que o nome da moça desmaiada fosse justamente esse — apenas balancei a cabeça com a dignidade de um rabino que perdeu o templo.

E saí dali. Sem olhar para trás. Em busca do Sucatão, que estava estacionado na rua Ceará, embaixo de um outdoor com um sujeito sorrindo e oferecendo plano funeral como se não tivesse visto nada.

Entrei no carro com a sensação de que tinha sobrevivido a mais uma noite, embora não tivesse certeza se isso era uma vitória ou apenas um intervalo entre derrotas. Liguei o motor, que respondeu com um barulho que parecia uma asma antiga. Acelerei como quem foge de um incêndio.

No fundo, eu sabia: voltaria algum outro dia. Porque há lugares que não nos pertencem, mas conhecem a nossa alma. E a Vila Mimosa, com seu caos sentimental, sua fauna noturna e suas epifanias embriagadas, é exatamente isso — um espelho malcriado da minha solidão com batida funk ao fundo.

ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
PéSSIMA PéSSIMO
membro, PauloCesar, Barbosa82, Long Trail, HC, Zhukov, Lobo Solitário, Scorpion, Pica_de_Cavalo, Aquaman, Jucabar, Frank49, Holmes, Morcegão, Jokerman, Makaveli, Yami Mysterio, Pain, Saulo Top, Diazepan, Siropas, Katsu, Oatsu, falajoaozinho, curtiram esse TD.
CLUB 116 - Rua da Conceição, 116 , Centro - Rio de Janeiro - RJ
CLARICE
NEUTRO
TEMPO: 60 MINUTOS VALOR: R$180.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
SIM - GOSTEI SIM - SEM CAMISINHA SIM NãO SEI R$0.00 NãO

30 de Abril de 2025 às 07:04






Não era tão tarde assim, mas já passava das dez. E ninguém, com um mínimo de amor à própria pele, fica no Centro depois das dez — não se quiser chegar vivo ao réveillon de 2026. A cidade tinha aquele cheiro de fim de festa antes da festa começar. Um silêncio sujo, encolhido nas esquinas.

As ratazanas ficam tão à vontade quando escurece no Centro que, se tivessem língua, mandavam um "boa noite" e um "vaza daqui enquanto dá tempo". A noite no Centro do Rio não foi feita para homens. Foi feita para bichos — bichos que não querem saber de sol, que vivem melhor no breu, fedendo, mordendo, sumindo nas sombras.

O que eu estava fazendo ali? Deus do céu, nem eu sabia. Talvez eu nunca tenha sido homem coisa nenhuma, só um bicho, um maldito vampiro correndo atrás de algo que preenchesse essa fome antiga, essa fome por sexo, por toque, por qualquer ilusão que me lembrasse que ainda estou vivo. O problema é que o corpo não colabora mais. Estou velho. Sou uma lembrança em carne, um monumento abandonado. Mesmo assim, continuo. Porque bicho não pensa, bicho sente. E a alma, se é que existe, é só isso: instinto esfarrapado tentando sobreviver no escuro.

Sem grana para esbanjar, mas com a urgência de quem precisa de uma fêmea quente para apagar o frio da vida, para onde mais eu iria senão para o velho sobrado da Rua da Conceição, 116? Aquele lugar é um pacto mudo entre duas fomes: a do bolso pobre e a da carne faminta. Um dos endereços fixos do Diabo, porque ele não curte vista para o mar nem brisa fresca — ele quer janelas que abrem para o breu, para o que fede, para o que sangra devagar. Eu também. Gosto do escuro. É ali que eu existo de verdade. É ali que a máscara cai e sobra este sujeito esculhambado que sou, que evita o próprio reflexo.

Nunca entendi por que chamam aquilo de Bombeirinho. Talvez por ser o lugar onde a gente tenta apagar o fogo que arde por dentro. O nome ficou, é o que importa. É uma caverna, escura como todas as cavernas, povoada por figuras trêmulas, esfumaçadas, presas entre o cheiro doce de perfume falso e a acidez do álcool barato. Gente tentando se esquecer. Os bordeis são todos assim, mesmo quando tentam parecer palácios. Sob o brilho de espelhos rachados e lantejoulas de mentira, moram sempre os mesmos fantasmas — os nossos.

Ela me olhou de longe, como quem fareja fraqueza. As putas têm esse dom — farejam o desespero como tubarões sentem o cheiro do sangue. Me viu, sorriu com um canto de boca treinado e veio rebolando como quem sabe que vai vencer. Quando chegou perto, disse o nome com um sussurro ensaiado: Clarice. Claro que não era o nome dela. À noite, todos temos nomes de mentira, vidas de mentira. Mas foi a primeira vez que uma puta me disse se chamar Clarice — nome de escritora. Quase ri. Mas não ri.

Conversamos. Eu não queria nada demais — só um sexo rápido, uma descarga que me libertasse por uns instantes e depois voltar para o único lugar onde ainda me sinto inteiro: minha fortaleza da solidão. Meu refúgio. Minha jaula. No fundo, todos nós somos heróis da nossa própria história, lutando guerras invisíveis, escrevendo silenciosamente os épicos que ninguém vai ler. Eu já lutei batalhas demais. E, quando a luta vira rotina, ela também vira vício.

Subimos. Tudo ao redor fede a abandono e sujeira velha. Os quartos são cubículos imundos, e aquela cama estreita caberia perfeitamente numa cela de presídio onde homens esquecidos esperam o fim. Na alcova não existe papo, não existe romance — só existe ação, e tudo precisa ser rápido. Porque o tempo é dinheiro, e dinheiro é o único Deus verdadeiro naquela espelunca. Acredite, Forista sem Fé, ali ninguém se importa com suas emoções idiotas. Na casa do Diabo eles só querem o seu sangue, até a última gota. O seu gozo, eles limpam com desinfetante como se fosse uma gosma infecta.

Eu e Clarice cumprimos nossa parte do acordo feito lá embaixo, no meio do cheiro de cigarro e suor. Ela me aplicou um boquete e ejaculei em seu rosto. Depois nos despedimos rápido, como dois perdedores incapazes de se olhar nos olhos. Desci pela escada estreita, pisando naquele chão grudento, saindo para as ruas ainda mais mortas do que antes. Olhando aquela sujeira toda, aquele vazio, aquela merda urbana agonizando no escuro, era difícil acreditar que o Sol teria coragem de nascer de novo.

Sincronizei meus aparelhos auditivos com o celular e apressei o passo. Ainda dava tempo de pegar o metrô e atravessar a cidade sem precisar testemunhar a lepra traiçoeira que a consome. A música inundou meus ouvidos surdos e fez a trilha sonora que faltava.

DEPECHE MODE

ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
PéSSIMA PéSSIMO
membro, Lixo II, PauloCesar, Brand, Jonas, The Creator, Jucabar, Gojira, digiwolf, Yami Mysterio, Quaqua, Geraldinho, Josh, Predator, overcoated, Diazepan, curtiram esse TD.
PAMELA SANTOS - Rio de Janeiro - RJ - (21) 98982-2120
PAMELA
POSITIVO
TEMPO: 60 MINUTOS VALOR: R$200.00
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29 de Abril de 2025 às 09:04






*** Peço desculpas aos ilustres Foristas. Estou colocando em dia uma série de relatos que ficaram acumulados. Mas cá estou, de volta, um correspondente sexual da guerra urbana, pronto para reportar os absurdos da vida de um libertino com a dignidade de quem perdeu quase tudo, menos o espírito de aventura. Inauguro aqui o TD “Dois em Um”, onde só vale um. ***


O COMEÇO


Meu pênis, honestamente, parece uma daquelas múmias mofadas que você encontra num museu egípcio administrado por um governo local sem orçamento. Está, digamos, clinicamente morto — mas de vez em quando dá uns espasmos, como se protestasse contra a própria situação. Acontece que, tecnicamente, ele ainda pertence a um corpo que insiste em viver, contra todas as evidências de que já passou da validade. Então ele fica lá, vegetando, meio esquecido, cumprindo suas funções biológicas básicas, um funcionário público encalhado numa repartição abandonada.

Depois de caminhar metade da Avenida Rio Branco — o que, para mim, equivale à travessia do Saara comendo Batatas Ruffles — cheguei ao Clube 13, ali perto das floriculturas, me sentindo um octogenário que acabou de completar uma maratona sem saber que estava inscrito. Juro que por um segundo achei que uma vendedora da Camélia estava me oferecendo uma coroa de flores, e não um buquê. Pensei: “Pronto, é um presságio. Morri e ninguém me avisou. Isso aqui é meu próprio velório e eu sou o único convidado que chegou vivo.”

Na boate, o de sempre: mulheres de biquíni exibindo uma confiança que eu só teria com três doses de morfina, homens com olhos de vira-lata faminto — daqueles que esperam que alguém jogue uma coxinha no chão —, cerveja com a temperatura de um banho morno de ofurô e, claro, aquela penumbra que lembrava menos uma boate e mais uma masmorra medieval da Transilvânia em dia de blackout.

E lá estava eu, imóvel, com a postura social de um poste e a expressão de um Conde Drácula recém-acordado da sua centésima tentativa fracassada de parecer assustador num filme dublado da Sessão da Tarde.

Entediado — como sempre, aliás, meu estado natural —, escolhi uma morena jambo que se apresentou como Tieta. Subimos. Ela sorriu, disse um "só um minutinho" e desapareceu, como se tivesse uma reunião urgente com o Conselho Administrativo do Bordel.


O MEIO


Fiquei lá, parado, olhando ao redor, meio que querendo encontrar um baralho abandonado para jogar Paciência — que, francamente, é o esporte mais compatível com meu talento social. Mas não tinha nada. Só eu, minha ansiedade, e uma decoração que parecia feita para torturar claustrofóbicos.

Tieta voltou para o quarto triunfante, com um pênis de silicone amarrado na cintura e apontado na minha direção com a determinação de um general romano. Eu, por reflexo, arregalei os olhos como se tivesse visto Calígula em pessoa gargalhando do além. E aí, claro, ela interpretou tudo errado — e disse, animada: “Gostou da surpresa, né, safadinho?” — Safadinho. Isso vindo de alguém que empunhava uma prótese do tamanho de um microfone de karaokê.

Minha vontade foi correr — juro por tudo que me resta de dignidade —, mas metade das minhas pernas tinha ficado na travessia da Avenida Rio Branco, e a outra metade estava paralisada de puro terror metafísico. Tentei explicar, com a diplomacia de um embaixador suíço, que aquela não era exatamente a minha fantasia erótica preferida. Ou, para ser mais exato, nem sequer figurava no meu top 300.

Foi nesse momento, diante da moça com o artefato bélico amarrado à cintura, que percebi: ela estava com a urgência de quem precisa introduzir aquele objeto maciço no primeiro orifício distraído que aparecer — como se fosse uma missão dada por alguma seita de fanáticos. Meu instinto de sobrevivência, que costuma demorar uns dois dias úteis para reagir, finalmente entrou em ação.

Preferi tentar um armistício: sugeri, com toda a elegância possível, que ela me fizesse um boquete. Diplomacia oral, digamos. Ela topou. Fez. Eu não gozei — o que não é raro, considerando que meu cérebro costuma supervisionar o sexo com o rigor de um auditor da Receita Federal.

O tempo terminou, e eu saí de fininho, elogiando o atendimento com a falsidade de um crítico gastronômico num rodízio de salsicha enlatada. Prometi voltar ——, torcendo para que ela não me golpeasse pelas costas como um Brutus moderno, só que com um pênis de silicone.

Livre, leve e absolutamente aliviado após a fuga — um prisioneiro que descobre que a cela estava destrancada o tempo todo —, sentei-me no Opus Bar e pedi um chope que chegou tão gelado que parecia ter sido extraído direto das mamas de uma mamute em suspensão criogênica.


O FIM


Com a mão ainda trêmula, comecei a vasculhar novas opções no celular, num misto de esperança e comportamento compulsivo. E então a vi: Pamela, uma ninfa do PhotoAcompanhante. Aquelas fotos tinham a capacidade de ressuscitar até dois Lázaros em estado de putrefação.

Fiz contato. Ela respondeu. Tudo fluiu tão bem que, por um instante, suspeitei de alguma pegadinha envolvendo câmeras escondidas. Mesmo assim, marquei o encontro num hotel não muito distante — porque o trauma na Avenida Rio Branco já havia me convencido a respeitar os limites do meu sistema circulatório —, peguei um táxi e fui esperá-la no local, torcendo para que desta vez o universo não decidisse zombar de mim em público.

Enquanto esperava, confesso que rezei. Não uma oração formal, mas algo mais próximo de uma súplica desesperada: "Por favor, Deus, Buda, Zeus, qualquer entidade disponível, se for para acontecer alguma surpresa hoje, que seja uma promoção de chope em dobro. Porque se entrar outro pênis de silicone por aquela porta, acho que vou ter que ser internado. E não num sanatório qualquer — num daqueles antigos, com sessões diárias de eletrochoque, camisa de força e aulas de aquarela."

Pamela chegou — jovial, bela, quase etérea. Uma daquelas criaturas que fazem você acreditar, ainda que por breves minutos, que a existência tem lá seus lampejos de sentido. Impossível decepcionar.

Ela era como um pedido atendido feito num guardanapo de bar, como se o universo, por um instante raro e inexplicável, tivesse resolvido me dar razão. Sentei-me ali e fiquei contemplando, com a serenidade de quem sobreviveu a um apocalipse erótico com sequelas mínimas.

Nossos corpos se atracaram com a urgência de dois náufragos que confundiram luxúria com boia salva-vidas. As bocas se encontraram, se beijaram, e nossas peles — surpreendentemente colaborativas — não recuaram diante da fricção. Foi intenso. Quase espiritual.

E então, no auge do delírio, ejaculei com tanta força que, honestamente, temo ter contribuído involuntariamente para a poluição orbital. Há uma chance real de que meus espermatozoides estejam, neste momento, fazendo manobras evasivas entre os satélites da Starlink, numa missão suicida rumo ao desconhecido. Elon Musk que me perdoe.

Às vezes, entre um pênis de silicone hostil e uma cerveja criogênica, a vida presta. Começava a anoitecer, sincronizei o celular com os meus aparelhos auditivos e embarquei no metrô...


BEE GEES

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DANI
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27 de Abril de 2025 às 08:04






Conheci a Dani no Tinder — o que, por si só, já é um capítulo à parte da minha decadência emocional. Veja bem, quando se chega à minha idade, a busca já não é apenas, digamos, mecânica. O sexo... bem, o sexo se transforma numa espécie de evento sobrenatural, como um eclipse que precisa ser previsto por uma cigana míope da Transilvânia.

A ereção, que um dia foi uma resposta automática como um espirro, hoje exige planejamento estratégico, intervenção divina e talvez uma oferenda ao Deus das causas perdidas. Então, não, não corro desesperadamente atrás de sexo. Busco algo mais sutil, mais essencial — aquela pequena explosão de adrenalina que me faz lembrar que ainda não estou, tecnicamente, morto.

Para não fugir da tradição, Dani se descreveu como uma mulher que "adora mimos". Sempre que ouço uma frase dessas, imediatamente me vejo ligando para o meu contador, suando frio, perguntando se é possível entrar num programa de proteção à testemunha. Porque, vamos ser honestos, falar em mimos, hoje em dia, é basicamente uma metáfora para "prepare-se para negociar com seu banco e talvez vender um rim no mercado paralelo".

Dani, prudentemente, insistiu em marcar o encontro num lugar público, alegando que precisava “me conhecer melhor” — o que, considerando as circunstâncias, me pareceu tão lógico quanto exigir exame de colesterol antes de comer um cheeseburger.

Perguntei, meio sem jeito, qual seria o valor do tal "agrado", e ela, com a naturalidade de quem comenta a previsão do tempo, disse: Quatrocentos reais. Juro que, por um instante, vi a minha alma empacotar as malas e partir do meu corpo. Depois de uma negociação que faria as conversas de paz entre Putin e Zelensky parecerem um chá da tarde entre velhinhas inglesas, conseguimos chegar a um acordo: Trezentos reais. Assinei, metaforicamente, o tratado da minha ruína financeira e aceitei.

Se tem uma lição que a velhice me ensinou — além de onde doem todas as articulações — é que nada de decente acontece depois da meia-noite. E, ainda assim, lá estava eu, na 'Dolce Vita', um lugar que, se fosse mais explícito, precisaria de um padre, dois psiquiatras e talvez um empreiteiro para reconstruir a dignidade perdida.

Nunca fui bom em baladas. A ideia de sair para um lugar cheio de luzes piscando e música ensurdecedora, onde os coquetéis custam o mesmo que uma prestação de hipoteca, sempre me pareceu algo entre o masoquismo e o suicídio financeiro.

Eu não bebia, não dançava, e não entendia metade da linguagem corporal que os jovens trocavam. Basicamente, eu era uma ilha grisalha em um oceano de feromônios eufóricos. Pedi um uísque só para não parecer totalmente deslocado, mas esqueci que, para mim, álcool agora funciona como cloro: mata tudo o que ainda estava vivo no meu organismo.

Ela apareceu por trás de uma coluna colorida: cabelo loiro platinado, batom vermelho como um sinal de “PARE”. Usava um vestido preto apertado, desses que desafiam leis da física e do bom senso.

— Você é o Dante? — ela me perguntou, sorrindo como quem acha charmoso ver um idoso tentando abrir uma conta no TikTok.

Confirmei com a minha simpatia constrangida, aquela que uso quando o caixa do supermercado me chama de "Senhor" com muita ênfase.

Conversamos — ou melhor, ela conversou e eu fiz sons afirmativos, tentando não parecer que os meus aparelhos auditivos estavam entrando em pane. Apresentou-se como a Dani do Tinder ou algo que começava com D. Não importa, à noite não existe Razão Social, só Nome Fantasia. Era difícil ouvir. Quando ela sugeriu irmos "a um lugar mais calmo", aceitei por puro instinto de sobrevivência sonora.

Pegamos um táxi. No caminho, ela mexia no celular sem parar, mandando áudios que começavam com "migaaaa" e terminavam em gargalhadas. Eu olhava pela janela e pensava: "é assim que desaparecem os idosos nas reportagens do Balanço Geral".

Chegamos a um prédio que parecia ter sido congelado em 1978. Subimos num elevador que ameaçou parar em cada suspiro. Quando entramos no apartamento, senti imediatamente que havia algo errado: era limpo. Muito limpo. Clinicamente limpo.

Havia uma maca dobrável no canto da sala. Um biombo azul-claro separava o espaço. No balcão da cozinha, frascos de álcool gel e caixas de luvas descartáveis.

— É aqui que você... mora? — perguntei, olhando ao redor, esperando que, a qualquer momento, um enfermeiro aparecesse para medir minha pressão.

Ela deu uma risada curta. "Isso aqui era um consultório e o rapaz ainda não tirou todos os materiais. O bom é que ajuda a criar... um clima."

— Clima de vacinação em massa? — perguntei, antes de me censurar mentalmente.

Ela não se ofendeu. Pegou duas cervejas de uma geladeira portátil e me jogou uma.

— Relaxa, vovô. Hoje a consulta é por minha conta — disse ela, como se estivesse me oferecendo um desconto numa liquidação de fraldas geriátricas. Era a primeira vez que me chamavam de “vovô”. Aceitei com a resignação típica de quem sabe que, na vida, a primeira vez é só o ensaio geral para a humilhação permanente.

Sentei-me em uma poltrona imensa que provavelmente tinha dupla função: servir de assento e, em emergências, de poltrona para hemodiálise.

Conversamos. E, para minha surpresa, ela era divertida. Realmente divertida. Tinha piadas boas sobre clientes desastrados, histórias bizarras envolvendo médicos de verdade que tentaram diagnosticá-la no meio de encontros.

Contei que era solteiro e sem filhos, que nunca me casei. Ela respondeu que isso fazia de mim "alguém que deveria ser interditado judicialmente". Gargalhamos alto torcendo para não incomodar os vizinhos.

De repente, no meio da noite, entre um gole e outro, ela tirou a roupa.

— Quer me experimentar?

Eu, num raro momento de coragem, disse que sim.

Ela arrancou a minha calça, montou em meu colo e em menos de cinco minutos ejaculei espermatozoides temerosos de serem usados em algum projeto de inseminação artificial clandestina.

— Aprendi essa posição no X-Vídeos — explicou — hoje em dia, só querem preliminares, eu quero sexo.

Respirei aliviado por ela não ter dito que aprendeu aquilo assistindo ao "Arquivo X".

Fiquei sem fôlego. Era meio patético, eu sei — um idoso num apartamento que parecia uma UTI, conversando com uma garota de programa — mas por algum motivo, também era estranhamente reconfortante.

Quando dei por mim, já era alta madrugada. Ela me ofereceu café instantâneo, eu aceitei.

— Foi divertido, vovô — ela disse, quando me despedi.

— Foi educativo — respondi.

Na rua, enquanto esperava o Uber, percebi que estava com um esparadrapo preso na minha blusa. Eu estava tão exausto que deixei ele ali mesmo, como se fosse uma medalha de honra ao mérito. Sincronizei meu aparelhos auditivos com o celular e deixei que a música fizesse a trilha sonora do fim de mais um episódio da minha ainda tumultuada existência.

MOBY

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MILA
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26 de Abril de 2025 às 12:04






Noite de céu cinza. Um céu esfarrapado como a alma da cidade. Voltei à boate Up House, aquele inferninho disfarçado de balada na Lapa, com luz de neon e cheiro de desinfetante misturado com perfume paraguaio. Um templo para os devotos do pecado e os cínicos da virtude.

Sei que sempre haverá um sacristão para me condenar — tem sempre um hipócrita com bíblia na mão. Mas o que eu posso fazer se não descubro outros prazeres mais duradouros do que morder a maçã que uma Eva qualquer me oferece?

Talvez seja isso: a maçã. O gosto do proibido, mesmo quando você já sabe que não tem nada demais. Que é só fruta colorida com batom de camelô. Mas, caramba, às vezes ainda é doce. Isso basta.

Quando a vi, ela estava sentada perto do bar como se não tivesse um minuto a perder. Pernas cruzadas e olhos que não pediam desculpa por estarem ali. Não era jovem demais. Não era velha. Era o tipo de mulher que já apanhou por estar viva e agora revida. Sorriu para mim como quem reconhece um velho cliente, ou talvez só mais um idiota com a carteira cheia e o coração vazio.

— Posso te fazer companhia? Me paga uma cerveja? — ela perguntou num tom de voz de quem já gritou muito e agora sussurra.

— Duas. — Respondi, e me sentei ao lado dela como quem volta para casa depois de muito tempo.

Não perguntei o nome. Nomes só servem para a gente se iludir. Ela também não perguntou o meu. Melhor assim. Ficamos ali, bebendo em silêncio por uns bons minutos. O barulho do lugar emanava uma mistura de risada forçada e funk de quinta. Mas com a cerveja gelada e o calor dela ao lado, parecia quase poesia.

— Tá procurando o quê hoje, bebê? — ela perguntou, encostando a perna na minha.

— Um pouco de esquecimento e salvação. E, se for possível, uma mulher para me enganar.

— Salvação para quem, bebê? — ela quis saber rindo.

— Para os fodidos. Os cansados. Os que se afogam em sexo pago e vinho ruim.

— A gente não quer salvação. A gente quer alívio. E às vezes, alívio é só uma boa transa e um cigarro depois.

Preferi encerrar a sessão de análise. Aquela mulher conhecia a vida. Sugeriu que eu fosse ao caixa, pois me mostraria o caminho para o esquecimento. Paguei pelo ingresso e ela me conduziu pela escada até um quarto nos fundos sem fazer cena, como se fôssemos só mais dois fantasmas se esbarrando no escuro.

O aposento era pequeno, sem espelho no teto ou lençóis vermelhos demais. A mulher carregava um crucifixo torto preso ao pescoço, era alguém que definitivamente não entendeu nada sobre salvação.

Tiramos a roupa devagar, sem romance, mas com uma estranha ternura. Era um ritual triste, mas necessário, como lacrimejar no meio do velório. E ali, com ela por cima de mim, olhos nos olhos, senti uma coisa que não tinha nome. Não era amor. Deus me livre. Mas também não era só sexo.

Era como se, por alguns minutos, dois fracassos se encontrassem e dissessem: “tudo bem, pelo menos a gente tentou.

Para ser sincero, na minha idade já descobri que todos os prazeres são breves — talvez por isso sejam prazeres. Porém, alguns são mais intensos. E ela era isso: intensidade embalada em dor e batom.

A mulher me fez gozar. Depois, deitados, ela fumou olhando para o nada como se quisesse sair do próprio corpo. Eu também. O silêncio entre nós era quase confortável. Olhei para o relógio: 2h15. O universo lá fora seguia girando, enquanto ali dentro tudo parecia suspenso. Como se o tempo tivesse dado uma trégua só para nos deixar morrer em paz por alguns minutos.

— Cê vem sempre aqui? — ela me perguntou, com ironia.

— Quando a vida começa a me sufocar — respondi sangrando verdade.

— Então deve vir sempre.

Assenti. Ela não estava errada. O mundo é cheio de regras, planilhas, relógios, reuniões, boletos e gente vazia com roupa cara. Ali dentro, pelo menos, as mentiras são honestas.

— Meu nome é Mila — finalmente se apresentou, antes de dar o bote.

Então, Mila me pediu uma gorjeta, eu entreguei o dinheiro e ela nem agradeceu. Não precisava. Era só um acordo entre dois perdidos tentando sobreviver à própria existência. A relação era clara, limpa na sua sujeira.

Na saída, a chuva tinha começado. Claro. Céu cinza não promete nada que preste. Fiquei ali na calçada, vendo a Lapa tremer sob o peso da noite. A luz de neon da Up House falhava como um coração com arritmia.

Pensei em voltar para casa, tomar um banho quente e esquecer. Mas parte de mim sabia que ia lembrar daquela mulher. Não pelo sexo, nem pelo cheiro. Mas pelo jeito como ela me olhou no escuro — como quem enxerga o fracasso, mas não vira o rosto para ele.

E talvez seja isso o que a gente procura quando paga por amor: alguém que veja o buraco e diga “eu também tô nele”.

Voltei a andar, devagar, encharcado de mim mesmo. Um velho como eu vive acelerado porque já sente a foice se aproximando. Amanhã será outro dia, cheio de contas, compromissos e esperanças de menos. Mas por algumas horas, eu tinha sido só carne e alma crua.

Porra, mas o que eu havia conseguido naquela noite já é mais do que muitos conseguem. Emparelhei os meus aparelhos auditivos com o celular, deixei a música me ensurdecer e segui em frente. Não havia outra escolha.

DURAN DURAN

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24 de Abril de 2025 às 09:04



A Lapa tem um cheiro próprio. Um misto de cerveja choca, perfume barato e promessas falsas. Para mim, é mais que um bairro — é um estado de espírito. É a minha Ítaca. Toda vez que cruzo os Arcos, sinto que retorno de uma guerra antiga. Uma guerra contra o celibato, contra os algoritmos cruéis do Tinder, contra a realidade que insiste em me lembrar que a libido, quando ignorada por tempo demais, começa a se manifestar nas formas mais esquisitas.

Como, por exemplo, uma ereção involuntária durante o filme “Um Senhor Estagiário”. Quando Anne Hathaway me encarou através da tela, minha libido, que dormia em posição fetal há semanas, se espreguiçou. Robert De Niro, coitado, não entendeu nada.

Sim. Foi ali, entre diálogos fofos e planos de câmera, que Anne Hathaway me lançou um olhar digital e eu percebi que precisava fazer algo. Algo prático. Concreto. Sem filtro de Instagram ou cerveja artesanal. Precisava de um corpo. Um corpo real. E de preferência, um que não me julgasse por ficar excitado em comédias românticas com a Anne Hathaway.

Naquela sexta-feira, a Lapa me chamou com sua voz rouca de cigarro e batom borrado. Eu precisava viver uma aventura carnal. Ou, ao menos, encostar em alguém que não fosse a senhora da padaria que insiste em me chamar de “coroa bonito” com uma compaixão que me ofende.

Foi assim que parei diante da Up House.

Dizem que o lugar já foi uma casa de família, o que faz sentido, considerando o número de “primas” que devem ter sido concebidas ali. A fachada discreta, quase tímida, disfarça o que se passa lá dentro com a elegância de um político explicando gastos com “assessoria”.

Fui recepcionado por uma mulher que chamarei de Gladys, porque ela tinha cara de Gladys. Um coque firme, um olhar treinado para detectar homens nervosos, e uma prancheta com nomes falsos. Saudou-me com um “boa noite, guerreiro” que me desarmou. Guerreiros não têm boleto atrasado. Mas aceitei o título. Guerreiros também mentem para si mesmos.

— Nome? — perguntou, sem levantar os olhos.

— Fábio — respondi, com a convicção de quem sabe que, em lugares assim, todo mundo é Fábio — pois sempre que me apresento como DANTE entendem DENTE e respondem que o dentista é do outro lado da rua.

Ela assentiu com um “Ok” protocolar e me apontou a porta de entrada. O ambiente tinha iluminação amarelada, trilha sonora que alternava entre funk e suspiros de tédio. Havia um pole dance esquecido num canto — inútil, mas decorativo, como um bidê em apartamento de solteiro.

Foi quando ela apareceu.

Paloma.

Era loira, ou algo que, sob aquela luz, poderia ser loiro, cobre ou um tom raro de caramelo industrializado. O vestido parecia desenhado por um tatuador hiperativo, e o salto alto dela produzia um som que misturava erotismo e ameaça.

— Você que marcou comigo 22h15? — perguntou, já avaliando minha cara como quem examina uma peça no brechó.

— Sou o Dante — respondi, e percebi que isso não significava absolutamente nada para ela.

— Então vamos.

Perplexo pela situação, aceitei o convite inesperado. Ela me levou até o caixa, paguei e subimos por uma escada que rangia como a minha consciência

— Você parece perdido — ela disse.

— Eu sempre pareço perdido — respondi, como quem confessa uma falha de fabricação e me dando conta do que pensaria o verdadeiro cliente das 22h15 quando chegasse.

A menina era direta, prática e com uma eficiência de atendente de Call Center em final de turno. Usava um vestido tão justo que me tirava o ar. E tinha olhos tão determinados quanto os de uma auditora da Receita Federal.

Paloma, com a experiência de quem já havia atendido um pedreiro e um neurologista naquela mesma noite, iniciou o ritual com uma pergunta digna de terapeuta:

— Quer com carinho ou com força? — perguntou, ajeitando o cabelo como se estivesse prestes a apresentar a previsão do tempo em algum telejornal.

Algo intermediário... tipo “sessão da tarde com cenas quentes”.

Ela riu. Acho que riu. Pode ter sido só um espasmo facial.

O primeiro beijo foi técnico. O toque, ensaiado. E tudo tinha uma beleza triste, como dança de casamento quando a banda já está desmontando o teclado. Mas havia ali um tipo de verdade crua, nua e completamente embriagada. Uma tentativa desesperada de dois corpos fazerem sentido num mundo que já não faz mais.

E assim começou o que chamei mentalmente de “Copulação 2: O Retorno”. Não foi exatamente memorável, mas houve momentos de humanidade. Uma mão que tremia. Um elogio fora de hora. Um momento em que nossas cabeças bateram com força por falta de sincronia.

— Acontece sempre? — perguntei, tonto.

— Só quando o cliente é alto.

A coisa toda durou 15 minutos e meio, incluindo dois minutos de preliminares, três de confusão com a camisinha, e o restante foi uma espécie de coreografia que envolvia uma cama com lençol de oncinha e um espelho mal posicionado.

Houve momentos genuínos. Um único gemido. Uma cãibra sincera na minha perna esquerda.

Terminada a epopeia, deitei-me por alguns segundos, como quem sobreviveu a um furacão pequeno, mas barulhento. Paola me ofereceu um pirulito de uva, talvez como símbolo fálico ou apenas porque era o que ela tinha ao alcance da mão.

Saí de lá mais leve. Menos por ter alcançado o clímax e mais por ter me reconectado com algo que eu tinha esquecido: o toque, o calor, a comédia absurda de dois desconhecidos tentando fazer sentido em cima de uma cama.

Na porta do quarto, ao sair, Paloma me deu um beijo na testa — como uma freira sacana.

— Se cuida, Dante.

— Eu não me chamo Dante.

— Hoje sim.


Ganhei as ruas com a dignidade levemente comprometida e os cabelos cheirando a desinfetante floral. A Lapa continuava viva lá fora — bêbados, poetas frustrados, e uma moça discutindo com um motoboy sobre horóscopos. Me senti parte da fauna urbana novamente, um animal em extinção que ainda acredita que sexo pode ser uma metáfora para qualquer coisa, até para um filme com o Robert De Niro.

Na calçada, acendi um cigarro imaginário — gosto da pose — e olhei para o céu da Lapa, escuro como minha conta bancária. Senti que, de algum modo, minha noite havia sido produtiva. Eu havia vivido. Ou, no mínimo, pagado por isso.

E no fundo, não é isso que todos os Ulisses querem? Voltar para casa, mesmo que seja sozinho, com uma história que ninguém vai acreditar?

Ou quase.

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23 de Abril de 2025 às 16:04






Há muito tempo eu não visitava a Vila Mimosa. E nem tinha vontade. Porém, fazendo a ronda com o Sucatão pela noite temerosa do Rio, decidi estacionar na Rua Ceará e verificar aquele apêndice do mundo.

Dizer que a Vila Mimosa está decadente é um tremendo pleonasmo, mas agora posso afirmar que a zona nunca esteve tão decadente. Atravessei o portal do Inferno e me acomodei em um bar com uma mesa de sinuca.

A cerveja estava morna. O cara do bar parecia ter saído de um filme ruim dos anos 80, com um bigode torto e olhos de quem já esqueceu como era sorrir de verdade. Ele secava copos com uma toalha suja, como se aquilo fosse algum tipo de ritual sagrado. Me serviu como quem empurra um problema pra frente. Tomei um gole e fiz careta. Gosto de metal velho e derrota.

A música vazava de alguma caixa de som miserável escondida atrás das garrafas, algo entre funk barato e um gemido de ressaca. Uma das mulheres se espreguiçou numa cadeira de plástico encardida, pernas cruzadas com mais tédio que sensualidade. Fumava um cigarro mentolado e olhava pro teto como se ele tivesse alguma resposta que ela ainda não conhecia.

Eu acompanhava a sinuca e pensava que talvez tivesse feito escolhas erradas na vida. Mas todo mundo pensa isso em algum momento. O problema é que comigo esse pensamento aparece todo dia, geralmente depois do terceiro copo. Talvez seja o único compromisso verdadeiro que ainda tenho: minha fidelidade ao arrependimento.

O sujeito jogando sinuca parecia um ex-campeão de qualquer coisa que já não importa mais. Barriga de cerveja, cueca aparecendo, cueca vermelha — por que cueca vermelha? Isso devia ser crime. Ele deu uma tacada torta, xingou baixo, e uma das bolas entrou sem querer. Olhou pra mim como se quisesse uma aprovação, mas só levantei a sobrancelha e voltei pra cerveja morna.

Uma outra mulher veio até o balcão, perguntou se eu podia pagar um gim e se apoiou do meu lado. Tinha olheiras de quem já viu coisa demais e uma blusa com um botão a menos. Aproximei o copo do meu nariz, só pra evitar puxar conversa. Às vezes, até o silêncio tem mais a dizer do que as palavras cansadas que a gente escuta nesses lugares.

Ela me olhou de lado e disse:

— Tá esperando alguém?

Ri por dentro. Essa pergunta sempre parece carregada de promessas que nunca se cumprem. Respondi sem virar o rosto:

— Tô esperando o tempo passar. E ele sempre chega atrasado.

Ela soltou uma risada estridente e ficou em silêncio. Boa garota. O tipo de mulher que aprendeu a não desperdiçar frases com quem não vai se lembrar delas no dia seguinte.

A noite se arrastava. Um bêbado vomitou no banheiro. Outro pediu fiado. O dono do bar recusou com um olhar de misericórdia profissional. Ninguém briga mais nesses lugares. Só desiste. A violência foi substituída por uma espécie de cansaço crônico da alma.

Eu me encostei melhor na cadeira, afundei os ombros e pensei em todas as coisas que eu podia estar fazendo. Escrever, por exemplo. Ou dormir. Ou simplesmente caminhar até desaparecer da minha própria vida. Mas não. Eu estava ali, entre o cheiro de álcool velho e perfume barato, observando bolas rolando e mulheres entediadas, com o desejo carnal dormindo numa cama de cimento frio dentro do meu peito.

A verdade é que, em certos momentos, o inferno parece um bar de sinuca vazio numa terça-feira à noite. E a gente ainda paga pra entrar.

Ela voltou. A mulher do gim. Sem que eu perguntasse, disse que seu nome é Laila. Sentou-se do meu lado de novo. Tinha aquela cara de quem já transou por comida e riu de piadas que a machucavam só pra manter o cliente bêbado interessado.

— Tá precisando de companhia? — disse, agora mais direta.

Não respondi. Dei mais um gole, dessa vez nem senti o gosto. Olhei pra ela, bem nos olhos. Não tinha charme. Não tinha beleza. Apenas aquele tipo de dignidade que só se encontra em quem já perdeu quase tudo.

— Não sei se tô precisando de companhia ou de um tiro bem dado. — falei, meio rindo, meio sério.

Ela riu também, um riso rouco, acostumado a piadas tristes.

— Os dois custam quase a mesma coisa.

Ficamos em silêncio. Ela acendeu outro cigarro, me ofereceu. Aceitei. Fumamos como dois fantasmas esperando um trem que nunca vem. Um cachorro magro passou do lado de fora, espiando o bar como se procurasse alguém que nunca vai voltar.

— Sabe o que é pior? — ela disse. — Não é dar o corpo. É quando nem o corpo serve mais. Quando o cara só quer falar. Aí você percebe que tá alugando sua alma também.

Soltei a fumaça devagar.

— Já fiz isso. Paguei pra falar. Paguei pra alguém fingir que ouvia.

— E funcionou?

— Não. Mas naquela noite, me senti menos sozinho. Às vezes, isso já é milagre.


Ela apagou o cigarro com força, como se esmagasse um inseto que já estava morto.

— Vamos subir. É barato. Você não precisa nem tirar a roupa, te faço um boquete gostoso.

Paguei a cerveja e o valor do programa. O barman me olhou como se dissesse "boa sorte", mas não em voz alta — ele já tinha falado demais na vida.

Seguimos por uma tortuosa escada de ferro e entramos em um corredor úmido com cheiro de mofo e desespero. O quarto era pequeno, uma cama com lençol florido e manchado, um ventilador que girava como se tivesse preguiça de viver.

Ela tirou os sapatos, sentou-se na beira da cama e olhou pra mim.

— Vai querer o quê?

— Uma punheta e um cochilo. Só isso. Pode ser?

Ela assentiu. Se deitou de lado, de frente pra mim. Deitei-me por cima da colcha. Ficamos ali, respirando juntos, dois pedaços de carne tentando lembrar como era ser humano.

Não fizemos amor. Não falamos mais. Enquanto ela me masturbava, só deixamos o silêncio nos embrulhar, como um cobertor velho numa noite fria demais pra qualquer palavra.

Gozei, cochilei por uns poucos minutos e despertei agoniado, querendo sair daquela caverna claustrofóbica e insalubre. Ela dormia, ou fingia muito bem. Deixei algumas notas sobre a mesa de cabeceira, como caixinha, pois já havia pagado pelo programa ao balconista. Saí sem olhar pra trás.

Lá fora, o céu ainda era escuro. Um silêncio pesado cobria as ruas. Caminhei devagar.

A vida não era bonita. Mas às vezes, no meio da sujeira, alguém ainda oferecia abrigo. Mesmo que fosse só por uns poucos minutos numa noite. Mesmo que custasse dinheiro.

E isso — isso já era alguma coisa.

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RUIM RUIM
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SHIVA
NEUTRO
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23 de Abril de 2025 às 11:04



"O verdadeiro horror da existência não é o medo da morte, mas o medo da vida. É o medo de acordar todos os dias para enfrentar as mesmas lutas, as mesmas decepções, a mesma dor. É o medo de que nada mude jamais, que você esteja preso em um ciclo de sofrimento do qual não pode escapar. E nesse medo, há um desespero, um desejo de algo, qualquer coisa, para quebrar a monotonia, para dar sentido à repetição infinita de dias."
—Albert Camus



No quarto, não havia silêncio. E o silêncio, como todo pecador sabe, é o ponto de partida sacro para o começo do sexo. O silêncio é o altar. Sem ele, o desejo é apenas ruído — um espasmo patético em lençóis ordinários.

Mas naquele quarto — com paredes descascadas, lençóis de pensão e uma luz pálida que parecia ter nascido envergonhada da luxúria que ilumina — o silêncio estava ausente.

Do corredor, vinham gritos, sons triviais e obscenos: uma descarga, uma tosse asmática, o chiado de caixas acústicas tocando um sertanejo antigo. A música parecia zombar de mim, como um coroinha debochado durante a missa.

Eu esperava... Durante a espera, a memória me arremessou à última festa do Arena — dessas festas onde todos os predadores se encontram — lembro-me de um sujeito que se aproximou de mim com um copo na mão e a alma vazia. Olhou-me com a superioridade dos ignorantes e perguntou: “Mas tudo o que você escreve... é real?” Ah, meu Deus. Eu poderia ter me ofendido. Mas não. Fui tomado por uma compaixão que não me cabia. Uma compaixão de beato, de padre no confessionário. Ali estava um homem que nunca foi amado sem pagar por isso, que nunca chorou no escuro, que condena aqueles que dispensam a capa de látex, que nunca desejou a mulher errada sabendo que era a certa. Um homem que trata a vida como quem olha vitrines: tudo limpo, tudo falso, tudo intocado. Coitado.

Shiva dissera que voltaria em um minuto. Um minuto. Um sopro. E, no entanto, aquele minuto tomava a densidade das horas, a eternidade dos pecados repetidos.

Ela saíra sem pressa, como uma atriz que já conhece o fim do espetáculo. E eu ficara ali, no meio da cena, em cueca e meias, como um personagem deslocado — ridículo e trágico.

Esperava sentado na cama, que rangia com a respiração, com a memória. Cada rangido trazia à tona sua mulher em casa, seus filhos assistindo televisão, o cachorro dormindo sob a cama de casal. Tudo o que eu não tive porque escolhi a aridez do celibato. Fiquei ali, entre o suor e a vergonha, esperando por Shiva.

Não era a primeira vez, era a última de milhares. E justamente por não ser a primeira, eu sabia: o sexo com prostitutas carrega uma solenidade sombria. Há nele algo de religioso, de sacrificial. Você entrega o corpo e recebe de volta o reflexo da sua miséria.

Shiva. Ela mesma escolhera esse nome. Um nome que prometia destruição, dança, e renascimento. Nome que não combinava com maiô desbotado, nem com a voz rouca de cigarro barato. Mas era assim que ela queria ser chamada.

Quando saiu, disse apenas:

— “Espera um minutinho.”

Como se fosse ao banheiro buscar batom. Como se o mundo estivesse em pausa. Mas aquele minuto... aquele minuto foi o inferno com cortinas floridas.

Eu me levantei. Olhei-me no espelho trincado da parede. O que vi foi mais do que o meu reflexo: vi um homem vencido. Com o cabelo rareando como se uma praga bíblica o levasse embora. Com olheiras que pareciam mapear todos os meus fracassos. Vi um homem comum — e esse era o maior dos horrores.

Sentei-me outra vez. O colchão afundou como se soubesse o peso da minha alma.

Quando a maçaneta girou, contive a respiração. Era como se o Juízo Final estivesse prestes a começar.

Ela entrou. E com ela, um perfume doce e desesperado. Perfume de farmácia, de mulher que precisa seduzir com pressa.

Shiva não pediu desculpas. Tampouco explicou a demora. Apenas entrou — e isso bastava.

Vestia um maiô vermelho que lhe apertava os seios e revelava mais do que escondia. Mas nada naquilo era gratuito. Tudo nela era intencional — como um altar decorado para o sacrifício.

Ela se sentou na beirada da cama, ao meu lado. Perto, mas não muito. Entre nós, havia mais do que espaço físico. Havia a espessura da culpa, da dúvida, do desejo ainda mal digerido.

— “Você parece nervoso” — ela me disse, olhando para as próprias unhas.

Eu sorri. Um sorriso breve, seco, que não encontrava lugar no rosto.

— “É só cansaço.”

Ela acendeu um cigarro. E o primeiro trago foi longo, como se tragasse todos os nomes falsos que já tivera de usar, todos os homens que já tivera que fingir amar.

— “Você tem mulher?” — perguntou-me de supetão
.
A pergunta veio como uma confissão invertida.

Hesitei e decidi mentir.

— “Tenho.”

— “E filhos?” — ela insistiu.

— “Dois.” — Menti novamente.

Ela assentiu com um gesto breve. Era um ritual. Todos diziam o mesmo. Mulheres, filhos, culpa. Ela sabia decorado. Podia recitar a ladainha antes mesmo que eu abrisse a boca.

— “Você ama ela?”

A pergunta me atravessou. Não porque fosse inesperada, mas porque era indecente. Mais indecente do que tudo que faríamos ali.

Não respondi.

Ela se levantou. Trocou o cigarro de mão. Foi até a porta — fechada — e a observou como quem contemplasse uma paisagem que não existe. Quando se virou, estava decidida. Começou a tirar o maiô com a lentidão dos ritos.

Levantei-me também. Toquei o ombro dela, depois o rosto. O toque era mais terno do que lascivo. Um toque que pedia perdão antes mesmo do pecado.

A cama, novamente, rangeu.

E o silêncio, enfim, apareceu. Com ele, o sexo. Um sexo sem urgência, sem grito, sem vulgaridade. Um sexo quase triste. Como se ambos — mesmo ali, no ato — já sentíssemos a ausência um do outro.

Quando acabou, deitei-me de costas. Olhei o teto manchado de mofo. Ela ficou sentada, enrolada no lençol, fumando outro cigarro.

— “Vai voltar?”, ela perguntou, sem olhar para mim.

Demorei para responder. Vesti a calça. Peguei o relógio. O dinheiro amassado já tinha sido entregue ao rufião no bar, quase com vergonha.

— “Não sei.”

Deixei o quarto.

O corredor das escadas parecia mais escuro do que antes. Do lado de fora, a cidade já escorria em suas luzes sujas. Desci os degraus como quem deixa um templo.

E enquanto andava pelas ruas, entre as buzinas e o bafo dos esgotos, uma frase martelava na minha cabeça:

“O silêncio é o sacro ponto de partida.”

Mas, e depois?

Depois, o silêncio era tudo o que restava.

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ISABELA
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22 de Abril de 2025 às 11:04






O crepúsculo não é apenas uma transição — é o choque entre dois titãs. Como rios caudalosos em rota de colisão, o dia e a noite se confrontam no horizonte, duelando em silêncio por um trono de luz. No firmamento, a alvorada do escuro se insinua. Estrelas, como sentinelas ancestrais, piscam em convocação silenciosa, enquanto as lâmpadas de vapor de mercúrio — fincadas em postes que desafiam a treva — acendem suas espadas sobre o asfalto fatigado. A Lua, soberana serena, adentra em sua carruagem prateada, desbancando o Sol — esse déspota incandescente que ousa se passar por divindade.

O dia, com sua pressa e seus ruídos, é uma torrente selvagem. À noite, porém, o destino sussurra em nossos ouvidos, convidando-nos a içar velas e navegar por oceanos de mistério.

Três doses de uísque. Eis a magia. Quem há de resistir ao chamado? De repente, me vi poetizando a dança cósmica da rotação e da translação como se recitasse Homero na mesa do boteco. É por isso que prefiro os destilados — carregam em si o espírito dos deuses e o fogo da criação.

Ali estava eu, no Boteco Bacurau — minha Ítaca na Lapa, minha Caverna de Platão. Entre mesas de madeira e cadeiras rangentes, a solidão era minha musa. Não me falem dela como tragédia. A solidão é uma diva de olhos profundos, que nos beija com silêncio e nos embriaga com lucidez. Nos ensina a amar a própria sombra, a fazer do espelho um aliado, e a conversar com as paredes como se fossem oráculos.

Das caixas de som, irrompia uma melodia em êxtase:

🎵 BRONSKI BEAT — um hino melancólico de exílios interiores.

Mas não era só som. Era um fluxo elétrico que me invadia as veias, me fazia querer levantar, girar sobre mim mesmo e celebrar essa existência boêmia que escolhi como pátria.

Acredite, Forista sem fé — porque há sempre alguém lendo estas palavras como quem busca sinais entre os destroços. Naquela mesa de bar, rodeado por uma multidão que fluía como fantasmas no breu da cidade, eu era uma ilha suspensa no tempo. Um Robson Crusoé urbano, náufrago no arquipélago de concreto.

A propósito, meu nome é Dante. Porque às vezes, para cruzar o inferno, é preciso manter o nome intacto — como um feitiço, como uma senha, como um juramento.




Conheci Isabela pelo Sexlog, uma rara devota de Clubes de Swing com quem dei a sorte de esbarrar no metaverso virtual. Surpreendentemente bonita, uma morena de cabelos compridos e lisos, olhos amendoados, lábios carnudos, corpo delineado em curvas escandalosas. Sensual por natureza e por vocação.

Fomos nos comunicando pelo Whatsapp até ela finalmente chegar. Surgiu reverberando passos suaves em direção aos meus olhos incrédulos, era como ver a espuma de ondas do mar dominando a areia da praia. Tão bela que pareceu ter suspendido todas as respirações ao redor.

— Dante? — me perguntou ao estacionar diante de mim.

— Para você, eu teria qualquer nome — respondi sem fôlego.

Ela sentou-se ao meu lado. O combinado era conversarmos por algum tempo, bebermos e avaliar se haveria química para irmos juntos para o 2A2, em Botafogo. Sim, ela me pediu uma compensação financeira, mesmo que houvesse química. Aceitei. Quando vi o porte da beldade, considerei até um valor baixo.

Botafogo, 23h15. A noite ainda não havia decidido se seria céu ou inferno.

O táxi deslizou até o meio-fio como um segredo sussurrado. Isabela saiu do carro com a lentidão de quem sabe o efeito que causa no mundo. Usava um vestido vinho, rente ao corpo, como se costurado em pecado. O tecido cintilava sob a luz dos postes, e seus quadris desenhavam a coreografia de um asteroide cruzando a Via Láctea. Eu, Dante — o mesmo de sempre, perdido entre o desejo — apenas sorri, tentando fingir normalidade diante daquela epifania de luxúria e perfume.

O clube 2A2 é discreto por fora, mas por dentro, esconde um universo paralelo. Ao entrar, o som era abafado e a luz de um colorido pálido. Não havia relógios, apenas o aroma de feromônios incontidos. Como se o tempo tivesse se rendido ao prazer.

Peguei duas tequilas. Isabela caminhava ao meu lado, mas não era minha — era do momento, do cenário, do ritual que se armava entre olhares. A música deslizava pelo ar como mãos invisíveis. Corpos se misturavam em sofás de veludo, sorrisos se trocavam em códigos silenciosos. Havia uma suavidade lasciva no ambiente, como se tudo fosse permitido, desde que fosse selvagem.

Nos sentamos. Isabela cruzou as pernas com maestria milimétrica. Sua pele refletia a penumbra como porcelana aquecida. Bebemos. Encaramo-nos e rimos. Os toques começaram sutis: sua mão sobre meu joelho, meus dedos escorregando pela nuca dela como se desenhassem mapas de fuga.

— Está pronto para brincar no escuro? — ela sussurrou.

No "dark room", tudo era murmúrio e respiração. Era como estar dentro de uma pintura do Caravaggio— sombras e corpos misturados em composições intensas. Isabela guiava a cena com uma naturalidade que beirava o divino. Tocava como quem reza, beijava como quem jura lealdade ao instante.

Os outros, à nossa volta, não eram intrusos, mas cúmplices da noite. Nada ali era vulgar — era arte feita de suor, ritmo, pele e escolha. E havia algo de poético em compartilhar o desejo, como se o amor-próprio ganhasse aplausos de plateia.

Saímos do clube às quatro da manhã, com os olhos ainda brilhando do que não poderia ser descrito por completo. Exausto e com sono, preferi pagar o táxi para que ela voltasse para casa, mora na Abolição. Ela apenas sorriu, fechando a porta como quem encerra um capítulo precioso.

E eu, Dante, mais uma vez perdido entre o real e o sublime, acendi um cigarro e caminhei pelas ruas de Botafogo enquanto o amanhecer me envolvia e me anestesiava como um vampiro que adormece. Sincronizei os meus aparelhos auditivos com o celular e deixei que as batidas do Kiss guiassem os meus instintos e o impacto das minhas botas sobre as velhas calçadas que me amparavam.

🎵 SILENT MORNING

Cai o pano...

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10 de fevereiro de 2025 às 14:02



LÍVIA


Começava a anoitecer, mas isso não é vantagem atualmente, pois o calor prossegue implacável. Eu me arremessava pelas vias esvaziadas do Centro suando como se estivesse em uma sauna clandestina. Atravessando a Rua 13 de Maio, sou abordado por um camelô com olhos esbugalhados, cabelos em pé e mais suado do que eu...

— Ô, meu senhor. Tô com perfume da Natura em promoção. Leva um pra sua esposa? Ajuda aí o trabalhador.

— Não tenho esposa — respondi.

— Não? Solteirão? Mas tem filha, né? Leva pra sua filha. É o último, quero vender para ir embora.

— Não tenho filha — dei outra negativa.

— Não tem filha? Tem filhos?

— Não.

— Ih, que chato heim, meu senhor. Tem mãe?

— Mãe eu tenho.

— Pô, que alívio. Se o senhor não tivesse mãe eu ia chamar a Assistência Social — e o camelô gargalhou da própria piada — leva pra mamãe o perfume. Ajuda o trabalhador — insistiu.


Balancei a cabeça em negativa, me desvencilhei do sujeito e segui meu rumo. Ainda me afastando, escutei o camelô murmurar um “porra de velho murrinha”.

Piscada

A Cinelândia fervilhava, mas preferi passar batido e escolhi estacionar o corpo em um boteco da Rua Evaristo da Veiga. Pedi uma dose de uísque com gelo, não tinha. Pedi um martini, não tinha. Precisei me conformar com a cerveja. A garrafa veio esbranquiçada, com vestígios de gelo, derramei o líquido no copo e o entornei pela garganta. A sensação de ressurreição deve ser semelhante a que eu vivi naquele instante.

Comecei a fuxicar meu celular em busca de alguma mulher de ocasião. Quem me acompanha, sabe que estou saturado dos consultórios sexuais, é uma situação que não me excita. Alguns velhos, como eu, se tornam mais exigentes e há o tédio de já não se contentar somente com a ejaculação. Preciso do sabor da aventura, da descoberta, da caça. Essa coisa de ficar esperando resposta no zap, de precisar agendar... Deus me livre, é muito cansativo. Nessa noite, no entanto, eu queria mergulhar em uma hidromassagem, mas precisava de um pretexto para entrar em algum motel.

O cartel das perdidas cobra um cachê que me parece impróprio, mas esbarrei com a sorte de encontrar o anúncio da Lívia, que promete a felicidade por 200 contos a hora. Fiz contato.

A moça não tinha local, o que veio a calhar, eu queria muito mais a hidromassagem do que o sexo. Perguntei se ela me atenderia em um conhecido motel próximo de onde eu estava, a resposta positiva e a disponibilidade do horário me fizeram marcar o encontro.

Corri para o motel, queria me adiantar. Peguei o quarto com hidro. Enchi a banheira, mergulhei. Foi a segunda sublimação espiritual da noite, foi como se eu entrasse pelos portais do paraíso. Meu combalido pênis ficou duro na água fria. Um fenômeno.

Girl9

Lívia chegou. Morena gostosa, sensual, simpática. Não me negou o primeiro beijo apetitoso. Tirou a roupa, exibiu suas curvas pecaminosas. Mamei seus peitinhos pequenos e firmes com a fome de um recém-nascido. Os gemidinhos da menina me embalavam. Fiquei ali, roçando me cada parte livre do corpo provocante da garota.

Colei meus lábios na vagina quente e úmida da fêmea, ela gemeu mais alto, se contorceu, estremeceu em minha boca e gozou. Sinceramente, eu não estava disposto ao esforço da penetração, pedi que Lívia me chupasse. Ela o fez com profundo conhecimento da anatomia peniana. Em menos de um minuto, eu ejaculei toda a minha futura biografia da Wikipédia.

Conversamos um pouco, acertei as contas e liberei a moça. Retornei a redentora banheira de hidromassagem. Que delícia. Fiquei ali, mergulhado enquanto minhas mãos e pés enrugavam-se pelo efeito da água. Quase adormeci. Como tudo na vida, o tempo acabou. Vesti minhas roupas e deixei o hotel.

A rua estava deserta, povoada de sombras vadias, o som das minhas botas sobre a calçada ecoava perguntas sem respostas. Andei até os arredores do Amarelinho, avistei um táxi e embarquei.

As luzes brancas e amarelas desenhavam fachos de claridade no asfalto. Recostei minha cabeça na janela. O preço da liberdade absoluta é a solidão. Não pensem que a solidão é triste, ela pode ser uma avalanche de euforia.

O rádio do carro me ofereceu a trilha sonora. É estranho saber que a nossa vida caminha para o fim. E nesta existência feita de breves capítulos, encerrei mais um torcendo para que o epílogo demore a ser escrito.

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Dancinha

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JUCI
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07 de fevereiro de 2025 às 22:02



Hoje muitos foristas com poucos anos de fórum desenvolveram um estilo esquisito, parecem jurados de Show de Calouros do SBT. Tem o forista Araci de Almeida, o forista Pedro de Lara, o Décio Piccinini. Eles dão selos, notas, rola até troféu imprensa se tiver espaço. Isso sem contar os bordões repetitivos que me lembram a Escolinha do Professor Raimundo ou a Praça é Nossa.

Há um forista que relata o sexo como se fosse serviço de Bombeiro Hidráulico, vai do encaixe perfeito à boa pressão do boquete, mais um pouco se arriscará a medir o teor alcalino da saliva na hora do beijo.

E o forista metido a comediante? Meu Deus. Se existe o Stand Up, o forista que aspira ser comediante de fórum inaugurou o Stand Down. Tosco.

Outra tragédia são as fotos, foristas são péssimos fotógrafos. Uma garota fotografada por forista com a mão cabeluda apertando a bunda dela está irremediavelmente condenada ao ostracismo.

Existe uma crise de emoções genuínas nos TDs. É tudo muito pasteurizado. Sinais dos tempos? Acredito que esteja mais para a síndrome do sexo mecânico. A quantidade prevalecendo sobre a qualidade, sobre o prazer. É a necessidade de postar o encontro sem vontade de refletir as emoções que ele causou. Um cardápio de botequim abre mais o apetite.

PRINCE

Talvez, esses meus pensamentos fossem parte de um delírio causado pela sensação térmica noturna de 40 graus centígrados, somando-se a esse desconforto a voz de Prince inundava os meus ouvidos pelos meus aparelhos auditivos sincronizados com o celular.

Fui ao Centro após o anoitecer, na esperança de encontrar temperaturas mais amenas. Enganei-me. Caminhando pela Avenida Presidente Vargas, eu suava litros. Entrei na primeira farmácia que vi para sentir a atmosfera fria do ar-condicionado antes que o meu corpo fosse carbonizado.

Não dava para ficar perambulando nas ruas assoladas pelo calor inóspito e sufocante. Decidi ir ao Bombeirinho, estava próximo e fazia tempo que não o visitava. Quando minhas botas pisaram na Rua da Conceição, no trecho entre a Presidente Vargas e Marechal Floriano, me senti entrando em um beco fumegante. Olhei a escada do sobrado 116 e tive preguiça de subir. Não ia morrer na praia, me convenci a galgar os degraus.

Não sei se o Bombeirinho tem ar-condicionado, mas quando entrei na boate foi como se eu houvesse penetrado na cratera de um vulcão. Juro que imaginei avistar fumaça subindo da pista. Algumas mulheres seminuas, com seios amostras, elas vagavam com olhar alucinado pelo salão. Baldes de cerveja por todos os lados. A casa estava relativamente cheia.

Comprei uma ficha no caixa e, roçando em peitos e nádegas, me esforcei para chegar ao balcão do bar, onde pedi uma Ice. Sentir aquele líquido gelado arranhando a minha garganta quase me causou ejaculação precoce. Que sensação maravilhosa. O prazer me fez respirar fundo e me engasguei intoxicado pela neblina de tabaco que paira no ambiente. Não foi dessa vez, consegui voltar a respirar.

O calor excessivo deve exterminar neurônios, pois eu já não conseguia raciocinar com clareza. Perto de entrar em pane, detectei uma jovem morena num dos cantos da pista, bonita, cinturinha fina e peitolas pontudas expostas. Abordei.

Entrevista básica, Juci o nome da mocinha. Afirmou beijar, fazer boquete completo e me perguntou se eu gostava de anal. Respondi que para o anal o meu combalido pênis já tinha se tornado deficiente físico. Pedi uma alcova.

A garota me levou para um quarto tão minúsculo que tive dificuldade para entrar. Lá dentro, as diminutas dimensões me exigiram um esforço contorcionista para tirar a roupa. Minha cueca estava úmida de suor. Juci me pareceu ter passado um creme nos cabelos que emanavam um cheiro fortíssimo semelhante ao de ovo vencido, empesteou o cubículo. Não estava fácil para me concentrar.

Quando olhei e toquei no velho Pikachu, não encontrei sinal de vida. Provavelmente, nem um desfibrilador traria o meu vetusto pênis de volta ao ânimo da vida naquela situação de clausura fervilhante.

Não vai rolar, foi a sentença que veio à minha mente cansada. Juci me deu uns beijinhos travados, com mais dentes do que língua; enfiou os peitinhos na minha boca como se quisesse me asfixiar para depois me alertar que poderia sair leite. Um horror. Percebendo que nada funcionaria, pedi para que ela me tocasse uma punheta. A menina fez uns cinco movimentos com o braço e reclamou que estava cansada. Dispensei.

Ganhei novamente as ruas causticantes, sinalizei para um táxi. Embarquei, um carro espaçoso, o ar-condicionado fortíssimo, gelado. Recostei a cabeça, suspirei aliviado e tive a certeza de que poderia gozar no frescor daquele banco com muito mais euforia do que em uma vagina habitante do inferno. A aventura continua...

Girl9

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05 de fevereiro de 2025 às 09:02




“No princípio, era o Verbo...”
(João 1:1-18)

Amanheço-me quando anoitece. A maioria dos melhores momentos da minha vida, as melhores aventuras, tudo isso aconteceu sob o manto da noite. Sempre fui um noturno, mesmo hoje, já envelhecido, é raro que eu durma antes das 3 da madrugada. Minha alma só desperta ao anoitecer. De dia, sou uma criatura deslocada, desgarrada, desorientada.

Há dois seres em mim, um que habita o dia e o outro que existe à noite. É uma ruptura de personalidade. De dia, sou o meu eu convencional; à noite, torno-me o Dante, inclusive, me apresento como Dante para quem conheço pelas esquinas e pelas sombras projetadas das estrelas. Pelas manhãs e tardes sou um professor reservado, buscando sobreviver como tantos outros que circulam por entre prédios e avenidas fumegantes, mas é quando anoitece que visto o meu próprio Indiana Jones, é quando busco a adrenalina que me alimenta.

As minhas memórias, a minha ousadia, eu registro pelas palavras, pelo verbo, pois o verbo criou o mundo e só o verbo reflete o meu universo. Sei que é difícil para outros foristas mais esquemáticos acreditarem nessa fronteira alternativa que pulsa lá fora. Para quem escreve por padrões, modelos, selos e avaliações numéricas, é um desafio crer que há quem viva a vida real e saiba retratá-la. “De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades” — escreveu Marx.

Se eu fosse como essa gente que descreve uma comunhão sexual como se preenchesse um relatório de contabilidade ou um memorando repetitivo de escritório, estaria sepultado pelo tédio sem direito à missa de sétimo dia.

"Nem mesmo as trevas serão escuras para ti; a noite brilhará como o dia, pois para ti as trevas são luz"
(Salmos 139:12)

O motor do Sucatão urrou e abriu caminho entre o silêncio mórbido da garagem. Emergimos na avenida envolta em penumbras da bucólica Tijuca. Costumo conversar com muitas mulheres que respondem ao contato no Tinder, algumas são de comunidades, são as mais sensatas quando pedem algo em troca de um encontro. Nem todas posso anunciar aqui, não aceitam divulgar telefone ou fotos. Tento registrar no site aquelas que me informam ficar em pontos fixos, os mesmos pontos onde marcam os encontros aleatórios. Mariana é uma dessas que me confessou montar praça no misterioso Largo do Pedregulho, em Benfica.

O Sucatão atravessou a solitária rua Ceará ao som de The Cure...

JUST LIKE HEAVEN

Não me perguntem o porquê, mas me invadiu uma euforia no momento em que os pneus do carro deslizavam pelo entorno das almas perdidas que transitam pela Quinta da Boa Vista. Ali, à noite, não vemos pessoas, somente sombras; não escutamos vozes, mas sussurros; nada é seguro, tudo é perigo. Minha alma se reconhece na decadência da nossa Gotham City tropical. Forcei minha bota no acelerador e mergulhei nas trevas como alguém quem encontra oxigênio na escuridão.

Os sobrados velhos, carcomidos; homens e mulheres em trapos vagando sem rumo; o céu brilhando em estrelas que refletiam um passado de anos-luz; o cheiro pútrido de reis e barões que não encontraram a eternidade nos arredores do palácio imperial... São Cristóvão é um cemitério clandestino.

Avancei sobre as ruínas da Rua São Luiz Gonzaga e segui em direção à esquecida Benfica. Mariana marcou nosso encontro em um bar em frente ao Largo do Pedregulho e me pediu para avisar, quando eu chegasse, para uma senhora que vende cachorro-quente no mesmo local. As fotos da menina me impressionaram, um corpo que me fez salivar desejo, que mexeu com os brios do meu flácido Pikachu.

"O inferno e o abismo nunca se fartam, e os olhos do homem nunca se satisfazem."
(Provérbios 27:20)

Sou um ateu. Para um ateu, a existência é uma espécie de vácuo sideral. Para nós não existem deuses, entidades, espíritos, preces ou orações. Tudo é concreto, nada é abstrato. Sou um homem emotivo e, ao mesmo tempo, frio. A inteligência me criou muito analítico. Confesso, porém, que há imagens que estremecem o meu equilíbrio racional.

Quando cheguei ao soturno Largo do Pedregulho, logo avistei o bar e junto a ele a vendedora de cachorro-quente. Estacionei de qualquer maneira e me aproximei da tal senhora.

— Boa noite. Não sei se conhece a Mariana, mas ela me pediu para avisar pela senhora quando eu chegasse porque o celular que usa fica sem sinal.

— Ah! A Mariana? Você não quer ir chamar ela, não? É só subir ali. É a terceira casa, é a casa do Lobato.

Quando olhei na direção para qual a vendedora apontava, era uma entradinha estreita, uma ladeira. E a expressão “casa do Lobato” não me animou muito.

— É aquela entrada ali? — preferi confirmar.

— Isso, moço. É uma entrada do Tuiuti.

Tuiuti... todos esses nomes de comunidade me soam fortes. Eu me atrevi a caminhar até a beira da fenda, mas não me senti seguro para me enveredar por ela. Arrisquei enviar um zap para a garota: “Estou aqui no Pedregulho”.

A mensagem entrou, a menina leu e enviou resposta: “Estou descendo”.

Não demorou. Vestidinho colado, pernas torneadas em academia, lábios carnudos, seios pequenos. Uma Deusa. E lá se foi o meu ateísmo.

DISAPPEAR

Sentamo-nos no bar, pedi uma cerveja, a menina bebe bem. Conversamos, confirmamos o valor para aprofundar o encontro. Sugeri o Hotel Xanadu. Trato feito. Partimos.

Dentro do quarto, a menina entra no banheiro e retorna nua. Um corpo de tantas curvas que ameaçou a minha labirintite. Meu coração batucou tão forte que quase sambei. Mariana é deliciosa.

Caí de boca nos seios durinhos, do tamanho de peras maduras. Babei muito nos biquinhos rosados. A moça gemia, alisava minha rala cabeleira. Desci para a vulva e invadi o volumoso clitóris com a língua, Mariana se contorceu forte e avisou que iria gozar. Gozou.

Então, veio o inesperado. A garota se posicionou para chupar o combalido Pikachu. Sinceramente, não sei que técnica a ela usou, mas acho que gozei em 15 segundos, e gozei muito. Fiquei frustrado, eu sabia que não conseguira mais render.

Mariana me perguntou se poderíamos dormir no hotel, que o valor combinado seria o mesmo, estava cansada. Assenti e respondi que seria justo não cobrar a mais, pois nada mais aconteceria devido às minhas limitações físicas. Dormimos.

Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou à luz dia, e às trevas chamou noite. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o primeiro dia.
(Gênesis 1:4-5)

Os primeiros raios da aurora invadiram o quarto. Acordei e preferi me vestir. Avisei a Mariana que ela poderia continuar dormindo, que deixaria o hotel pago e uma grana para o táxi. Ela concordou sem resistência.

Entrei no Sucatão, acionei o motor, a porta da garagem se abriu, emergi em direção à movimentada Rua São Cristóvão. Liguei o rádio. Qualquer ateu sabe que o amor é uma mentira. O Sol atingiu meu rosto, os olhos, as vísceras mais profundas. Tornei-me o outro. Estranhamente, naquela manhã, me senti feliz...

I WANNA GO

Dancinha

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BOA BOA
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CLUB 13 - Praça Olavo Bilac, 13 , Centro - Rio de Janeiro - RJ
LUNA
NEGATIVO
TEMPO: 60 MINUTOS VALOR: R$180.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
NãO SEI NãO NãO NãO SEI R$0.00 NãO

26 de Janeiro de 2025 às 09:01



Debaixo de um céu azul de estragar velório, com o corpo úmido de suor, eu caminhava desorientado pela fumegante Rua da Carioca, cujo asfalto transpirava memórias de tempos prósperos que foram soterrados pelo século 21. Evito sair da minha reclusão refrigerada durante o dia, mas a ida ao Centro da Cidade foi inevitável.

Meus aparelhos auditivos, sintonizados com o celular, tocavam a trilha sonora deste capítulo.

HOLLOW MAN

Resolvi o que tinha para resolver, senti o formigamento da libido e fui em busca de alguma camponesa devassa que pudesse colher o meu sagrado sêmen. Sob a sensação térmica de 50 graus centígrados, questionei-me se eu sobreviveria ao desafio.

Ando sumido daqui, já não me animo a escrever sobre o mais do mesmo, isso me entedia. Só me motivam à escrita os episódios com alguma surpresa, agradável ou desagradável. Estou velho, comi mais mulheres do que posso contar e, confesso com certa imodéstia, a maioria delas sem precisar pagar. Descobri que nunca foi o sexo que me atraiu, o que me move é a aventura que o desejo proporciona.

Dia desses esbarrei com um forista que me avisou que eu me tornei “figura pública” no Google, com perfil em destaque. Maluquice dos algoritmos. Ao conferir a informação, surpreendi-me ao constatar ser verdadeira. “Deve ser porque você escreve igual ao Machado de Assis”, blasfemou o tal forista. Absurdo Entre nós, Machado e eu, só existe um ponto em comum: nunca procriamos, não deixamos a ninguém o legado da nossa miséria.

Despertei das divagações e percebi que estava diante da entrada do número 59 da Rua da Carioca. Se o Inferno teve um projeto arquitetônico antes de existir, esqueceram ali a primeira maquete. Hoje, com certeza, o Inferno deve ser mais aprazível do que o 59. Hesitei antes de galgar os primeiros degraus, mas decidi me arremessar contra o vapor quente que baforava de dentro do estabelecimento.

Minhas botas chiaram quando começaram a pisar na sujeira do piso, mas a vida é para os ousados. Prossegui. Acredite, Forista sem Fé, quando alcei os primeiros degraus, fui atacado por um enxame de pterodáctilos. Na verdade, muriçocas gigantes que avançaram com ferocidade sanguinária contra o meu rosto. Assustei-me e recuei. Foi como se estivesse entrando em um mundo pré-histórico, onde os derivados dos dinossauros ainda existissem. Senti muitas picadas e imaginei que mais à frente talvez eu encontrasse um cadáver sem sangue, assassinado por aqueles mosquitos mutantes. Desencorajei-me a prosseguir. Percebi que, a cada passo, a temperatura do lugar aumentava. Preferi retornar às ruas incandescentes.

A música nos meus ouvidos tentava me consolar, me fazer esquecer que eu caminhava entre as chamas urbanas de um Sol impiedoso.

LET ME BE FREE

Lembrei de uma mundana me contando que a 13 estava com meninas bem liberais. Tudo o que eu precisava naquele momento. Tracei a rota. Eu estava com tanta sede que seria capaz de ver alguma miragem refrescante entre os espigões carcomidos do Largo da Carioca. Não avistei a miragem, mas me deparei com um carrinho de água de coco.

— Tá gelada, companheiro? — perguntei ao vendedor
.
— Tá no ponto, doutor.

— Me vê uma então. Geladinha, por favor.


O garoto fez um furo no coco e me entregou. Quando dei o primeiro gole, o gosto era de mijo de vaca aquecido.

— Porra, meu filho. Tá quente isso aqui. Pelo amor de Deus! — exclamei.

— Que isso, doutor? Isso é temperatura de coração de mãe — e o sujeito pôs-se a rir de um jeito meio histérico, devia estar sofrendo de delirium tremens debaixo daquele Sol.

Devolvi o coco cozido e segui o meu rumo.

Cheguei a 13. Subi com receio de novamente ser atacado por pterodáctilos carniceiros. Não aconteceu. A casa estava cheia, o ar-condicionado não acompanhava o termômetro em alta. Pedi uma cerveja rezando para não me venderem outra dose de mijo de vaca aquecido. A bebida estava aceitável.

Surgiu uma morena saradíssima na pista. Corpaço. Empolguei-me. Usava um biquini que só Sherlock Holmes seria capaz de detectar nela. Microscópico. A menina me viu, acenou para mim, acenei de volta e a garota avançou afobada para me agarrar. Luna o seu nome.

— Paga uma Ice pra mim? — o sentido da vida das mulheres da vida é tirar algo dos homens incautos.

Paguei a Ice, fiz a entrevista básica e pedi uma alcova.

No quarto, tirei a roupa, as botas, as meias e esperei a moça, que saiu para pegar a nécessaire. Apreciei meu momento nudes. A garota retorna, me olha e solta a pérola...

— Nossa! Seu pé é feio. Parece o pé do Frodo.

Que tática seria essa? Me fazer brochar? Me fazer desistir? Responder que o pé dela parecia pata de avestruz? Não sei. Fiquei calado, mas qualquer vestígio de tesão se esvaiu. Pedi por um boquete para tentar salvar a situação.

— Ai, Mô. Não vou te chupar, não. Seu pinto tá inchado.

Que porra é essa?! — pensei.

— Filha, ele não está inchado, está ereto, duro. E olha que depois do Frodo isso é um milagre.

— Desculpa, mas não dá, não, Mô.


Afeiçoado Forista, depois de tudo que vivi nessa tarde desgraçada você ainda espera que eu continue? Vou plagiar a vigarista da 13: Não dá, não, Mô.

CAN'T GET OVER

FIM. Chorando

ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RAZOáVEL RAZOáVEL
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[TERMAS] LA CONFRARIA CLUB - Rua da Quitanda, 74 , Centro - Rio de Janeiro - RJ
MILA
POSITIVO
TEMPO: 60 MINUTOS VALOR: R$270.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
SIM - GOSTEI SIM - SEM CAMISINHA SIM NãO SEI R$0.00 TALVEZ

27 de Dezembro de 2024 às 01:12



Sob as luzes brancas, os paralelepípedos da Rua do Rosário tremulavam em sombras sem corpos que conversavam em silêncio com a chuva fina que criava espelhos d’água refletindo o nada. Eu pisava com minhas botas sempre destinadas à luxúria. Meus aparelhos auditivos sincronizados com o celular faziam a trilha sonora que me guiava pelo deserto noturno do Centro do Rio. Come as you are...

NIRVANA

— Puta que pariu, cara. Tô com o cu na mão. Isso aqui parece trem fantasma — grita Teixeirinha, quebrando o clima e emitindo uma de suas imagens escatológicas.

Teixeirinha, um amigo de quatro décadas, sempre tentamos nos encontrar no fim de ano para encher a cara e celebrar a nossa longa amizade. Uma das últimas aventuras com Teixeirinha foi quando dei a ele uma carona e, voltando pela Avenida Brasil para a Tijuca, errei a saída da pista e subimos a ponte Rio-Niterói.

— Agora, relaxa e goza. Não tem mais volta.

Fomos parar em um bordel de Charitas, que apresentava um show com uma messalina chamada Bebel Sucuri. Teixeirinha ficou fascinado pela garota, arriscou um programa, foi experimentar o oferecido sexo anal e a tal Sucuri usou tanta lidocaína que meu estimado amigo contou ter ficado três semanas com o pau dormente, sem qualquer sinal de ereção.

Outro episódio antológico com esse meu velho companheiro me arremessa ao remoto dia em que retornávamos do Shopping Rio Sul, onde ele conseguiu comprar o estourado LP Thriller do icônico Michael Jackson. Ao atravessarmos o Túnel do Pasmado a pé, Teixeirinha pisou numa lajota que se quebrou e ele começou a afundar num poço de lama que havia sob o piso. Gritava histericamente erguendo o disco para o alto, tentando preservar o LP de afundar junto com ele...

— Dante, salva o Michael. SALVA O MICHAEL — esganiçava agitando o disco acima da cabeça.

Enfim, um amigão com quem compartilhei muitas histórias. Nessa noite, escolhi levá-lo à boate La Confraria, na Rua da Quitanda. Uma quinta-feira, teoricamente o melhor dia da casa.

A boate estava bem frequentada, havia mulheres. A La Confraria tem sido realmente uma opção válida às quintas-feiras. Logo avistei uma loira chamada Mila que a gerente me apresentou em uma visita anterior. Teixeirinha não durou 15 minutos na pista e despareceu acompanhado de uma mulata que se anunciou como passista de escola de samba. Pedi uma alcova e subi com Mila.

Os quartos da La Confraria são grandes, assemelham-se a boas suítes de motéis. Um ponto positivo valioso para a casa. Mila, uma loira de longos cabelos loiros cacheados, olhos verdes, quase me lembrou a atriz hollywoodiana Blake Lively. Tirando a roupa, exibiu o corpo curvilíneo, com belíssimos seios e bunda empinada.

Não poderei me alongar muito na descrição, pois a menina me engoliu em um boquete com uma técnica que jamais experimentei. Indescritível. O que sei e lembro é que em poucos segundos senti a seiva subindo e meu combalido pênis entrou em uma erupção fortíssima despejando toda a minha árvore genealógica na traqueia de Mila.

Gozei em um tempo muito inferior ao período de uma hora que contratei. Só restou a conversa fiada, banho e despedida. Desci novamente para a boate e nada de Teixeirinha ou da mulata passista. Saciado, preferi ir embora. Enviei um zap me despedindo do meu amigo, paguei a conta e voltei às noturnas ruas inóspitas do Centro.

Sincronizei os meus aparelhos auditivos com o celular e o som transbordou para os meus tímpanos ensurdecidos. Segui destemido, pisando nas sombras e esbarrando em fantasmas. Há quem nasceu protagonista e outros que nunca conseguem superar o papel de amargos coadjuvantes. Sou um homem dos anos 80 que ainda caminha desafiando o século 21. Meu nome? Dante, me chamo Dante.

BRONSKI BEAT

Girl9 Yes

ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
BOA BOA
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FLÁVIA LEMOS - Centro - Rio de Janeiro - RJ - (21) 99709-2396
FLÁVIA
POSITIVO
TEMPO: 60 MINUTOS VALOR: R$180.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
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14 de Dezembro de 2024 às 12:12


FLÁVIA - https://gparena.net/social-feed-user.php?id=31196





O COLÓQUIO

LINKIN PARK

Fone nos ouvidos, Linkin Park me embalando e as ruas sombrias pela frente. Um andarilho, é o que eu sou e sempre fui. Capaz de caminhar quilômetros, como um camelo em busca de um oásis. Esta semana, em uma andança noturna pela Lapa, encontrei um oásis.

Seu nome é Flávia. Estava sentada em um bar na esquina da rua Gomes Freire com Mem de Sá. Nossos olhos se cruzaram, se fixaram em uma mensagem recíproca de curiosidade mútua. Não sou só um andarilho, sou um velho exótico, gosto de roupas escuras, de usar botas. Um gótico naufragado no meio desta caótica Gothan City tropical.

O olhar da Flávia me acompanhou e fiquei intrigado. Retornei ao local onde ela estava e novamente nos encaramos. Ela sorriu. Impossível me fazer de desentendido. Calculei a rota e me aproximei. Ela estava sentada com uma amiga que se levantou e saiu de fininho quando cheguei perto. Sem saber o que dizer, criei o script no improviso...

— Oi. Posso me sentar com você e pagar uma bebida? — lancei os dados da sorte.

— Claro. Pode sim — a resposta veio ilustrada por um sorriso cativante.

Sentei-me perto da menina e pedi dois martinis.

Libertinos e libertinas se atraem como mercúrio. Flávia me disse que estava ali trabalhando. O valor da conjunção carnal seria 180 reais por uma hora em algum hotel próximo. Informou isso de uma forma espontânea, simpática, com leveza. A garota é sedutora.

Estava com um vestido azul, corpo de falsa magra, um decote que me fez supor um par de seios pequenos e firmes, dava para imaginar a bunda arrebitada pela ondulação que o vestido desenhava no fim das costas. Tão espontânea que me foi inevitável considerá-la bonita. Flávia une aos traços do rosto à beleza da personalidade.

Fiz a entrevista erótica com resultado positivo, sugeri que fôssemos para o Hotel Alameda, meu velho matadouro na Glória. Acertamos tudo e partimos.


O COITO

No quarto, Flávia deixa cair o vestido e revela todas as curvas que antes se escondiam sob o mistérios dos panos. Cinturinha fina, barriguinha chapada, pernas grossas e a bunda se formava no encontro de duas esferas tão perfeitas que poderíamos desenhar ali o mapa mundi do desejo.

Lancei-me por cima do corpo dela e começamos a nos beijar. Beijo de línguas emboladas, enroscadas, salivantes, que queriam se engolir, se devorar. Autofagia da paixão. Ficamos nos beijando por muito tempo, beijo gostoso, viciante.

Desci para lamber seus peitos sensíveis, mordiscar os biquinhos pontiagudos. Flávia fechava os olhos e gemia. Deslizei mais para baixo e alcancei a vagina úmida e quente, enfiei a língua no clitóris, a moça sussurrou um “que delícia”. O meu combalido Pikachu a esta altura se transformou na pica das galáxias. Lambi o clitóris até que Flávia gozasse. E ela gozou, gozou gemendo, quase desfaleceu.

Inverte a posição. Vem por cima. Monta no meu tronco com a suavidade das magrinhas gostosas, encaixa meu vetusto pênis na boceta. Cavalga. Cavalga. Rebola. Cavalga. Rebola. Incansável. Desmonta e me engole em um boquete guloso. Chupa, masturba, chupa. Eu resisto enquanto dedilho o cuzinho da menina.

Flávia fica de quatro, diz que me quer dentro. Eu me posiciono, aponto o antiquíssimo Pikachu na direção da gruta sagrada. Penetro. A garota geme, rebola enquanto sente o meu pau entrar até o talo. Começo as estocadas devagar, aumento a pressão, soco forte. Flávia empina-se para me receber cada vez mais fundo. Geme, grita, suplica por leite. Nocaute. Lancei meus espermas no sufocante saco de látex. Morreram todos sonhando com o óvulo sagrado. Luto.

Gostei da menina. Competente, boa de conversa, realmente liberal e faz questão de atender bem. Ao fim, nos despedimos e voltei a me lançar sob o manto da noite nublada.

Um vento frio soprava o enigma das ruas. Caminhei saciado como um vampiro que já havia se alimentado nos becos escuros da Gotham City dos trópicos, mas a fome é insaciável e irá voltar. I will be back...

Girl9

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BOATE 119 - Rua da Alfândega, 119 , Centro - Rio de Janeiro - RJ
CAROL
POSITIVO
TEMPO: 60 MINUTOS VALOR: R$180.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
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11 de Dezembro de 2024 às 00:12



Sequência na 119, mas o que é e como é a 119 em uma descrição crua?

Um sobrado quase na esquina da Rua da Alfândega com Uruguaiana, do outro lado da rua fica uma espécie de padaria mesclada com lanchonete. O movimento de pedestres e automóveis é intenso naquele trecho entre o fim da tarde e o início da noite. Tudo ali margeia o Camelódromo, o que talvez explique a lotação quase diária do referido bordel.

Sobe-se um longo lance de degraus e chegamos à penumbra da pista. É pequena a boate, tem um formato em “L” devido ao bar em uma posição que se prolonga a partir da direita de quem entra. Dois banheiros no canto à esquerda da entrada. Uma pequena fileira de sofás, algumas mesas circulares de madeira e cadeiras. O ambiente é escuro. Para pagamento em cartão, há acréscimo de 10%.

Nas últimas visitas que fiz, havia um oceano de mulheres, mulheres muito jovens, muitas delas bonitas e com corpos que nos despertam a salivação. Para mim, que sou rato velho de bordéis, é surpreendente ver tantas garotas novas e bonitas trabalhando em um trash onde a alcova mais cara sai por 180 reais. As outras casas no entorno, inclusive a 502, passam longe de exibir o mesmo cenário.

Sobe-se outro lance de degraus e alcançamos o andar das alcovas, que também é o andar onde as meninas se preparam e se vestem para a labuta. Quando subimos para o programa, é muito comum vermos uma penca de meninas desfilando nuas, de frente para um espelho, se maquiando. Um espetáculo inesperado e excitante. Como nesse andar a iluminação é branca e forte, é possível apreciar os melhores corpos em exibição e programar as próximas escolhas.

Os quartos não são quartos, são cabines geralmente dotadas de cama de casal. A divisória não vai até o teto e às vezes ouvimos muito barulho externo. Nada que impeça o bom sexo se a escolhida for dedicada. Existe um terceiro andar onde ficam as piores cabines, não aceitem ir para lá.

O banheiro do segundo andar é uma pocilga. Se precisar de higiene básica ou anuviar necessidades humanas, façam no banheiro da boate.

Na última quinta-feira, avistei uma morena lindíssima, que eu já havia contemplado nua no andar das cabines. Um corpão irretocável. Bunda empinada e firme, coxas grossas, barriguinha zero, lábios carnudos, olhos cheios de fogo, cabelos lisos e negros escorrendo pelas costas. Uma índia belíssima. Carol o seu nome.

Entrevista básica e pedi uma alcova. Lembrem-se, em lugares como a 119 a entrevista é imprescindível, pois existem aquelas moças que nem sequer beijam na boca e é possível encontrar as que chupam de camisinha. Portanto, entrevistem, questionem e subam com as liberais.

Com Carol, a experiência foi boa. Esfregadas ousadas no território da vagina, beijos de língua e finalizei provado pelo boquete alternado com punheta enquanto eu dedilhava o cuzinho da rapariga. Bom sem ser ótimo, mas valeu pela beleza e pelo corpo da menina.

Conclusão, a 119 é para homem que mija em pé.

Volto. Girl9

ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RUIM RAZOáVEL
membro, Yami Mysterio, Dionizio_RJ, 90loiro90, Gigante, Pirubaby, Pajé, Brand, pauloeduardo, Diazepan, Lyon, Lobo Solitário, Amigo, curtiram esse TD.
BOATE 119 - Rua da Alfândega, 119 , Centro - Rio de Janeiro - RJ
PéROLA
POSITIVO
TEMPO: 60 MINUTOS VALOR: R$180.00
BEIJO ORAL ORAL COMPLETO ANAL TAXA ANAL REPETECO
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02 de Dezembro de 2024 às 22:12



Que me perdoem os obtusos e aqueles que preferem a aridez da objetividade, mas começarei este relato por reflexões aleatórias. Por sinal, o perdão é uma das virtudes que mais admiro no cristianismo. Apesar de me classificar como um ateu degenerado, consigo me sentir seduzido pelos valores morais superiores. Infelizmente, há aqueles que não podemos perdoar por não aceirarem evoluir, mas no geral todos nós somos perdoáveis quando abandonarmos o rancor.

Aconteceu em um dia da semana passada, um dia quente, fumegante. Eu havia saído de uma sessão do atual filme da moda, o “Ainda Estou Aqui”, cujo livro li anos atrás. Gostei do filme, sem considerá-lo excepcional. Ao assisti-lo, me vi arremessado a estranhas lembranças.

Nascido no interior do Rio Grande do Sul, cheguei ao Rio de Janeiro ainda criança, no início da década de 70, no auge da ditatura militar, sob o signo do AI-5. Na rua da Tijuca onde residi, moravam muitos militares, muitos generais, a maioria em casas imensas, quase mansões. A Tijuca foi um habitat do generalato. Minha escola tinha vista para duas referências tijucanas, a antiga fábrica da Brahma e o Primeiro Batalhão do Exército, aquele em que na época funcionava o temido Doi-Codi.

Eu me sentava ao lado da janela da sala de aula e podia ver os caixotes de cerveja descendo e subindo pelas esteiras da fábrica, mas não fazia ideia do que acontecia no Doi-Codi. Talvez, por influência de algum colega da rua, filho ou neto de militar, conseguíamos jogar bola em uma quadra de futebol de salão que havia dentro do Primeiro Batalhão. Imagine, afeiçoado forista, década de 70, jogando bola no Doi-Codi, sem conseguir nem sequer compreender o que era tortura e assassinato. Eu ria e me divertia no pátio do mal.

Cresci na bolha da ditadura, uma bolha que não me permitia saber das revoltas, dos revolucionários, das revoluções, dos exilados, dos subversivos. Um tempo em que revista pornográfica ficava oculta sob um saco preto nas bancas de jornais. Tempo de censura, jamais de liberdade.

Acredite, Forista sem Fé. Minha mente se ocupava de todas essas reflexões enquanto eu caminhava na noite desértica do Centro da Cidade em busca de algum bordel que saciasse a sede infatigável da libido.

Passei pela Termas 65, reinaugurada pela terceira vez, tudo me pareceu um vácuo na Rua do Rosário. Puxaram-me para a recepção e me apresentaram a cafeteira, preferi não ver mais nada e desviei o rumo para a Rua da Quitanda. Na 74, fui avisado pelo camarada da portaria que só tinham quatro mulheres presentes na casa. Corri.

Sou um andarilho, saí dali e caminhei até a 119, a famosa “Só Love”, na Rua da Alfândega. A casa estava surpreendentemente lotada, muitas mulheres e clientes. Isso me fez calcular que os altos preços das grandes termas estão direcionando clientes para os trashes.

É possível que a bolha repressiva que vivi na infância e na adolescência tenha me tornado este libertino afeito às aventuras, aos experimentos, principalmente os sexuais. Não tenho certeza, mas quem terá?

Não é exagero, vi algumas novinhas maravilhosas na pista da 119. Não sei como o gerente lá consegue colocar tantas novinhas bonitas naquele antro, mas consegue. No entanto, acabei esbarrando com a Pérola e devia a ela um novo encontro. Estava linda, em um biquine microscópico que realçava o corpo de falsa magra, cabelos em longos fios negros que desciam pelas costas, olhar de cigana e sempre muito disposta a agradar.

Pedi uma alcova. Girl7

Atualmente, é raro eu me espantar com uma boa foda, mas Pérola caprichou nesse dia. Depois de muitos beijos, de um longo boquete, vivi uma das melhores experiências de penetração da minha vida. Ejaculei a árvore da vida inteira. Foi muito bom.

Saí menos ansioso da 119, com o saco vazio e com a mente menos frenética. Foi aquele sexo com garota de programa que você paga e não se sente nem um pouco arrependido do dinheiro que gastou. Pelo contrário, planeja retornar. E volto.

Entrei no metrô sem pensar em mais nada, somente sentido as ondas elétricas que ainda circulavam pelo meu corpo. Veio o túnel e tudo se apagou.

ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RUIM RAZOáVEL
membro, Diabo Honesto, Yami Mysterio, Saulo Top, Dionizio_RJ, Demiurgo, Jucabar, Barbosa82, FGFR, Brand, Holmes, Josh, Diazepan, Brutus, Levado, Morcegão, Incubo, Spirit, digiwolf, Amigo, Orfeu de Carapinha, ViciadoEmPeitudas, curtiram esse TD.
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