27 de Dezembro de 2024 às 01:31
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

Sob as luzes brancas, os paralelepípedos da Rua do Rosário tremulavam em sombras sem corpos que conversavam em silêncio com a chuva fina que criava espelhos d’água refletindo o nada. Eu pisava com minhas botas sempre destinadas à luxúria. Meus aparelhos auditivos sincronizados com o celular faziam a trilha sonora que me guiava pelo deserto noturno do Centro do Rio. Come as you are...

NIRVANA

— Puta que pariu, cara. Tô com o cu na mão. Isso aqui parece trem fantasma — grita Teixeirinha, quebrando o clima e emitindo uma de suas imagens escatológicas.

Teixeirinha, um amigo de quatro décadas, sempre tentamos nos encontrar no fim de ano para encher a cara e celebrar a nossa longa amizade. Uma das últimas aventuras com Teixeirinha foi quando dei a ele uma carona e, voltando pela Avenida Brasil para a Tijuca, errei a saída da pista e subimos a ponte Rio-Niterói.

— Agora, relaxa e goza. Não tem mais volta.

Fomos parar em um bordel de Charitas, que apresentava um show com uma messalina chamada Bebel Sucuri. Teixeirinha ficou fascinado pela garota, arriscou um programa, foi experimentar o oferecido sexo anal e a tal Sucuri usou tanta lidocaína que meu estimado amigo contou ter ficado três semanas com o pau dormente, sem qualquer sinal de ereção.

Outro episódio antológico com esse meu velho companheiro me arremessa ao remoto dia em que retornávamos do Shopping Rio Sul, onde ele conseguiu comprar o estourado LP Thriller do icônico Michael Jackson. Ao atravessarmos o Túnel do Pasmado a pé, Teixeirinha pisou numa lajota que se quebrou e ele começou a afundar num poço de lama que havia sob o piso. Gritava histericamente erguendo o disco para o alto, tentando preservar o LP de afundar junto com ele...

— Dante, salva o Michael. SALVA O MICHAEL — esganiçava agitando o disco acima da cabeça.

Enfim, um amigão com quem compartilhei muitas histórias. Nessa noite, escolhi levá-lo à boate La Confraria, na Rua da Quitanda. Uma quinta-feira, teoricamente o melhor dia da casa.

A boate estava bem frequentada, havia mulheres. A La Confraria tem sido realmente uma opção válida às quintas-feiras. Logo avistei uma loira chamada Mila que a gerente me apresentou em uma visita anterior. Teixeirinha não durou 15 minutos na pista e despareceu acompanhado de uma mulata que se anunciou como passista de escola de samba. Pedi uma alcova e subi com Mila.

Os quartos da La Confraria são grandes, assemelham-se a boas suítes de motéis. Um ponto positivo valioso para a casa. Mila, uma loira de longos cabelos loiros cacheados, olhos verdes, quase me lembrou a atriz hollywoodiana Blake Lively. Tirando a roupa, exibiu o corpo curvilíneo, com belíssimos seios e bunda empinada.

Não poderei me alongar muito na descrição, pois a menina me engoliu em um boquete com uma técnica que jamais experimentei. Indescritível. O que sei e lembro é que em poucos segundos senti a seiva subindo e meu combalido pênis entrou em uma erupção fortíssima despejando toda a minha árvore genealógica na traqueia de Mila.

Gozei em um tempo muito inferior ao período de uma hora que contratei. Só restou a conversa fiada, banho e despedida. Desci novamente para a boate e nada de Teixeirinha ou da mulata passista. Saciado, preferi ir embora. Enviei um zap me despedindo do meu amigo, paguei a conta e voltei às noturnas ruas inóspitas do Centro.

Sincronizei os meus aparelhos auditivos com o celular e o som transbordou para os meus tímpanos ensurdecidos. Segui destemido, pisando nas sombras e esbarrando em fantasmas. Há quem nasceu protagonista e outros que nunca conseguem superar o papel de amargos coadjuvantes. Sou um homem dos anos 80 que ainda caminha desafiando o século 21. Meu nome? Dante, me chamo Dante.

BRONSKI BEAT

Girl9 Yes