26 de Janeiro de 2025 às 09:40
BEIJO

NãO SEI

ORAL

NãO

ORAL COMPLETO

NãO

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO

Debaixo de um céu azul de estragar velório, com o corpo úmido de suor, eu caminhava desorientado pela fumegante Rua da Carioca, cujo asfalto transpirava memórias de tempos prósperos que foram soterrados pelo século 21. Evito sair da minha reclusão refrigerada durante o dia, mas a ida ao Centro da Cidade foi inevitável.

Meus aparelhos auditivos, sintonizados com o celular, tocavam a trilha sonora deste capítulo.

HOLLOW MAN

Resolvi o que tinha para resolver, senti o formigamento da libido e fui em busca de alguma camponesa devassa que pudesse colher o meu sagrado sêmen. Sob a sensação térmica de 50 graus centígrados, questionei-me se eu sobreviveria ao desafio.

Ando sumido daqui, já não me animo a escrever sobre o mais do mesmo, isso me entedia. Só me motivam à escrita os episódios com alguma surpresa, agradável ou desagradável. Estou velho, comi mais mulheres do que posso contar e, confesso com certa imodéstia, a maioria delas sem precisar pagar. Descobri que nunca foi o sexo que me atraiu, o que me move é a aventura que o desejo proporciona.

Dia desses esbarrei com um forista que me avisou que eu me tornei “figura pública” no Google, com perfil em destaque. Maluquice dos algoritmos. Ao conferir a informação, surpreendi-me ao constatar ser verdadeira. “Deve ser porque você escreve igual ao Machado de Assis”, blasfemou o tal forista. Absurdo Entre nós, Machado e eu, só existe um ponto em comum: nunca procriamos, não deixamos a ninguém o legado da nossa miséria.

Despertei das divagações e percebi que estava diante da entrada do número 59 da Rua da Carioca. Se o Inferno teve um projeto arquitetônico antes de existir, esqueceram ali a primeira maquete. Hoje, com certeza, o Inferno deve ser mais aprazível do que o 59. Hesitei antes de galgar os primeiros degraus, mas decidi me arremessar contra o vapor quente que baforava de dentro do estabelecimento.

Minhas botas chiaram quando começaram a pisar na sujeira do piso, mas a vida é para os ousados. Prossegui. Acredite, Forista sem Fé, quando alcei os primeiros degraus, fui atacado por um enxame de pterodáctilos. Na verdade, muriçocas gigantes que avançaram com ferocidade sanguinária contra o meu rosto. Assustei-me e recuei. Foi como se estivesse entrando em um mundo pré-histórico, onde os derivados dos dinossauros ainda existissem. Senti muitas picadas e imaginei que mais à frente talvez eu encontrasse um cadáver sem sangue, assassinado por aqueles mosquitos mutantes. Desencorajei-me a prosseguir. Percebi que, a cada passo, a temperatura do lugar aumentava. Preferi retornar às ruas incandescentes.

A música nos meus ouvidos tentava me consolar, me fazer esquecer que eu caminhava entre as chamas urbanas de um Sol impiedoso.

LET ME BE FREE

Lembrei de uma mundana me contando que a 13 estava com meninas bem liberais. Tudo o que eu precisava naquele momento. Tracei a rota. Eu estava com tanta sede que seria capaz de ver alguma miragem refrescante entre os espigões carcomidos do Largo da Carioca. Não avistei a miragem, mas me deparei com um carrinho de água de coco.

— Tá gelada, companheiro? — perguntei ao vendedor
.
— Tá no ponto, doutor.

— Me vê uma então. Geladinha, por favor.


O garoto fez um furo no coco e me entregou. Quando dei o primeiro gole, o gosto era de mijo de vaca aquecido.

— Porra, meu filho. Tá quente isso aqui. Pelo amor de Deus! — exclamei.

— Que isso, doutor? Isso é temperatura de coração de mãe — e o sujeito pôs-se a rir de um jeito meio histérico, devia estar sofrendo de delirium tremens debaixo daquele Sol.

Devolvi o coco cozido e segui o meu rumo.

Cheguei a 13. Subi com receio de novamente ser atacado por pterodáctilos carniceiros. Não aconteceu. A casa estava cheia, o ar-condicionado não acompanhava o termômetro em alta. Pedi uma cerveja rezando para não me venderem outra dose de mijo de vaca aquecido. A bebida estava aceitável.

Surgiu uma morena saradíssima na pista. Corpaço. Empolguei-me. Usava um biquini que só Sherlock Holmes seria capaz de detectar nela. Microscópico. A menina me viu, acenou para mim, acenei de volta e a garota avançou afobada para me agarrar. Luna o seu nome.

— Paga uma Ice pra mim? — o sentido da vida das mulheres da vida é tirar algo dos homens incautos.

Paguei a Ice, fiz a entrevista básica e pedi uma alcova.

No quarto, tirei a roupa, as botas, as meias e esperei a moça, que saiu para pegar a nécessaire. Apreciei meu momento nudes. A garota retorna, me olha e solta a pérola...

— Nossa! Seu pé é feio. Parece o pé do Frodo.

Que tática seria essa? Me fazer brochar? Me fazer desistir? Responder que o pé dela parecia pata de avestruz? Não sei. Fiquei calado, mas qualquer vestígio de tesão se esvaiu. Pedi por um boquete para tentar salvar a situação.

— Ai, Mô. Não vou te chupar, não. Seu pinto tá inchado.

Que porra é essa?! — pensei.

— Filha, ele não está inchado, está ereto, duro. E olha que depois do Frodo isso é um milagre.

— Desculpa, mas não dá, não, Mô.


Afeiçoado Forista, depois de tudo que vivi nessa tarde desgraçada você ainda espera que eu continue? Vou plagiar a vigarista da 13: Não dá, não, Mô.

CAN'T GET OVER

FIM. Chorando