05 de Maio de 2025 às 09:50
ISABELY
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BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

NãO SEI

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

 ]
Ocasionalmente, passo a homenagear aqui as mensagens generosas de Foristas que me escrevem.


O COMEÇO


ISABELY


Honestamente? Nem eu sei mais se sou um sujeito que escreve no fórum ou uma vítima de TOC com acesso à internet. Às vezes, desconfio que fui possuído por um espírito perturbado de um datilógrafo com insônia. Porque veja bem: eu escrevi tanto para o Arena que, se um dia minha casa pegar fogo, os bombeiros vão encontrar mais relatos do que mobília.

E esses não são todos. Há outros, muitos outros, perdidos em fóruns suspeitos e anônimos, como pecados adolescentes arquivados num drive secreto. Já me disseram que Freud me usaria como estudo de caso. Milhares de palavras — talvez milhões! Um volume textual tão indecente que, se impresso, causaria hérnia em qualquer bibliotecário.

E não são resenhas pudicas, não. São diários sexuais, confissões maníaco-eróticas que fariam qualquer monge hesitar antes de assinar os votos de castidade. Enquanto a maioria dos Foristas se contenta em despejar quatro parágrafos tímidos como se fossem bilhetes para a mãe, eu estou em pleno trabalho de parto literário — e sem anestesia. Suando feito um búfalo apaixonado por uma vaca impossível. Porque cada palavra é carne. Cada frase, um suspiro entre o gozo e a obsessão.

Falando nisso, estou entre idas e vindas à montanhosa Teresópolis. Dou aulas de redação para adolescentes — o que é, basicamente, um castigo grego com cheiro de Axe e som de TikTok. Nenhum deles sabe o que é uma crônica. Confundem "metáfora" com um suplemento vitamínico. Ainda assim, ali estou eu, tentando fabricar pequenos escritores, como quem monta uma fábrica de bombas-relógio emocionais. Quando o mundo descobrir o que estou fazendo, provavelmente acionará a ONU.


O RELATO


Foi numa dessas minhas breves viagens, que tropecei em Isabely. Ah, Isabely! Que mulher! Que sublimação! Repito seu nome como se fosse um salmo proibido, como o marinheiro enlouquecido que grita “terra à vista” ao vislumbrar, não o Novo Mundo, mas o pecado em forma de horizonte. Isabely não é mulher — é epifania. E desde então, confesso: sou um náufrago dela.

Madura, sim. Mas do tipo que não amadurece: carameliza. Cada curva dela parece desenhada por um escultor barroco depois de três taças de absinto. Não é só sexo que ela oferece. É um sequestro metafísico. Você entra no quarto como um homem e sai como um adolescente flagrado pela mãe no banheiro, envergonhado, trêmulo, vítima da própria libido irrefreável.

O local? Central. Acessível. Quase sagrado. É um lugar tão discreto que, com um pouco de sorte e abstinência, um padre poderia confundir com uma ala de retiro espiritual. Mas ali, naquela penumbra de mosteiro fake, ocorrem transgressões que fariam o Marquês de Sade pedir um copo d’água com açúcar.

Isabely é bela. Mas não essa beleza de Instagram, feita à base de filtros e cirurgias pagas a prestação. É uma beleza predestinada, do tipo que você olha e pensa: “Ok, gamei. Posso ir embora.” E ela se entrega. Meu Deus, como ela se entrega. Com a devoção de alguém que ainda acredita que o orgasmo salva vidas. Talvez salve mesmo. Talvez tenha salvado a minha.

Trocamos toques como se o toque fosse um idioma que só nós dois falávamos. A fricção dos nossos corpos produziu mais luz que muitos relacionamentos consumados no amor. E os beijos? Meu amigo… se a novela das oito tivesse esses beijos, o horário seria reclassificado para maiores de 40 com prescrição médica.

O clímax foi épico. Isabely montada em mim como uma amazona pós-moderna tentando domar um cavalo velho, cansado e com um histórico de bursite. Gozei. Ou achei que gozei. Ou entrei num tipo de coma espiritual que imita o gozo. Não sei. Só lembro de pensar: "Se ela continuar, eu morro. Mas que bela forma de ir."

Saí dali meio tonto, meio renascido. Ninguém vai embora impunemente de um quarto onde se fez sexo. Toda saída é uma confissão de culpa. Lá fora, o famoso ruço de Teresópolis cobria tudo como se Deus tivesse acendido um defumador. Subi a gola do sobretudo e andei. Como Bogart em Casablanca, só que com início de catarata e sem a Ingrid Bergman.

Não buscava redenção. Já tinha consumado tudo que a minha condição cardíaca permitia. Caminhei anestesiado, como se tivesse sobrevivido a uma cirurgia espiritual sem bisturi. A única coisa que me restava era este relato. Uma confissão. Ou um alerta.