27 de Maio de 2021 às 22:59
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

SIM

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ




Entediado, peguei o fusca e saí sobrevoando baixo o negrume do asfalto das ruas noturnas. Um problema que vem crescendo em mim, o tédio. Quase nada me parece novidade, poucas situações me despertam a adrenalina que nasce do mistério. Certa vez, um velhinho que papeou comigo numa termas me disse que o sexo perde parte do seu magnetismo quando perde o mistério. Caetano era o nome do senhor, não deve estar mais no plano físico, mas nunca me esqueci da sentença. Talvez, em busca desse mistério, eu me aventure pelos pontos de rua, onde ainda reina a adrenalina e o inesperado. Há quem sinta temor de maiores aventuras, há quem prefira o sexo delivery ou escolha a comodidade de frequentar lanchonetes de sexo. Aprecio a penumbra urbana, é onde o coração dá saltos, é onde o sangue bomba mais forte. Sobre as calçadas pouco iluminadas, a vida pulsa. O cd player do fusquinha fazia vazar a voz de Pitty das caixas de som.

PULSOS

Foi uma semana de estresses, de decisões, de conflitos. Eu precisava liberar a minha mente das tensões inúteis. Os cenários iluminados pelas pálidas lâmpadas de vapor de mercúrio faziam a cidade parecer um imenso velório. Eu e Herbie cortávamos o vento, cortávamos o tempo, rasgávamos o espaço. Eu cantava esganiçado...

“Tenta achar que não é assim tão mau
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência...”


Existem muitos pontos de rua pelo Rio, poucos valem o esforço, menos ainda são os que guardam boas surpresas. A rua é um risco porque a rua é a vida. Segui retas, subi ladeiras, dobrei esquinas e decidi passar pela rua do Rezende. A peculiaridade deste local é que reina ali uma democracia de gêneros, putas atuando próximas a travestis, mulheres e anseios femininos dividindo uma frágil fronteira. Estaciono o carro na Gomes Freire e caminho em direção ao boteco na esquina da Men de Sá com o porto das meretrizes. Deserta, a Gomes Freire deserta e transpirando fantasmas da Lapa antiga. Não digo que não sinto receio nesses momentos, sinto. Perigos e marginais rondam desertos e escuridões, mas sigo em frente. Piso firme com minhas botas, faço cara de mau e sigo.

O boteco, com meia porta arriada, servia como um farol para almas velhas e penadas como eu. Pedi uma dose de Salinas, a cachaça rompeu minha traqueia como um grupo de Bandeirantes abrindo uma picada no mato. Na segunda dose, minhas pupilas se dilataram, o mundo me pareceu um facho forte de luz. Na terceira dose, é quando ela surge, quando qualquer problema é incinerado pelo líquido rascante que desliza pela garganta, a Felicidade adentra o bar como uma cafetina que se anuncia dona de tudo.

Decido dar uma volta no quarteirão, iniciando novamente pela Gomes Freire e entrando pelo outro lada da rua do Rezende. Atravesso grupos de travestis, esbarro com travestis solitários, sou chamado de gostoso, alcanço a rua do Rezende, avisto o Hotel Estadual e vejo a colônia de mulheres mundanas que buscam o dinheiro da solidão como um projeto de ilha paradisíaca. Ficam em torno do Hotel Andorinha, o pouso preferido de suas revoadas.

Acredite, forista sem fé. Meu coração acelerou, como se revivesse uma paixão de adolescente, quando vi a melhor de todas. Betânia cumpria expediente. Acelerei o passo para evitar perdê-la de vista. Ela sorriu ao me ver, aquilo quase me emocionou. Trocamos um selinho e entramos de mãos dadas no hotel.

O que houve dentro do quarto, estimado forista? Foi amor, amor. E como não quero que você conheça os segredos tão preciosos de uma conjunção tão rara, encerro por aqui com a ponta de um conselho: vá conhecer Betânia.

Como dizem que se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia; indico Betânia porque sei que você terá que pagar. A felicidade também tem seu preço. Reverência