14 de fevereiro de 2021 às 20:00
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO



Um antigo amigo, já falecido, filosofava afirmando que o sexo é mais intenso na juventude, porque nesse período da vida a luxúria ainda guarda a força do mistério. Cito o amigo falecido por um motivo, na terceira idade o libertino vive mais entre fantasmas do que entre os vivos. Eu pensava sobre isso enquanto o táxi me conduzia à lendária Vila Mimosa. Sim, atento forista, o Sucatão está fora desta história, pois entrou em processo de renovação de frota, mas logo voltará.

A temperatura amena, o céu cinza, chuviscos caiam sobre os paralelepípedos da rua Sotero Reis quando arrisquei os primeiros passos com as minhas botas importadas do Rio Grande do Sul. Havia silêncio e sombras sobre tudo, lembrando-me um cenário de filme noir. Não me intimidei e prossegui na minha marcha em direção aquela aldeia de mulheres degeneradas; a ilha das amazonas destemidas, que todos os dias enfrentam e vencem a selvagem fome dos homens.

A Vila estava vazia, quase deserta. As mulheres me observavam com olhos de curiosidade. Uma gordinha me puxou e declamou a frase hedionda: “vamos foder gostoso”. Pobre menina, talvez ainda não saiba que qualquer relação que começa com essa frase é a profecia do apocalipse.

Rodei por uma três vezes os corredores fétidos, percorri a rua novamente. Nada. Resolvi ir embora, mas antes passei em frente à mitológica Mosaico, vi algumas meninas interessantes, mas não era o clima que eu buscava para aquela noite.

Segui pela rua Ceará até a Francisco Eugênio. Nunca havia ousado fazer este trajeto a pé, à noite. Fiz. Logo de cara topei com alguns moradores de rua que me olharam como seu eu fosse uma peça de alcatra temperada, exibida em um rodízio, e pronta para ser fatiada. Acelerei o passo com mais agilidade do que o Usain Bolt. Alcancei a área das meninas, tive a impressão de ser o único pedestre e por isso, talvez, eu não tenha despertado o interesse delas. Fiz sinal para um táxi que passava e pedi ao motorista que me levasse para a Lapa.

Lapa... A Lapa não é só um reduto boêmio do Rio, com aquele trecho de luzes de neon, bares inflamados, promiscuidade impudica. Não, a Lapa é o museu dos libertinos. Quantos pervertidos já não pisaram ali? Quantos boêmios? Quantas putas? Quantos cafetões? A Lapa, com seus arcos imponentes, é um castelo assombrado por milhares de orgasmos do passado e do presente. Apurem os ouvidos, é possível ouvir os gritos, os sussurros, as mulheres e homens de outro século. A luxúria de todos os tempos jaz na Lapa.

— O que você foi fazer na Lapa, velho Dante? — Perguntaria o forista sempre afeito ao inconveniente da curiosidade.

Minha intenção foi me distrair e verificar se encontraria alguma garota disponível no ponto da Rua do Rezende, onde travestis se misturam às vaginas noturnas. Antes, entrei no Bar Brasil, eu precisava saborear o chope do lugar. Compreenda, afeiçoado forista, todo libertino é uma ilha que consegue potencializar os prazeres cotidianos através da solidão. Bebi o ouro líquido como se bebesse pela primeira vez, o álcool descia pela minha garganta como se carregasse uma rede de pequenos ganchos sadomasoquistas. Pedi outro, mais outro e no terceiro chope comecei a vislumbrar aquela linda mulher vaporosa e fugidia: a felicidade.

Por que as pessoas compram livros de autoajuda em busca da felicidade? A felicidade cabe dentro de uma tulipa. Acredite, forista sem fé.

(Continua... precisei interromper)