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19 de Abril de 2023 às 03:04
"Quando me virei vi uma mulher na beira da estrada
Trazia uma rosa em sua mão, um feitiço no olhar..."
"...Ela respondeu: Moço eu sou Rainha, vim lhe ajudar
Sou Maria Padilha..."
"...Quando eu precisei, oh pomba gira, você veio me ajudar
Deste outro rumo a minha vida
Hoje eu venho lhe louvar..."
Essa história começa com minha tentativa de chegar até o Mosaico, boate de muitos TDs de qualidade. Mas como eu não finalizei os trabalho na boate em questão, vou comentar sobre o que atravessou minha jornada.
Terça-feira, dia 18/04/2023, 21:00. Sigo na minha semana de auditoria de cabaré. Tempo chuvoso, dia de jogo do Fluminense no Maracanã. Retorno para casa de mais uma dia de rotina e penso: "hoje a Vila Mimosa vai estar cheia de Tricolor, talvez seja um bom dia para adentrar pela primeira vez o que só vi de fora, o Clube Mosaico, lugar de boa reputação." E lá vou eu, desço do busão e caminho pela chuva até o Lago das Almas Perdidas.
Durante meu caminho, encontro dois sujeitos indo ao mesmo destino, ao qual vou nomear de "os crias". Um era meio agitado, esbaforido e ansioso. O outro, um sujeito tranquilo e calmo. Ao caminhar até a Boca do Diabo, os crias vão puxando assunto comigo, dando conselhos sobre como proceder na Mimosa e como tomar cuidado com as "ratas". Elas são traiçoeiras e eu poderia ser ludibriado. Naquele momento, era bom chegar em bando. O bando sempre passa um impressão de proteção. Então, eu não seria um alvo fácil para as "ratas". Os crias param logo no primeiro bar, compram uns latões de Braham e eu já ganho um copo. De graça, até Braham a gente bebe. Aos pouco foram me enturmando, pareciam querer me adotar. Observavam algum tipo de familiaridade em mim, ou até talvez engenuidade, vai saber.
Andamos, rodamos e paramos em baixo da marquize do em dos bares do início do corredor principal, da Mimosa.
Foi então que o feitiço me atingiu. No meio daquele antro de demônios, a Rainha do Inferno apareceu. Le vem ela atravessando a rua com seu longo cabelo vermelho escarlate, da mesma cor de sua meia-luva, calçinha e liga-perna, com os seios a mostra
Naquele inferno, cheio de criaturas estranhas, Lilithi resolveu dar as caras. Sua forma era delgada, com coxas grossas, bunda proporcional em formato de coração, seios que cabem na boca, bicudos, abdômen no lugar, rostinho bonito e olhar enfeitiçado.
Fiquei paralisado, sem poder de reação. Então, o cria afobado foi tratar com o diabo. Fez um bom acordo até. 80 de cada e poderíamos os três adentrar ao covil. Fiquei desconfiado apesar de tudo. Nunca havia compartilhado uma mulher com outro cara. Fiquei pensativo, mas sou do tipo que me coloco em situações novas. Estava disposto a experiência, afinal minha mente fantasiava imagens fortes com a mulher do satã.
Papo vai papo vem, e decidimos dar um giro. Eu também não queria tanto dividi-la com dois marmanjos desconhecidos. Ao voltarmos, ela seduziu outro pobre coitado. Os crias ficaram chupando dedo e eu também. O cria mais tranquilo, propôs entrarmos no Mosaico, pois eu já havia mencionado que era meu destino final. Mas o afobado, parecia querer se atracar com qualquer demônio que se mostrasse disposto a devora-lo. Já muito ansioso, ele fez oferenda a uma outra entidade de baixíssima patente no inferno e arrastou o pobre amigo com ele. A entidade até tentou me lançar um encanto, mas eu já havia sido marcado. Fugi, com sucesso!
Nesse momento, fiquei observando aquele lugar decadente com cheiro de sarjeta, desinfetante, perfume barato e enxofre. Haviam figuras que não sabia se sentia pena, desejo ou compaixão. Fiquei ali, parado, na minha experiência antropológica das misérias e prazeres humanos.
Então, vem ela novamente atravessando a rua. Ao me ver ali solitário, percebeu que era hora de buscar seu sacrifício. "A put spell on you, because you mine!" Me olhou, me seduziu, proferiu palavras profanas, virou-se de costas e rebolou. Novamente estático, atônito, hipnotizado. - Qual é o acordo? Perguntei. - A sua alma. Respondeu ela. E continuou. - Prometo que você não vai se arrepender! O demônio é ardiloso!
E lá fui eu ao outro lado da rua, num buraco qualquer oferecer meu corpo em sacrifício.
Sobre os detalhes do ritual, posso dizer que senti prazer. Ela dedicou-se ao ato. Saboreei seu corpo, fiquei longe de sua boca e ela sugou-me sem minha capa da proteção. Na sequência montou em cima de mim para demonstrar seu poder e por fim virou se de quatro para que eu entregasse tudo! Entreguei tudo até meu espírito se esvair.
Saí dali abatido, cansado, sem forças para continuar.
Então, dei-me de cara com o afobado, meio invocado. Parece que a outra entidade o enganou. Logo ele que parecia saber tudo sobre acordos com o diabo. Mencionei meu ocorrido e ele percebeu que não se deve dar as cotas para a dona da casa. O outro chegou. Pareceu aproveitar o que restou do acordo, afinal era o que tinha pra hoje. Reclamaram, desabafaram e resolveram sair dali. Os dois então, seguiram para fora do lugar em prejuízo, pois acordos com demônios são perigosos.
A partir daqui, vou mencionar minha breve ida ao Clube Mosaico.
Com o pouco de forças que me restava, decidi seguir minha jornada até o fim e lá fui eu até o Mosaico.
Ali é o mundo das criaturas celestiais. Anjos de médio escalão, mas ainda assim anjos. Entrei com minha comanda, pedi meu Red Bull de 25 contos para fazer valer o consumo mínimo de 30. Uma morena peituda de rosto bonito chega e me aborda. Eu era carne fresca. Me esquivei para o banheiro, pois queria explorar o lugar ainda, com minhas poucas forças. Voltei, fui até a porta, então um arcanjo esbarrou em mim. Loira alta, magra, seios e nádegas proporcionais, cabelos curtos channel, sorriso marcante e rosto de modelo. - Quando esbarra assim é o destino. Disse-me ela. Sorri intimidado com tamanha presença. Perguntou-se eu estava bem. Respondi que sim, monossilábico, cansado. Eu não daria conta daquilo e o investimento seria alto pra não desfrutar. Me esquivei. Sentei no salão, pedi uma dose de Jack Daniels e observei. A peituda voltou. Sentou e investiu. Conversamos bastante até que ela me fez uma proposta quase irrecusável. Se eu fosse, não sobreviveria, era meu último fôlego de vida. Prometi retorno e me esquivei para o caixa. Paguei a conta de mais ou menos 100 pratas em dois Red Bull, uma Bud e uma dose de Jack. Sai da casa com a promessa de experiências mais profundas e fui para o fim dessa jornada com mais XP e sem a salvação da minha alma.
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