AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

Crônicas, histórias e contos dos membros e garotas que participam no GPARENA! Fiquem à vontade para participar!
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AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

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* (Escrevo este TD como crônica, pois ainda não tenho conhecimento para confirmar se o ponto de rua é estável na frequência de garotas)


Estou amanhecendo de ressaca após uma noite infinita. Às vezes, tudo parece sem sentido. Engoli de um só gole a dose da Salinas, a cachaça desceu rasgando o esôfago. Não bebo sempre, sou esporádico com o álcool, mas quando bebo é uma comemoração pessoal, uma saudação pelo privilégio de ainda poder brindar à vida. O bar tocava What a Life com o som no alto volume, alguns jovens se moviam como pêndulos, outros dançavam sem inibição no meio da calçada da noite fria, as luzes também dançavam.

WHAT A LIFE

"Fuck what they are saying, what a life!
I am so thrilled right now
'Cause I'm poppin' (woo) right now
Don't wanna worry 'bout a thing (don't wanna worry)
But it makes me terrified
To be on the other side
How long before I go insane? (Insane)"


No terceiro copo de Salinas, o sentido de tudo se revelava na falta de sentido, no caos. A mente filosofava em parceria com os acordes da embriaguez. Gosto da euforia artificial, da alegria ébria que me invade de repente. Um outro eu que se liberta do meu eu antediluviano bolorento e sóbrio. Escuto uma voz entusiasmada gritando meu nome.

— Dotô. Dotô Dante, o senhor veio — Baiano corre para me dar um abraço quase emocionado.

Sim, eu estava ali para visitá-lo após as tantas vezes que ele me atendeu carinhosamente no pé-sujo da Teófilo Otoni. Pelo WhatsApp, ele me informou que se mudou para outro bar, na Rua da Relação, perto da Lapa, porque este ficava aberto até tarde e poderia fazer mais dinheiro. Baiano me avisa que a próxima dose seria cortesia da casa, fico constrangido, mas aceito para não o decepcionar. Contou-me que ali também aparecem meninas promíscuas, mas que ele ainda estava mapeando o movimento. A verdade é que Baiano se comporta como um cafetão que ajuda clientes como eu, como se estivesse cumprindo uma missão humanitária.

Faz tempo que me transformei em um insone, durmo pouco, durmo somente na alta madrugada e acordo cedo. Virou um ciclo, um presente de grego da idade que avança. Shakespeare escreveu que há homens que ficam velhos antes de se tornarem sábios, sou um deles. Por que eu seria um sábio? A sabedoria é entediante, censura o desejo de viver. Sou um velho com todas as inconsequências da juventude.

Gosto de bares com música e o bar onde o Baiano está agora executa uma trilha sonora de primeira linha. Eu estava gravitando nos meus devaneios quando começou a tocar Disappear, do INXS.

DISAPPEAR

— Caralho. Que foda de música — a palavra obscena saltou espontaneamente dos meus lábios.

Senti uma inexplicável saudade da minha terra natal, o Rio Grande do Sul. Perdi a conta dos anos em que não visito as minhas origens, saudade das boates do interior gaúcho, das mulheres belíssimas que conheci por lá. Efeitos da bebida. A galera no meu entorno dançava frenética com copos na mão. O bar em que o Baiano está faz sucesso, tem uma pegada meio New Wave, meio retrô e é frequentado por jovens de tribos alternativas, mas também por coroas deslocados como eu. Vejo uma mulher animadíssima puxando a namorada e indo cochichar com o cara que mandava o som, o sujeito remexeu num bolo de CDs, num chaveiro de pen drives. Quando finalmente a música veio, o casal de lésbicas saiu pulando com gritos histéricos e correram para grupo que compartilhava o êxtase com elas.

FINALLY

A melodia de Finally tomou o ambiente como se fosse um chamado para a batalha, foi uma comoção geral. Neste momento reparei a imensa frequência da galera LGTB no meu entorno, qualquer bêbado esclerosado teria percebido isso antes de mim. Eu estava sozinho na mesa e fui puxado por um garoto imberbe que sinalizava com as mãos que eu também deveria dançar. Entrei naquela histeria coletiva.

— Foda-se — pensei.

Dancei muito. Quem me visse de longe talvez me confundisse com Priscila, a rainha do deserto. Eu me senti nos idos da Help, em Copacabana. Soltei a franga. Foi bom pra cacete. Que noite! As lésbicas me beijaram, o garoto disse que eu era um coroa enxuto e descarreguei a energia represada com passos de um dançarino com Mal de Parkinson. Que dinheiro compra esses momentos apoteóticos? De repente, Baiano me cutuca esbaforido com um celular na mão.

— Dotô, a mina quer falar com você. É quente, é quente. Fala aí.

Aqui, faço um breve intervalo. Sei que somos céticos quando nos deparamos com casos que ocorrem fora do cativeiro dos bordeis ou do sistema de lanchonete das frees, é compreensível, mas acredite, forista sem fé, a libidinagem e a promiscuidade também transitam pelos bares, pelos restaurantes, pelas ruas, pelas calçadas, pelo asfalto etc. “Isso realmente aconteceu, Dante?” — não é incomum algum amigo me perguntar, eu respondo que ele precisa viver para descobrir. A maioria das histórias que lemos nos fóruns refletem uma fatia mínima e viciada da luxúria carioca, mas ela é maior, mais ampla e foi sempre nessa outra face da Lua que preferi me aventurar.

— Alô, quem fala? — perguntei me esganiçando para superar o barulho ao redor.

— Mari. O Baiano falou que tu quer companhia. Vem pra cá.

— Onde?

— Em frente ao Bar das Quengas, na Ubaldino Amaral. Estou sentada aqui com uma amiga.

— E como você é? — perguntei.

— Vem pra cá que você vai ver. Vem logo.

Desliguei o celular e perguntei ao Baiano se ele poderia descrever a menina, ele me respondeu de forma vaga.

— Vai que é gata, dotô. Vai que é gata.

Paguei a conta, girei minhas botas para o destino e caminhei pela rua da Relação até a Ubaldino Amaral, não muito distante de onde eu estava. Quando alcancei a esquina da Ubaldino com a Men de Sá, em frente ao Bar das Quengas, avistei um boteco chamado “Beco da Noite”. Uma ninfa ruiva de cabelos compridos e pele alvíssima acenou para mim. Meus olhos devem ter brilhado...

(Continua...) :piscada:
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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

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Dante na Lapa, num Bar Brasil deserto. Aquecendo antes de parar no boteco Beco da Noite. Menina ou forista que aparecer ganha chope por conta do velho.

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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

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Beco da Noite hoje irá ferver. Vem com o velho...


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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

Mensagem por pgggato45 »

Dante-RJ escreveu:Dante na Lapa, num Bar Brasil deserto. Aquecendo antes de parar no boteco Beco da Noite. Menina ou forista que aparecer ganha chope por conta do velho.

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Show! A foto.
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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

Mensagem por pgggato45 »

Dante-RJ escreveu:Beco da Noite hoje irá ferver. Vem com o velho...


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Um brinde!
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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

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A partir de agora qualquer aventura é possível. Vem com o Velho Viking... :yee:


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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

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Inaugurando o primeiro relato ao vivo e ilustrado. Acredite, Forista sem fé...


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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

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A música começa a envolver o velho libertino, o álcool dilata as pupilas, o ar frio e noturno ganha brilhos estelares com suas luzes coloridas. Pernas, bundas, bocas, fêmeas com olhos lascivos. O velho libertino bebe, ébrio, boêmio. A noite é um território de enigmas, o libertino é um detetive noir em busca da solução do próprio mistério. À noite toda mulher é fatal.
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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

Mensagem por Senior69 »

Grande libertino, Dante!
*O Que fazemos em vida,ecoa na eternidade*.
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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

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Dante-RJ escreveu:Paguei a conta, girei minhas botas para o destino e caminhei pela rua da Relação até a Ubaldino Amaral, não muito distante de onde eu estava. Quando alcancei a esquina da Ubaldino com a Men de Sá, em frente ao Bar das Quengas, avistei um boteco chamado “Boca da Noite”. Uma ninfa ruiva de cabelos compridos e pele alvíssima acenou para mim. Meus olhos devem ter brilhado...

(Continua...) :piscada:

Mari se levantou para me receber. Mulher alta, corpo esguio e esculpido em curvas apetitosas, os olhos possuíam uma tonalidade verde-acinzentada, os lábios eram fartos, um sorriso linear e impecável, pernas longas e grossas encaixadas numa calça justíssima, os seios médios davam a impressão de desejarem saltar da blusa vaporosa e decotada. Beijou-me no rosto e apontou a cadeira onde eu deveria me acomodar. A voz de Mari se mostrava arrastada, mas com um tom grave de apresentadora de jornal de TV. Garota carismática, percebi de imediato. Baiano se mostrava infalível em suas dicas até então.

O Boca da Noite é um boteco com música ambiente também em volume alto, as mesas estavam quase todas ocupadas, clientes jovens e maduros misturados na democracia inabalável que é a noite carioca. Não nego a você, afeiçoado forista, eu já estava para lá de Marrakech, a cabeça chacoalhava cachaça quando Mari tomou a liberdade de pedir um chope a mais para mim. Há um ponto da embriaguez em que o paladar desaparece, a visão se torna traiçoeira e a língua se enrosca dentro da boca. Certamente, a minha dicção estava afetada, mas Mari demonstrava não reparar nas minhas falhas de comunicação. Lembro-me de que ela estava maquiada com estilo, os olhos com uma sombra prateada que destacava a tez do seu rosto e a tonalidade dos seus olhos.

Naquele estado ébrio, a menina pareceu-me belíssima. Eu estava extasiado, minha vontade era retornar ao bar do Baiano, beijar seus pés como agradecimento e deixar todo o meu dinheiro como recompensa pelo seu gesto humanitário. Meu impulso foi cortado quando a balada Shape of You emergiu das caixas de som do botequim, alguns clientes se levantaram e começaram a dançar. Comecei a acreditar que a Lapa havia se transformado em um musical da Broadway, por todos os buracos as pessoas cantavam e dançavam despudoradamente. Mari remexia o tronco, ergueu-se e me puxou para aquela nova manifestação de balé coletivo. Sem forças para negar, balancei como um prédio prestes a ruir, a menina ria e me abraçava num gesto de receptividade antecipada que me causou desconfiança. Sem trégua, as caixas de som emendaram com Barbie Girl, Mari foi ao delírio e me questionei como uma garota tão jovem podia vibrar com uma música tão velha. Na sequência, veio Baby One More Time e ouço um cliente histérico, com traços de gringo, gritando “Britney Free”. Eu tentava continuar balançando para não decepcionar a festiva Mari, mas meu corpo estava a beira da implosão involuntária. Quando entrou Christina Aguilera cantando Genie In A Bottle, pedi arrego e voltei a me sentar. Mari continuou rebolando diante da minha precária visão. Reparei outros clientes me olhando, não sei se por cobiça ou curiosidade.

Finalmente, Mari voltou para a mesa. Outra rodada de chope, mas dessa vez pedi uma garrafa de água mineral para tentar combater a futura ressaca. I Gotta Feeling, do The Black Eyed Peas inundou com força nossos ouvidos, Mari ameaçou voltar a dançar, pedi piedade, ela soltou uma gargalhada escandalosa e voltou para a mesa. Ficamos conversando ao pé do ouvido (a única maneira de ser ouvido por conta da música alta), a menina também já estava alta e me lançava uns olhares lânguidos. Alcoolizado como eu estava, Pikachu causava-me a impressão de ter morrido há décadas e reencarnado em outro corpo, provavelmente na China. Sexo era algo impensável. Shocking Blue, com Vênus, interrompeu a conversa, Mari deu um salto olímpico da mesa e foi para o meio da muvuca de dançarinos de rua.

— Vem, Dante. Veeeeem...

— Pelo amor de Deus — um condenado a morte não suplicaria por clemência da forma comovente como supliquei.

Dei os últimos passos possíveis, orando para que Baryshnikov me desse um derradeiro fôlego às pernas. Mari roçava em mim feito enguia no cio, alisava meu rosto, lambia a própria boca. Pasme, estimado forista, eu não conseguia mais ficar excitado e a simples visão de uma cama seria capaz de me provocar um desmaio instantâneo. Percebendo a minha situação de moribundo urbano, Mari puxou-me pela mão e voltamos à mesa.

— Você é uma comédia — me diz com aquela voz decidida de âncora feminino de jornal da Globonews.

— Sei disso, fui até convidado para integrar uma refilmagem dos Três Patetas, mas declinei.

Mari ri outra vez com aquela gargalhada de escarcéu, num estilo Clodovil olhando para a câmara da verdade. Seu rosto estava próximo ao meu quando ela disse que gostou de mim, mas precisava me contar algo, que precisava ser honesta. Para a minha mente cansada, foi fácil imaginar que ela confessaria ser garota de programa e que estava ali a trabalho. Óbvio, afinal ela era uma das dicas do Baiano.

— Pode dizer. Acho que já sei o que é — incentivei-a no tom mais gentil que pude alcançar.

— Você sabe? Tem certeza?

— Acho que sim.

— Pois acho que não sabe, mas vou te dizer. Gostei de você, mas eu não sou mulher. Sou quase mulher. Você já sabia?

Acredite, forista sem fé, a minha resposta foi um absoluto e sepulcral silêncio motivado por uma fisgada na uretra. Nunca senti isso. Quando a “garota” revelou que não era mulher, senti um beliscão por dentro do pau e não consegui emitir uma sílaba que me possibilitasse reagir à situação. Fiquei mudo, talvez com os olhos um pouco arregalados pela inesperada dor no pênis. Mari me encarava como uma serpente hipnótica prestes a dar o bote. O meu silêncio foi um erro inconsciente que pode ter sido confundido com aprovação, ela moveu lentamente o rosto para mais próximo do meu, vi a ponta da língua salivante, senti outra fisgada lancinante no pau. Desperto do transe com as batidas de Sweet Dreams, com Eurythmics. Baiano filho da puta. Cai o pano.

:girl9: :nooo: :puto:
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Senior69
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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

Mensagem por Senior69 »

*Ah,velho Dante! Suas crônicas fazem-me recordar dos meus quarenta e poucos anos,de forma saudosa e agradabilíssima*!
*O Que fazemos em vida,ecoa na eternidade*.
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Re: AV. MEN DE SÁ COM RUA UBALDINO AMARAL

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Senior69 escreveu:*Ah,velho Dante! Suas crônicas fazem-me recordar dos meus quarenta e poucos anos, de forma saudosa e agradabilíssima*!
Bom saber que as histórias te divertem, amigo Senior69.
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