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O sol de dezembro não apenas brilhava; ele castigava o asfalto, transformando a cidade em um forno a céu aberto. Enquanto eu caminhava, sentindo o calor desumano pesar sobre os ombros, um único pensamento servia de combustível: o ano precisava de um encerramento digno. Meu subconsciente já havia selado o acordo e escolhido o destino. O sacrifício sob a canícula era apenas o prelúdio para o êxtase que me aguardava.
Ao atravessar a porta do apartamento dela, a temperatura pareceu subir ainda mais — desta vez, porém, não era o clima, mas a eletricidade da recepção. Entre sorrisos e conversas que preenchiam as lacunas da ausência, fui convidado a entrar. Após uma assepsia rápida para tirar o peso do mundo lá fora, entreguei-me à maca.
O ambiente era um refúgio climatizado, um contraste perfeito com o caos exterior. Alice começou sua arte.
Diferente de outras vezes, ela iniciou o ritual de frente. Deitado de costas, com os olhos voltados para o teto como quem fita os céus, senti que algo inédito estava por vir. Suas manobras, sempre surpreendentes, ganharam uma nova textura. Quando seus toques aveludados encontraram minha pele, a sensação foi de transcendência imediata.
Em determinado momento, um dilema silencioso surgiu em minha mente: resistir e manter a consciência ou sucumbir inteiramente ao prazer? A escolha foi óbvia. Abandonei as rédeas e abracei o deleite puro.
Após um breve intervalo para recuperar o fôlego, o papel de mestre da cerimônia mudou de mãos. Era minha vez de retribuir a entrega. Ela se acomodou em seu "berço esplêndido" enquanto eu me dedicava aos meus próprios desdobramentos — desta vez, linguísticos.
Estava mais obstinado que o comum. O desejo de proporcionar a ela a mesma magnitude que recebi me guiava em uma degustação lenta e profunda. Os sussurros de Alice, inicialmente baixos, foram se tornando incentivos urgentes, uma trilha sonora que subia de tom conforme o ápice se aproximava.
O ponto de não retorno chegou. Em um relaxamento tão profundo que beirava a agonia prazerosa, ela alcançou seu clímax. O silêncio que se seguiu foi interrompido apenas por seu pedido gentil: um tempo para se restabelecer e voltar à terra.
O ano agora poderia terminar. Através desse encontro revigorante, o desfecho foi magnânimo — exatamente como Alice.
