11 de Junho de 2025 às 13:30
BEIJO

SIM - NãO GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO

É naquela altura da Rua da Conceição, onde o asfalto já desistiu de ser chão e vira lama moral, que fica o Bombeirinho — um bordel sem porta e sem alma. Ali não se entra: se desce. Como quem tropeça na própria vida e vai parar num porão sem escadas. À noite, o lugar ferve. Mas não é o calor do desejo — é o suor do fracasso. Nenhum homem chega ao Bombeirinho por amor; chega por falta dele. E o GPS, com sua prudência artificial, se recusa até a traçar rota. É como se dissesse: “Vá, mas não me envolva nisso”.

Foi ali que encontrei Valéria. Nome de certidão vencida. Não importa — os nomes ali não passam de véus, e véu, naquele antro, é inútil. Tinha coxas de rainha aposentada e olhos de quem cobra pelo prazer que promete e não entrega. Eu paguei — não por tesão, mas por uma irrefreável necessidade. Porque queria fingir que alguém ainda me tocava sem desprezo.

No quarto, entre lençóis gastos e gemidos de outros pecados, ela tirou a roupa como um empacotador de supermercado. E eu? Eu tirei a minha com vergonha da velhice que nos transforma em rugas ambulantes. Não aconteceu muita coisa. Houve um corpo em cima de outro, tentando não lembrar que um dia tiveram sonhos. Ela cavalgava sem pressa, como quem repete uma reza que já perdeu o sentido. E eu gozei não por prazer, mas por absoluta rendição.

Terminamos calados. E, por um momento, fomos dois estranhos íntimos, dividindo a mesma mudez imunda. Pensei em perguntar seu verdadeiro nome. Pensei em dizer algo bonito. Mas o Bombeirinho não é lugar de diálogos, é de ecos. E o eco mais alto ali é o da solidão. Ela vestiu a calcinha com a dignidade de quem já viu o fim do mundo e achou entediante.

Na saída, o barulho da cidade me pareceu hipócrita. Como se todo o resto do universo estivesse limpo, quando no fundo era só mais um cenário elegante na podridão. Voltei para casa cheirando a mofo. E quando me deitei, sem banho nem culpa, entendi que o que houve entre nós não foi sexo. Foi luto. Um luto a dois, pago em dinheiro vivo e silêncio.