BEIJO
SIM - NãO GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO
Ela me olhou como quem já me conhecia. O tipo com cara de salário gasto antes do fim do mês, camisa amassada, e olhos de quem veio procurar alguma coisa que nem sabe nomear.
Eu não fui lá atrás de amor. Quem vai? Fiz a entrevista, a mesma entrevista feita por milhares de vezes, com milhares de mulheres. Considerei Melissa aceitável.
A gente subiu para um quartinho que mais parecia uma caixa de sapato esquecida por Deus. O ventilador fazia um barulho de pulmão asmático. Ela acendeu um cigarro. E eu tirei a roupa e expus minha carcaça obesa e envelhecida.
Ela falava pouco. Me contou que já quis ser professora, dessas que ensinam criança a desenhar a letra. Depois desistiu. Disse que era muita burocracia e que na Mimosa, ao menos, o estresse paga em dia. Fiquei sem saber o que falar.
O sexo foi mecânico como um ascensorista de elevador. Gozei com o boquete como quem derrama uma lágrima. Mas teve uma hora — uma fração de segundo, talvez — em que ela me olhou como se estivesse em outro lugar. Ou quis estar. E ali eu me perdi. Me fascinei. Não por ela, mas por essa miragem: a mulher que ela talvez tenha sido, ou desejado ser, antes da sarjeta engolir seus sonhos e cuspir tudo num lençol encardido.
Fiquei ali depois que ela vestiu a calcinha e me pediu para sair com um olhar cansado. O olhar de quem já viu muito homem confundir carne com redenção.
Desci as escadas, passei pelo bar, pedi uma Ypioca. O dono me chamou de “parça” e me deu um copo sujo. Bebi como se fosse vinho.
Caminhei pela Rua Ceará e voltei para casa de ônibus, entre trabalhadores dormindo e pivetes vendendo balas vencidas. Com o cheiro dela ainda grudado em mim, como marca de mordida ou ferida que a gente coça até sangrar.
Na Mimosa, tudo é de aluguel. Até a ilusão.