20 de Maio de 2025 às 15:21
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ




Sou um insone. Não por escolha — ninguém escolhe não dormir numa cidade que te cospe na calçada toda vez que você acorda. Sou um caso crônico. Três da manhã é o meu meio-dia. Nada cala essa coisa que me mastiga a mente quando o mundo silencia. Talvez seja genético, talvez seja só a vida me cobrando juros. o fato é que durmo pouco e acordo fodido.

Não quis usar o Sucatão. Deixei o meu chalé nos alpes tijucanos a pé. Sim, há perigos à noite, mas para vivermos não a outra opção que não seja desafiá-los. A Tijuca, à noite, tem um quê de existencialismo suburbano. Silenciosa, escura, com ares de cenário de filme do Zé do Caixão. E eu lá, sozinho, andando pelas calçadas como se tivesse sido expulso de casa por uma esposa que nunca tive.

Quando cheguei à Rua Gonzaga Bastos, hesitei. Ali, confesso, hesitei com um pavor de freira diante do capiroto nu. A rua era uma espécie de túnel de trevas. Prédios quietos, casas mortas, uma penumbra que fazia Deus tirar os óculos. Mas como dizia o meu falecido tio, que morreu abraçado a uma amante: "viver é só para os ousados". E fui.

Cheguei à boate Secreto’s. Meia dúzia de zumbis agarrados a garrafas. Poucas meninas. Botei o corpo num canto como quem se estaciona na sarjeta. Eu queria silêncio. Bobagem...

Uma gordinha veio com cara de feriadão chuvoso. Perguntou se podia me fazer companhia.

— Só tô olhando — respondi seco.

— Me paga uma cerveja? — insistiu, com a fome triste dos que nunca esperam amor, só migalha.

Paguei. Só pra ver se ela sumia. E sumiu.

*****

Pedi um uísque e fiquei girando o copo. Tentava dar sentido àquele teatro de fantasmas. A boate parecia uma missa de sétimo dia em que o morto era eu. Bebi como quem não espera o amanhã. Eu já estava no amanhã. e era tão merda quanto hoje.

Até que ela entrou....

Alta, morena, curvas que fariam um padre gritar "pecado!" com alegria. O maiô parecia ter sido costurado por um maníaco sexual. O salão ficou menor. Ela andava como quem pisa no próprio destino. Encarei-a e ela me ignorou. Eu a olhei como quem testemunha um milagre em puteiro de beira de estrada.

Ela cruzou de novo e de novo, exibindo o mesmo desprezo, até que me levantei, toquei o braço dela e disse qualquer merda como "quero conversar". Então, ela me olhou como se eu realmente fosse um fantasma que se materializou de repente. Olhar levemente assustado — o que quase fez o meu cansado Pikachu perguntar se serviam arsênico na casa —, mas a mulher aceitou sentar-se ao meu lado.

Natacha seu nome. Contou-me que trabalhou algum tempo em Copacabana — bairro que já foi o continente das Godivas e hoje é apenas uma sombra borrada do próprio passado. Simpática, articulada, sensual, são definições que cabem em Natacha, que não demorou para jogar uma de suas pernas por cima das minhas, revelando uma das táticas ancestrais de sedução.

*****

Fiz a entrevista básica que consta no Manual do Bom Putanheiro: perguntas, checagens, e aquele olhar de quem finge ter controle. Ela passou no teste, foi aprovada com louvor. Nisso, Natacha cometeu o primeiro pecado...

— Posso te pedir uma bebida? — perguntou-me.

— Claro — Entreguei a comanda com a mesma ingenuidade de Adão aceitando a maçã oferecida pela maliciosa Eva.

A moça ergueu o corpanzil estonteante, desfilou ronronando até o bar e retornou com um copo de uísque e uma lata de Red Bull. Calculando o valor que aquilo somaria a minha conta, tive a sensação de tomar um Viagra com efeito reverso. Para evitar que ela me pedisse outro drink antes que eu a degustasse, solicitei o quarto. O campo de batalha.

Na alcova, Natacha se livrou do maiô e desnudou um par de seios, duas luas cheias que fariam 20 bebês famintos pararem de chorar. No meu caso, diante daquela fartura mamária, fui eu quem quase chorou em comoção. Mamei naquelas tetas como se fosse o meu último ato antes do apocalipse. Natacha me mandava chupar mais forte e eu obedecia. Queria afogar meus traumas entre aqueles montes sagrados.

Não sei se por pressa ou por perceber a minha fragilidade senil, a menina me empurrou na cama, arrancou-me as calças e me aplicou um boquete desses de quem chupa com a traqueia. Chupava com vontade, com fome, como quem quer a alma do sujeito. Um exorcismo. Eu me arrepiei. Uma técnica que misturava um tesão genuíno de quem gosta de sentir um pênis endurecer na boca. E este TD será breve porque sou fraco: gozei.

Com receio de cumprir a mesma rota obscura no retorno para casa, preferi pedir um táxi. A noite acabou? A noite nunca tem fim. Nem a insônia.