BEIJO
SIM - NãO GOSTEI
ORAL
SIM - COM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO
Saí do hotel para comer uma pizza. Isso era o plano original. Pizza. Mas o ser humano, veja bem, é um bicho frágil — e eu ainda mais. Sou como uma versão emocionalmente instável de um hamster. Comecei a andar sem rumo, e quando me dei conta, estava perambulando pela Rua Tenente Luiz Meirelles como quem procura um sentido ou, na falta dele, alguma forma de anestesia.
Taxistas são como oráculos — só que com ar-condicionado quebrado e opiniões fortes sobre geopolítica. Foi um deles, um senhor de bigode farfalhante e olhar de quem já viu o fim do mundo começar pela Lapa, que me indicou, com a solenidade de um guia espiritual, alguns pontos discretos onde eu poderia encontrar "consolo carnal", nas suas palavras, em noites de carência afetiva, hormonal ou simplesmente existencial.
Confesso que hesitei — afinal, quando foi que cheguei ao ponto de seguir o conselho sentimental de um homem que usa colete de crochê e ouve Amado Batista no volume máximo? Mas havia algo na segurança com que ele falava — como se estivesse me passando a senha de um clube secreto — que me convenceu. E lá fui eu, seguindo as coordenadas do Oráculo do Asfalto, em busca de um alívio que nem Freud explicaria.
O tal motorista — a quem comecei a chamar mentalmente de Sócrates da Serra — me indicou um bar justamente na rua pela qual eu estava perambulando, como se o universo, além de cruel, também fosse irônico e prático. “Não tem erro”, disse ele, com aquela convicção típica de quem já se divorciou três vezes e acha que aprendeu tudo sobre a alma humana. Infelizmente, o erro já começava por eu estar ali, noite alta, me embrenhando por uma longa pista deserta, como um figurante tardio num filme noir rodado às pressas em Teresópolis.
As vitrines fechadas me observavam como olhos cansados, e cada passo meu soava como um argumento fraco num debate com a moral. Eu andava com a elegância de um filósofo bêbado — cabeça baixa, passos indecisos, um casaco que já deveria ter sido aposentado. A rua parecia maior do que eu lembrava, mais vazia. Ou talvez fosse só eu que estivesse menor. Diminuído por dentro.
Quando enfim vi a fachada do bar indicado pelo taxista, senti uma mistura de alívio e vergonha, como quem encontra o banheiro no shopping depois de muito procurar — só que, em vez de um vaso sanitário, havia uma porta entreaberta, uma luz âmbar triste e uma jukebox tocando alguma música romântica.
Parei na entrada. Ainda dava tempo de voltar, pegar um táxi e fingir que tudo isso era só um passeio antropológico motivado por tédio e cerveja barata. Mas não. Entrei.
E aí, Forista sem Fé, foi que a noite realmente começou a se complicar.
Foi quando a vi. Sentada em uma mesa, de saia curta e cigarro aceso, desafiando a lógica térmica e talvez até a física quântica. Ela me olhou como se dissesse: “Sério? Você?”. E eu, com meu casaco puído e postura de cachorro abandonado, retribuí com um olhar que dizia: “Sim, sou eu. Infelizmente.”
— Tá afim? — perguntou sem rodeios ao me ver encará-la.
Olhei para os lados como se houvesse uma câmera escondida e eu estivesse num episódio particularmente decadente de “Câmera Indiscreta”.
— Não sei... acho que sim. Quer dizer... talvez. Você aceita Pix?
Ela não riu. Apenas virou e começou a andar. Eu segui. Nenhuma palavra foi dita no caminho. Atravessamos ruas vazias como dois fantasmas. Subimos uma ladeira em que havia uma pensão com nome de motel aposentado. Entramos. O recepcionista nos olhou com o desdém típico de quem já perdeu a fé na espécie humana.
No quarto, a decoração era uma mistura entre “filme de terror de baixo orçamento” e “consultório de dentista abandonado”. A cama fazia um barulho que parecia gemido de um idoso morrendo lentamente. Ela começou a tirar a roupa como quem cumpre pena, com a praticidade de quem já montou e desmontou diversas vezes muitos móveis das Casas Bahia.
— Pode deixar a meia — falei, tentando soar casual, mas saiu mais como um pervertido em crise de identidade.
Transamos. Ou algo parecido. Foi breve, funcional, quase uma transação bancária com envolvimento mínimo. Eu tentei pensar em outra coisa — em sinfonias, nas garças da Quinta da Boa Vista, nos bolinhos de chuva da minha avó — mas era impossível. A realidade estava ali, nua, com cheiro de cigarro e sabonete Palmolive.
Depois, ela acendeu outro cigarro. Eu, ainda nu, olhava para a parede manchada tentando encontrar alguma metáfora visual para a minha existência.
— Qual seu nome? — perguntei.
Ela me lançou um olhar entediado, como se aquela fosse a pergunta mais idiota que alguém já fizera depois de gozar.
— Hoje? É Bruna. Ontem era Carla. Amanhã, talvez Letícia. E você?
Pensei um instante.
— Dante. Meu nome é Dante.
Vesti a calça, deixei o dinheiro na cômoda e saí. O frio agora parecia menor. Ou talvez eu tivesse me acostumado.
Ou talvez — veja só — aquela fosse a forma mais triste de aquecimento humano.
Sincronizei os meus aparelhos auditivos com o celular e deixei que a música aquecesse os meus tímpanos...
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