BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO

CONTINUAÇÃO DE: CLUBE 13
Dois a zero. O placar da vergonha. Duas tentativas, duas brochadas gloriosas — ou, para ser mais justo, duas semi-ereções suicidas que desistiram no meio do caminho, como se meu pênis tivesse desenvolvido consciência e vergonha de participar daquilo.
Depois de atravessar dois puteiros e resolver uma sequência de questões burocráticas no Centro — incluindo fila em cartório, discussão com um atendente e uma tentativa frustrada de achar um banheiro que não parecesse um cenário de crime — eu já estava operando no modo zumbi.
Sabe quando o corpo vai, mas a alma assiste de longe, tomando um refrigerante e torcendo para que você desista? Era eu.
Naquele momento, se alguém me oferecesse um jumento — sim, um jumento, com cela, ração e talvez uma bandana colorida — eu aceitaria. Montaria o bicho como um cavaleiro medieval, atravessando a Rio Branco com um olhar de quem desistiu do clímax, mas ainda acredita na travessia. Iria feliz, inclusive.
Porque, no fundo, o que eu buscava já não era mais gozar. Era redenção. Um momento de paz, talvez até espiritual, ou pelo menos ortopédico. Algo que me dissesse: “Você ainda vale alguma coisa, mesmo que não consiga ejacular sob pressão.”
Segui andando, suado, meio torto, exausto, tentando decidir se era melhor tentar a sorte em mais uma casa — ou simplesmente me sentar no meio-fio e aceitar que aquele dia foi uma metáfora: longa, confusa e sem gozo no final.
Mas entre a hesitação e o périplo — essa palavra que só usamos quando já estamos derrotados por dentro, tipo “preâmbulo” — havia a 119. A lendária Rua da Alfândega, que para muitos é apenas um ponto geográfico, mas que para mim se tornava, naquele instante, a última esperança lúbrica de um homem em frangalhos. A última braçada de um náufrago.
Era meio cedo, o que é sempre um risco nesses lugares. Mulheres sonolentas, maquiagem mal resolvida, libido em modo soneca. Mas o meu fôlego tardava. E quando digo fôlego, não me refiro só ao físico — que já estava combalido desde o segundo lance de escada na Uruguaiana.
Entrei. O ambiente, como sempre, era uma mistura de tentativa de sensualidade em um sobrado que parecia ter sobrevivido a um bombardeio dos nazistas. Logo na entrada, uma gordinha me olhou com aquele olhar de quem sabe. Ela não precisa perguntar nada. Ela vê minha cara e já sabe: esse aí não goza desde o segundo turno do Lula.
Fui até o sujeito que sempre me atende no bar e falei:
— Tem alguma novinha bacana disponível?
Ela respondeu:
— Tem sim. Chegou uma agora, novinha, super gente boa. Quer subir pra ver?
Como se eu tivesse escolha. Como se, naquele ponto, eu ainda tivesse critérios.
O nome dela é Amanda. Subi. E pela primeira vez naquele dia, senti algo parecido com fé. Não fé religiosa, claro — mas fé fisiológica, tipo “talvez role”. Mas no fundo eu já sabia: era a última cartada de um homem que estava mais perto de um Dorflex do que de um orgasmo.
Amanda me causou a impressão de ser novata. Não só pelo jeito um pouco hesitante de tirar a roupa, como quem ainda não decidiu se entrou num programa ou numa consulta ginecológica, mas principalmente pela maneira como sua pele reagiu quando abocanhei seus seios. Arrepiou-se inteira. Um arrepio involuntário, quase adolescente, daqueles que lembram que, por trás da rotina automatizada dos encontros pagos, ainda existe pele, nervo e talvez até alguma faísca de humanidade.
E isso, claro, me excitou enormemente.
Pikachu — meu membro, que há horas mais parecia um aposentado resmungando em cadeira de balanço — levantou-se com um ímpeto surpreendente, como um lobo ancestral farejando uma lebre alvíssima perdida na floresta. Um milagre. Um sinal. Uma revolução hormonal. E eu pensei, com a euforia contida de quem já sofreu demais para confiar na vitória:
Agora vai.
Amanda se deitou. Eu a beijava com uma devoção quase litúrgica, como se cada beijo fosse uma oração desesperada ao Deus do gozo. Ela gemia baixinho, sussurrava “assim mesmo”, e eu comecei a acreditar. Sim, a acreditar! Que talvez, enfim, após uma manhã de desilusões, derrotas eréteis e corredores que cheiram a cândida, eu conseguiria.
Posicionei-me. Camisinha posta. Ela por baixo, me olhando com uma mistura de curiosidade e leve desconfiança — um olhar que eu conheço bem, aliás, é o mesmo que recebo de garçons quando peço Coca-Cola em taça num boteco. Devagar. Concentração total. Respiração guiada. Tudo ia bem.
Por um minuto inteiro, eu senti que fazia parte da espécie humana novamente. Até que...
Comecei a meter. Devagar, atento, como um pianista lidando com um teclado. Amanda reagia com gemidos honestos, nada exagerados, e isso me dava confiança. Era como se cada estocada confirmasse: sim, você ainda é funcional. E Pikachu, heroico, mantinha-se firme — agora mais lobo do que nunca, uivando em silêncio.
Ela agarrou minhas costas, arranhou levemente, mordeu meu ombro com uma suavidade quase infantil. Disse coisas doces e pornográficas ao mesmo tempo, uma combinação que me atingiu em camadas que nem minha analista alcança. E então eu soube. Veio como um trem, um trovão, uma libertação.
Gozei.
E foi um gozo daqueles com gosto de epílogo. Sabe? Não apenas físico, mas existencial. Um gozo que arranca de dentro não só o sêmen. Gozei como quem entrega uma carta que guardou por anos sem coragem de enviar.
Amanda sorriu. Ajeitou o cabelo, beijou minha testa com uma ternura inesperada. E eu fiquei ali, deitado, sem força nas pernas, nos braços, na fé. Ela se levantou para limpar-se e eu, nu, olhei para o teto e pensei: Venci.