05 de Maio de 2025 às 10:38
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM


Ocasionalmente farei aqui uma homenagem às mensagens que recebo de Foristas generosos.


Ela ainda estava em Teresópolis. E eu, movido por um "instinto de repetição patológica", voltei a procurá-la. Sim, como um náufrago. Um náufrago tentando regressar à ilha — não pelo coqueiro, nem pela água de coco, mas pelo cobertor erótico que me envolveu na última visita.

Carol não era apenas uma mulher. Carol é calefação central em forma humana. Uma lareira acesa nos dias frios de Terê, com a vantagem de não emitir fumaça e a desvantagem de, eventualmente, cobrar por hora. Mas tudo bem. Quem nunca pagou caro por um pouco de calor humano que atire a primeira pedra — ou pelo menos o primeiro lençol.

O que mais eu poderia dizer sobre Carol? Linda, claro. Daquelas belezas que desorganizam a circulação e fazem você repensar toda a sua relação com a gravidade. Portentosa, sim — uma palavra que só usamos para descrever algo entre uma deusa e um escândalo arquitetônico. E inesquecível, como as crises de labirintite ou os filmes que você assiste sem entender, mas sente que te transformaram por dentro.

Se todas fossem iguais a você, doce Carol, Vinicius não teria escrito um soneto — teria fundado uma religião. Porque ela é feita de dedicação, tesão e disposição: a Santíssima Trindade dos libertinos.

A verdade é que, diante dela, o único fracasso sou eu. Um sobrevivente da década de 60 com próstata suspeita, joelhos em greve e uma libido que depende do alinhamento lunar. Um idoso com sonhos eróticos e limitações cardíacas. Carol me olha e sorri, e nesse sorriso há tudo: acolhimento, luxúria... e uma leve compaixão clínica.

Tenho quase certeza de que meu anonimato aqui no Arena — este universo virtual onde egos se esfregam como gatos no cio — se deve ao meu desempenho sexual discretamente catastrófico. Sim, meus feitos na cama são tão discretos que poderiam ser confundidos com cochilos. Enquanto outros Foristas desfilam seus relatos como astros de uma indústria pornográfica, eu me arrasto pela narrativa como um figurante asmático num filme do Lars von Trier.

E, claro, não ajudo. Escrevo com emoção, com lirismo, com culpa — tudo aquilo que afasta os leitores em busca da objetividade crua, idiota e masculina que tanto agrada às massas. Porque, convenhamos, há uma demanda patológica por frases como “chupou gostoso” e “meteu com força”, enquanto eu, pobre escriba do afeto e da decadência, falo de gambás, Via Láctea e o cheiro da lareira que nunca tive.

A plebe não me entende. E eu também não me entendo. Talvez este seja o elo que nos une: a incompreensão mútua. Mas sigo, mesmo assim, anônimo e fracassado — só que com estilo.

Quanto a descrever o sexo... sinceramente? Vocês querem fazer de mim o tema de piadas de salão. Transformar minha dignidade em material para um especial de stand-up em que o protagonista é um velho com disfunções múltiplas — o que, pensando bem, sou quase literalmente.

Vamos combinar assim: já descrevi o potencial da Carol no relato anterior com detalhes suficientes para abalar a libido de um monge tibetano. Neste aqui, vou me restringir ao essencial: eu gozei.

Sim, acredite, forista de pouca fé, isso já é uma epifania. No meu caso, é como narrar o episódio evangélico da multiplicação dos pães — com a diferença de que, em vez de cinco pães e dois peixes, estamos falando de um pênis hesitante e um milagre hormonal. E houve multiplicação, sim: de suor, de tremores e, por alguns segundos, até de autoestima.

Carol já não está mais em Teresópolis. Uma notícia que, para mim, possui o peso emocional de uma tragédia grega — daquelas em que o herói, após atravessar o Éden e o inferno, descobre que o objeto do seu desejo pegou um ônibus para outra cidade e esqueceu o carregador do celular.

Carol era — ou melhor, ainda é, em algum plano místico onde o GPS do Google não alcança — uma cigana afrodisíaca. Um corpo de pecado com alma de estação de trem: chega, abala e parte sem deixar bilhete. A diva foi embora, e eu fiquei. E não é essa, afinal, a definição clássica da solidão masculina depois da terceira idade?

Agora, me resta esperar. Como um viúvo em luto. E enquanto isso, resolvi que farei academia (embora minha hérnia discorde), tomarei suplementos (ainda que meu estômago reaja como se fossem granadas) e, num gesto extremo de desespero lírico, me tornarei vegano — um celibato alimentar à espera de uma redenção carnal.

Tudo isso por um único motivo: tentar, quem sabe, no retorno triunfal de Carol, oferecer a ela o meu último suspiro lúbrico. Um suspiro que talvez dure 12 segundos e exija oxigênio suplementar, mas que será, sem dúvida, glorioso.