10 de Novembro de 2024 às 13:24
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

DISSE QUE FAZ

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM




Meio do nada. Andar à noite pelo Centro do Rio à noite faz a gente se sentir um fantasma pairando no limbo cósmico. Eu, que vivi o clímax da minha juventude no início da década de 80 até o fim da década de 90, ainda estranho o marasmo que encontro ali neste século 21.

O Centro foi a alma do Rio desde sempre e hoje é como se o corpo sem alma estivesse definhando. Lugar de referências históricas sendo tragado pela indiferença. Na Rua do Ouvidor, Machado de Assis passava horas em encontros literários na lendária Livraria Garnier, sendo reverenciado pelos seus pares. Lembro-me que havia um guia de Sebos, indicando um itinerário que percorri centenas de vezes enquanto formava a minha biblioteca. Alguns Sebos ainda existem e resistem heroicamente em ruas de pouco público e em um território de poucos leitores.

Multidões moviam-se pela Avenida Rio Branco em um frenesi profissional de negócios, dinheiro e alguma vadiagem. O Centro pulsava como um coração jovem mesmo sendo secular. Hoje, não mais.

E assim em seguia num estado de divagação inútil, apressando o passo entre a penumbra silenciosa da Rua do Rosário, ansioso por chegar inteiro a boate La Confraria, na Rua da Quitanda. Em dias remotos, a Rua da Quitanda foi batizada como Rua do Açougue. E agora, lá ia eu, em busca de algum filé que me saciasse a fome da libido.

A noite sem música é mulher mutilada. Sincronizei os meus aparelhos auditivos com o celular e permiti que a batida de Journey me arremessasse às trevas silenciosas que emergiam adiante.

JOURNEY Dancinha

Estou velho, carcomido, surdo, enxergando mal, mas permaneço vivo. Percorro a reta final de uma maratona que se iniciou com uma corrida de espermatozoides, mas minhas pernas se movem ágeis, os braços têm força e o vetusto Pikachu quer desfrutar do que resta de tempo útil. Quando jovem, as ereções são reflexos instantâneos que beiram a futilidade; quando envelhecemos, elas se tornam súplicas.

O mitológico Senhor da Comanda me recebeu ao pé da escada que leva à pista da La Confraria.

— Dante, a relíquia — é o que sempre repete quando me vê.

A casa tinha um número razoável de mulheres, algumas interessantes. Poucos clientes. Peguei uma Corona no bar e sentei-me para contemplar as bundas em desfile. De repente, no escuro das luzes de neon, alvorece Paola, o alvorecer bronzeado da luxúria. Não teve jeito, me vi na obrigação de repetir o encontro com ela. Pedi uma alcova.

Eu seria redundante se fosse narrar o sexo. Paola é dona de um corpo que nos faz salivar intensamente, causa um desejo irrefreável. Há uma particularidade nessa menina, ela consegue comigo um encaixe perfeito da boceta com o meu combalido pênis. É uma das raríssimas mulheres que me faz gozar com a cavalgada. É um misto de gemidos e rebolados que me levam ao nocaute.

Sem frescura, ela beija, chupa até o fim, mete com ânsia, sabe buscar o encaixe ideal e não faz tipo: é uma puta que gosta do que faz.

Despedida, pagamento e mergulhei novamente nas densas ruas noturnas. Ouço o estalar das minhas botas sobre os paralelepípedos que suportaram o peso de muitas gerações. Tudo passa e eu também passarei. O que ficará de mim? Esta e outras tantas histórias de um diário que se entranhará em sua memória.

A música sobe para os meu aparelhos auditivos e eu canto porque permaneço vivo...

SAVAGE Dancinha