BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO

CAPÍTULO I
Um Highlander só morre se lhe cortarem a cabeça e um Libertino somente fenece se sua espada ceder à ferrugem do tempo.
Noite alta, a insônia me atormentando, calculei sobre os únicos lugares que poderiam estar abertos naquele horário. Alguns poucos locais me vieram à mente, mas escolhi ir ao Centro, na vetusta Rua da Conceição, enfrentar as vampiras do Bombeirinho.
Acredite, meu bom colega forista, a única virtude que a idade nos traz é a desilusão. Para os meus critérios atuais, o coito com 99% das garotas de programa me soa frustrante. É o orgasmo no atacado, sem vínculo, sem emoção, sem retorno humano. Quase todas vampiras de sangue frio, elas não encontram em mim qualquer afinidade, essa é a maldição que assola os homens que pensam. Foi assim na minha última investida no fim de semana, é assim em quase todos os contatos com o sexo pago. Insisto nisso porque me sinto cansado para investir em aventuras de sedução com moças de família.
O horário se mostrava pouco indicado para ir sem carro ao Centro. Despertei o Sucatão, que me saudou com os roncos em fúria do motor, acelerei e emergimos sobre o negrume árido do asfalto. Os cenários vazios da Avenida Maracanã, com um único ponto de pulsação de vida na Praça Varnhagem, a amplidão oca da Praça da Bandeira, as colônias de miseráveis por todo o percurso da Avenida Presidente Vargas. No Rio de Janeiro, não é difícil nos sentirmos como se estivéssemos num remake do filme Blade Runner, o que não estava longe de ser verdade, de certa forma eu pretendia caçar replicantes.
Existe um canal no YouTube que gosto muito, o “Madrugada RJ”, mostra um sujeito visitando os pontos mais sinistros da cidade justamente durante a madrugada, não sei como ainda não nos cruzamos nos sombrios becos cariocas. Rodei com o Sucatão até encontrar um lugar supostamente seguro para estacioná-lo, terminei por deixá-lo em um ponto da Rua Visconde de Inhaúma onde, misteriosamente, outros carros estavam ancorados. A caminhada até o Bombeirinho seria mais longa.
CAPÍTULO II
No silêncio escuro da Avenida Marechal Floriano, o único som que se fazia ouvir era o do bater das asas de morcegos em constante revoadas entre as árvores centenárias. Quando passei pelo Beco da Sardinha, lugar que em outros tempos ressoava o fremir dos ébrios, os bares fechados exalavam o hálito dos cemitérios.
Continuei seguindo, não havia ninguém. É estranhíssimo andar por uma via longa e completamente deserta, ficamos com a sensação de estarmos em comunhão com os fantasmas. Os carcomidos sobrados que me rodeavam expiravam o passado. Ao longe, no fim da avenida, eu conseguia enxergar as luzes da Central do Brasil, território de terror e incredulidade para o Forista de Sapatilha.
Finalmente, alcancei a Rua da Conceição. Na frente do Bombeirinho, alguns sujeitos em roda pareciam resenhar com latas de cerveja na mão. Passei rapidamente por eles e me embrenhei pelas escadas do pretérito palacete que abriga as sanguessugas do prazer, onde os esgrimistas travam a luta final pelo gozo supremo.
Acredite, forista sem fé, a casa estava cheia. A lotação constante do Bombeirinho é um enigma indevassável. Como se explica uma boate de quinta categoria, naquele ponto remoto do Centro, atrair tantos clientes todos os dias? Peguei uma cerveja e entrei no modo contemplação.
Fiquei imóvel por alguns minutos, como um Van Helsing escolhendo em quem iria enfiar a estaca. Quando ergui a lata para degustar mais um gole da cerveja, meus olhos esbarraram em uma negra alta, com um corpaço capaz de provocar infartos fulminantes em idosos desavisados. Preocupado com a hora e sabendo que teria que refazer o tenebroso caminho de volta até o abandonado Sucatão, decidi me adiantar na abordagem.
A moça apresentou-se como Dandara. Os cabelos compridos de aplique tinham um brilho artificial de algum tipo de substância oleosa aplicada sobre eles. Alta, lábios carnudos, pernas torneadas em academia, olhos escuros que ameaçavam me engolir, um sorriso largo e cativante. Conversamos, fiz a entrevista básica, aprovei e pedi uma alcova.
EPÍLOGO
Já entraram em um quarto do Bombeirinho? Se nunca entraram, permaneçam assim. Estreito, uma cama que parece divã de anão, o suposto box me obriga a entrar de lado, pois um homem grande corre o risco de ficar entalado nele. É escuro e apertado. Para um velho como eu, que padece de cãibras súbitas, o contorcionismo que o aposento me exige sempre é um risco.
Dandara iniciou o duelo com um boquete sofisticado, demonstrando hábeis movimentos labiais e linguais que por pouco não me levaram à ejaculação precoce. Pedi que parasse. Não sei o porquê, mas eu estava com pressa de gozar. Deitei-me no divã de anão, metade das pernas para fora. Pedi que a menina viesse por cima (a posição master plus dos idosos).
A garota preparou Pikachu — O Breve — e sentou-se com força, fazendo com que o colchão, ninho de ácaros, afundasse mais um pouco. Fico imaginando a quantidade de maléficos seres invisíveis que se esvoaçaram daquele leito milenar quando sentiram a trepidação. É do jogo. Há lugares que só podem ser frequentados por homens que mijam de pé. Algumas quicadas, reboladas, esfregadas e arremessei a minha árvore genealógica dentro do látex.
FIM
Fim de partida. Decidi retornar pela Avenida Presidente Vargas, caminhei em passos de avestruz para resgatar o Sucatão. Entrei pela Rua Uruguaiana, dobrei a direita na Avenida Marechal Floriano, alcancei a Visconde de Inhaúma e estava lá o velho leão do asfalto me aguardando sereno.
Giro a chave, o uivo do motor rompeu as trevas. Acelero, atravesso a escuridão, o sono dos miseráveis sob as marquises, me vejo diante da contagem regressiva do grande relógio da Central, rompo a atmosfera estagnada e tenebrosa da madrugada, penso queo dom da solidão é a benção dos amaldiçoados. Insiro um CD aleatório no aparelho de som e a melodia do Duran Duran toma a cabine do carro de assalto. O meu nome você já sabe... Dante, me chamo Dante.
DURAN DURAN
DIA 07/11 VEM AÍ — FESTA DO GP ARENA