07 de Agosto de 2023 às 11:48
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

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REPETECO

SIM

A lua cheia preenchendo o céu de poucas estrelas acima da Candelária temperava com ares de mistério a noite de sexta-feira. As luzes pálidas de vapor de mercúrio não davam conta de deter toda a escuridão que queria avançar sobre a cidade. Eu caminhava com pressa e sem rumo, atravessando clarões e sombras, mais mergulhado em mim mesmo do que conectado à fauna exterior que me rodeava.

O Centro do Rio é, literalmente, uma selva de pedra feita de sobrados caquéticos misturados aos amontoados de espigões modernos e desertificados pelo esvaziamento humano dos novos tempos. Sem-teto e prostitutas anseiam habitar as salas evacuadas pela pandemia e pelo home office, uns querem a proteção de uma moradia e as outras anseiam pela possibilidade de potencializarem os ganhos financeiros que um corpo bem esculpido proporciona através da carência masculina. Em flagrante alienação, eu estava mais interessado nas prostitutas do que nos sem-teto.

Na minha idade, sempre suponho de que já deveria estar casado, com filhos, preso à responsabilidade de sustentar uma família. Se seria bom ou ruim, eu não sei, pois não foi o que vivi. O fato é que evitei a prisão de ser um pai de família hipócrita e escolhi a controversa liberdade de cumprir uma sina de aventuras mundanas que o celibato profano exige. Sim, porque há o celibato santo, destinado aos monges e vocacionados à religião, mas o celibato profano é aquele que batiza os mais pervertidos e ousados entre os homens: os libertinos.

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Perto das onze horas da noite, eu havia rodado por vários bordeis sem encontrar o sucesso do orgasmo incontestável. A minha mente permanece jovem e ativa, mas o meu corpo sente o cansaço dos anos, o peso do tédio por já ter visto um pouco de tudo, a frustração por não encontrar muitas mulheres que me surpreendam. E o que me surpreende atualmente é o misto de sensualidade com inteligência acrescida de humor. Acredite, forista sem fé, no meretrício o que mais encontro são mulheres azedas, ou burocráticas, ou mal-humoradas, ou as de pouca inteligência que se autoconsideram inteligentíssimas, isso quando não ostentam o acessório da agressividade gratuita. Venho refletindo se não chegou a hora de mudar o foco.

Passando pela 502, 119, Uruguaiana 24, Cancun, terminei me vendo diante das longas escadas do sobrado onde funciona o cabaré Afrodite. Admito, a quantidade incontável de degraus me fez alcançar sem fôlego a recepção. Recebi a comanda e respirei fundo antes de subir mais três lances de uma escada tortuosa. Pelo caminho vejo imagens e altares de Oxum, Maria Padilha, Zé Pelintra e toda uma reunião de crenças avisando que estamos entrando em um espaço que também valoriza a religiosidade.

Ao pisar na pista da boate, avisto uma morena dourada, cabelos compridos, corpo irrepreensível de falsa magra, calculei uns 23 anos de idade, seios pequenos, pernas bem-feitas e uma bunda de capa de revista emoldurada por um biquini fio dental indecoroso. Encosto-me no balcão do bar, a menina se aproxima como se percebesse o meu assombro diante da sua beleza e se apresenta como Júlia.

— E o seu nome? — pergunta-me.

— Dante, meu nome é Dante.

Ela roça o corpo em meus braços, nas minhas mãos, sinto a pele aveludada, quente.

— Você é linda — me derramo.

Júlia então mostra a sua arma mais fatal e abre um sorriso avassalador como agradecimento ao elogio. Os dentes perfeitos, como que saídos de uma propaganda de creme dental, me causaram desnorteio. É raro ver um sorriso tão reluzente e expressivo, algo que potencializava a beleza da menina ao infinito.

Pediu-me um cigarro, uma Ice, conversamos, nos tocamos, ela rebolava ao som do funk esfregando a bunda em minha virilha, eu alisava suas costas, suas coxas e a libido tomava conta de tudo. Pedi uma alcova.

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Cabine média, sem chuveiro, cama de viúva, lençóis aparentemente limpos. Diante daquela bela ninfa, preferi não me afobar. Deixei que ela tirasse a roupa, pedi para que continuasse de pé e fiquei admirando aquele fenômeno tão raro de perfeição e harmonia. Ela volta a sorrir e meu vetusto coração palpita. Júlia se deita.

Lanço-me sobre a menina, exploro cada milímetro do seu corpo com a minha boca. Júlia fecha os olhos, geme baixinho, diz que que me chupar, mas não permito. Queria saboreá-la como um canibal do sexo, sentir seus gostos, seus aromas, ouvir sua música. Caio em sua vagina, ela sente o impacto da minha língua tocando o seu clitóris, enrijece as pernas, estremece, diz que está gostoso, que chupo bem, acaricia meus cabelos, começa a apertar a minha cabeça entre suas coxas firmes e goza com um gritinho que ressuscitaria Lázaro.

— Agora é sua vez, quero te dar prazer — ela me diz.

Que declaração linda, mas o meu tesão naquele momento foi dar prazer a ela. Júlia insiste e então peço que me masturbe. Ela pega o meu combalido pênis delicadamente e alterna a masturbação com um boquete profundo. Entreguei-me e gozei.

Surge um berro do outro lado da porta.

— JÚLIA, O TEMPO ACABOU.

Conversamos mais um pouquinho, prometi voltar para vê-la, ela me agradeceu e nos despedimos.

Na esquina da Avenida Presidente Vargas com Uruguaiana, um pagode embalava a multidão imensa e cantante. O eco das vozes se espalhava, fazendo vibrar os fantasmas da sombria Avenida Marechal Floriano. Meus sentidos e meus membros estavam anestesiados. O libertino é um vampiro que após saciar a fome da luxúria precisa saciar a fome de viver. Reconheci a melodia que emanava do pagode, o som me entusiasmou, me embrenhei na turba, um solitário anônimo que desejava aquela energia, somei-me às vozes e cantei.

Eu te quero só pra mim
Como as ondas são do mar
Não dá mais pra viver assim
Querer sem poder te tocar...


CORAÇÃO RADIANTE

Cai o pano. Girl9