BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
DISSE QUE FAZ
ANAL
DISSE QUE FAZ
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
—Baltasar Gracián y Morales
Há cerca de 23 anos que transito pelos fóruns como uma dessas almas penadas em busca do caminho que leve ao paraíso, almas que não percebem estarem definitivamente condenadas ao degredo. O Centro é o meu palco, o meu inferno, e percorro seus sete círculos em busca de musas que pouquíssimas vezes se materializam.
Essas mais de duas décadas de fórum me permitiram conhecer todo tipo de gente, mulheres e homens. Sobre foristas, às vezes concordo com as garotas, há o forista babaca por natureza, o forista manicure, o forista baba-ovo de administrador, o forista baba-ovo de puta, o forista recalcado, o invejoso, o que não gosta de ler e dessa lista resta a rara exceção: o forista gente boa, aquele que possui a capacidade de se conectar com uma gama maior de personalidades.
Para jornalistas e sociólogos, o fórum é um prato cheio, uma pauta pronta. Conheci pouquíssimos foristas com quem estreitei relações e com quem ainda mantenho contato próximo, nenhum que tenha menos de dez anos nos fóruns. Foi através de um desses foristas mais parceiros que me permiti experimentar os trashes. Antes que me convencessem, eu não cogitava frequentar bordeis de segunda divisão (como eram rotulados).
........................
Houve um período em que apelidei o Bombeirinho como a Casa do Peitinho Agulha, bastava pisar na boate para se deparar com dezenas de novinhas postas em topless, com seios firmes e bicos apontados para o teto. Salivávamos de tesão. Atualmente, não observo mais a prática do topless no inferninho da Rua da Conceição. Uma pena.
Por muitos anos fui um flâneur perambulando pelo Centro, eu adorava. Andava léguas descobrindo ruelas, lugares ocultos, segredos com o peso do passado colonial. O Centro mudou e perdi parte do prazer de percorrê-lo, o prazer foi substituído pelo medo, principalmente à noite. Não faz muito tempo, fui assaltado, perdi um celular caríssimo, alguém poderia julgar que dei mole, mas a verdade é que o Centro da Cidade se transformou em uma trilha de tocaias.
Foram mais de 35 anos vivendo intensamente a alma encantada das ruas do Centro, hoje só vou com objetivo pré-determinado. Tenho me repetido em muitas visitas ao Bombeirinho, a maioria delas não tenho descrito por falta de ânimo, cansaço de escrever sobre o mesmo tema. Desde que o sexo deixou sua face de mistério na minha existência, me vi obrigado a procurar situações que pudessem compensar a excitação perdida com o ato que virou hábito. Tudo que é mecânico me entedia.
........................
À noite, são poucas as opções de caminhos viáveis para o Bombeirinho. Eliminem a Avenida Marechal Floriano. Costumo seguir pela Avenida Presidente Vargas, atravessar uma praça sombria e alcançar o trecho remoto da Rua da Conceição onde se encontra a boate. Na esquina da Rua da Conceição com a Marechal Floriano há um boteco antigo e ladrilhado onde me sento algumas vezes para beber antes de iniciar a batalha. Faço esse trajeto com todos os meus alarmes ligados e com o cu na mão, para não arriscar que se rompa esse bem imaterial tão valioso.
Citei em outros relatos, tenho encontrado a casa sempre cheia. A única que está sempre cheia. A diversidade de mulheres também é mais farta do que em outros estabelecimentos do mesmo gênero e até de status superior. É um inferninho essencialmente popular, frequentado por bermudas, bonés e chinelos havaianas, o que não nos impede de encontrar garotas atraentes à disposição.
O interior da boate, como também já descrevi em outros relatos, é muito semelhante a uma caverna. O ambiente é escuro, bem escuro. A música é alta, o funk proibidão castiga os tímpanos, a bebida tem preço justo e há pequenas mesas espalhadas para os fãs de baldes de cerveja se apoiarem.
Nesta última visita escolhi uma negra descomunal, coisas do Bombeirinho. Menina com rosto bonito e um corpo de nos causar vertigens quando tentamos focalizar as curvas. Babei quando vi. Fiz a entrevista básica e paguei dois drinks para criar o clima. A mulher se apresentou como Shiva. Padecendo de uma ereção temperamental, passei a pedir uma alcova fora do cronômetro padrão, tenho alugado por uma hora e meia.
........................
Os quartos do Bombeirinho se parecem mais com jazigos do que com quartos, mas é o que temos. Apesar do Hotel Sevilha ficar próximo, nunca consegui rebocar nenhuma garota para poder degustá-la com mais conforto, a não ser que eu fique até a casa fechar na alta madrugada. Acabo aceitando qualquer jazigo disfarçado de quarto.
Não vou me estender descrevendo o momento sexual, isso tem sido o que mais me satura quando escrevo relatos. Sempre é igual e por uma estranha razão todos nós nos colocamos mais como protagonistas do que aquelas que nos oferecem o momento sagrado do gozo.
Shiva se disse completa, chupa muito bem, executa uma cavalgada especialíssima que foi capaz de me fazer gozar em pouco tempo. Não fala muito, mas beija muito e beija bem. Conquistou este velho escriba há forte possibilidade de que eu retorne para repetir o encontro.
Saciado, corri para a Presidente Vargas, sinalizei para um táxi e retornei à bucólica Tijuca. Até a próxima fome.