BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
DISSE QUE FAZ
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
—Charles Baudelaire
Fiquei estático, paralisado, eu não conseguia me mexer, mal respirava, foi como se tivessem inoculado um veneno que me enrijeceu. Fez-se o silêncio na velha cafeteria da entorpecida Avenida Marechal Floriano. Alta, a loira possuía uns olhos verdes que faiscavam, conseguiu suspender a respiração de todos os que estavam presentes no instante em que ela entrou.
Encaixada em um vestido preto, curto e justíssimo, exibia pernas torneadas e cobertas por uma leve penugem dourada, tem uns 25 anos de idade. Os longos cabelos platinados escorriam em cachos suaves pelas costas, quase até a fronteira com uma bunda em relevo firme e esférico indisfarçável pelo vestido, que com aquela protuberância ganhava ares indecorosos. A loira intimidava pela perfeição imoral que exibia.
O diabo existe e estava diante de mim na forma de mulher. Se aquela criatura dotada de beleza extrema estalasse os dedos, seria capaz de conduzir milhares de almas ao purgatório, inclusive a minha. A loira, no entanto, moveu os dedos somente para pegar a xícara cheia de capuccino.
Não me perguntem como e muito menos o porquê, mas pressenti a vibe, a suspeita foi inevitável, apostei que a loira fosse puta. Preparei-me para segui-la assim que deixasse a loja do Café Capital. Ela sorveu com calma o conteúdo da xícara, os olhos faiscantes mostravam-se distantes dali. Mantive-me na tocaia, aguardando e balançando a minha xícara, que naquela altura só guardava a nostalgia pelo café.
A loira terminou o ritual, levantou-se da cadeira, puxou a barra do vestido para baixo e caminhou em direção à avenida dos antigos sobrados. Fui atrás com o desejo e as fantasias de um perdigueiro cansado, mas pervertido.
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À medida que caminhava, a loira apressava os passos, andava cada vez mais rápido, como se estivesse atrasada para algum compromisso. Permaneci no encalço, arfando enquanto tentava acompanhar o ritmo daquelas pernas longas e fortes, estava decido a conhecer o destino daquele colosso de mulher.
Seguiu pela Rua Uruguaiana, entrou na Buenos Aires, diminuiu a rotação para observar as vitrines femininas prestes a arriar as portas. Prosseguiu. Enquanto deslizava pelas calçadas carcomidas do Centro, a loira arrastava olhares como as sereias arrastam os marujos que afogam no mar. A mulher é dessas divas magnéticas, cada olhar que esbarrava na sua passageira presença via nela as mais pecaminosas fantasias juvenis.
Após um bom estirão percorrido, ela entrou no único lugar capaz de me fazer interromper a perseguição, o bordel 4X4. Meu instinto estava certo, era uma puta. Que delirante esperança eu posso ter nutrido de que a loira épica entraria num trash de algum beco qualquer?
O céu pesado sobre a minha cabeça, a ameaça de chuva iminente... meu celular emparelha com o aparelho auditivo e Lenny Kravitz invade os meus tímpanos como se me provocasse: para de frescura, pega essa mulher, deixa de merda.
FLY AWAY
Ele me convenceu. Quando dei por mim, já estava subindo os degraus da casa para onde, em algum ponto do tempo, todos os libertinos convergiram e continuam convergindo. O resto se resume aos mais de quinhentos reais que gastei, ao meu mergulho no corpo vastíssimo de Sofia, ao orgasmo que me estremeceu como uma pequena morte no leito azulado pela iluminação da suíte. O resto foi o sonho de ter uma mulher belíssima que não é de ninguém porque escolheu ser de todos, foi olhar dentro dos satânicos olhos verdes e enxergar o imenso amor que ela nutre pelo dinheiro. O resto foram as ruas desoladas no abandono e a nova música que fez a trilha sonora da noite ao inundar os meus ouvidos surdos enquanto a penumbra se adensava.
IN THE SHADOWS
Lentamente, fui desaparecendo nas sombras noturnas para onde também convergem todos os libertinos.