BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
DISSE QUE FAZ
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
O Sol vespertino incinerava corpos e pensamentos, o céu oprimia os olhos pela ditadura monocromática do azul imaculado, o crematório urbano exibia-se enquanto eu caminhava por entre as brasas de verão da Rua Uruguaiana, após sair de mais um almoço nababesco no Coliseu das Massas. É possível que eu mais me arrastasse do que caminhasse pelas calçadas. Empanturrado de massa, comecei a pensar em sexo à medida em que me aproximava do numeral 24 da mesma rua. Pensei duas vezes antes de galgar as tortuosas escadas, tive receio de ser acometido por uma congestão durante o ato sexual, mas a libido nos suprime o juízo e subi para mais uma viagem de deleites naquele muquifo imperdoável.
Passo pelo primeiro andar e as vampiras da penumbra praticamente me cercam, todas com seios à mostra, em uma tocaia ensaiada de mamas.
— Vem provar minha xoxota — diz uma.
Há quantos anos não ouvia a palavra “xoxota”, fazia tanto tempo que xoxota me soou aos ouvidos como peça de um museu feminino de gerações remotas. Ignorei a xoxota e me arremessei para tentar alcançar o segundo andar, mas me seguraram pelo braço. Sim, as mulheres do primeiro andar são ousadas, qualquer hora cobrarão pedágio para que possamos acessar os outros pavimentos. Quando girei o pescoço para ver quem impedia o direito de ir e vir, vejo que meu braço estava preso pelas mãos de uma menina que era a cara da Bolota das histórias em quadrinhos, ao seu lado uma outra garota gargalhava em soluços me encarando, provavelmente a Brotoeja. Bolota não tinha seios, eram tetas literais e inquestionáveis, um par de peles flácidas lutando inutilmente contra a lei da gravidade e prevendo que o chão seria o último limite; Brotoeja, a comparsa, me lembrou um Gremlin, difícil encontrar um elemento comparativo que ofereça a imagem precisa da ausência absoluta de beleza da moça, é daquelas que a voz do povo diz “feia que dói”. Não foi fácil me livrar daquele embaraço antes de escutar todos os chavões da publicidade de puteiro: cu, leitinho, xoxota, boquinha, pau etc. Esgotado o discurso publicitário da Bolota, sentindo-se rejeitada, ela soltou o meu braço ao mesmo tempo em que me lançava um olhar de poucos amigos. Agarrei-me ao corrimão e continuei subindo as escadas.
Na Uruguaiana 24, sempre cultivei preferência pelo segundo andar, foi lá que degustei por muitas vezes uma mulher chamada Isa, a quem conheci originariamente no Rosa Vermelha, em São Cristóvão. Tive uma afinidade visceral com Isa na cama desde o primeiro encontro, é dessas mulheres em que a gente encosta e a ereção é instantânea, fenômeno raro que valorizo muito. Pensei que nunca mais fosse vê-la, perdi seu telefone, mas o destino, cuja alma são as surpresas do cotidiano, me colocou novamente diante dela naquela tarde escaldante. Acredite, forista sem fé, meus olhos brilharam quando a vi próximo ao balcão acompanhada de um sujeito grisalho e segurando um copo de cerveja nas mãos. Não demorou para que ela me visse e percebi que também se surpreendeu com emoção pela minha presença. Ficou ainda alguns minutos com o grisalho, até que ele saiu de perto e finalmente nos abraçamos.
Tomamos juntos uma birita e a convidei para ficarmos juntos. Ela me joga numa daquelas baias que mais parecem maquete de cela do Carandiru. Saiu, e logo voltou com a máquina do cartão, paguei pelo período de uma hora. O colchão da pequena cama da baia deve ser recheado de ácaros, não de espuma. Quando me sentei, senti a bunda pinicar, mas o verdadeiro libertino é homem que mija em pé, nada teme. Recostei-me e Isa me abocanhou num boquete rapel, sua boca subia e descia em movimentos vertiginosos, precisei pensar no incêndio do Museu Nacional, nas Lives do Bolsonaro, na voz do Lula, no Wolf sentado no Zezé, tudo para evitar a ejaculação precoce. Consegui resistir. Isa se deita, abre as pernas, me oferece a vagina que chupo com a sede dos camelos, acreditei que ela gozou. Ela fica de quatro e preparo meu combalido pênis para a penetração, gozei depois de poucas estocadas, como se fosse um coelho intoxicado por viagra.
Nada mais a fazer, nos despedimos, Isa me pediu para não sumir, eu prometi retornar. Desço um lance da escada sinuosa e me deparo novamente com Bolota, a gordinha chapa a mão no meu pênis sensível e comenta aos gritos com a cover feia da Brotoeja:
— Ai, o piru dele é gordinho, parece salsichão — Brotoeja, numa incansável bajulação, gargalha como um Neandertal descobrindo o fogo.
Antes que elas me colocassem no espeto, corri em busca da saída e ganhei as ruas sob as chamas implacáveis do astro rei. A aventura continua... Libertine-se