12 de Outubro de 2022 às 08:33
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

SIM

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM




A castidade é a mais anormal das perversões sexuais.
—Aldous Huxley


(Este relato chega com algum atraso, mas nada que comprometa a atualidade do seu conteúdo.)

SWING COM MÉNAGE — BOATE MISTURA CERTA

Valor da entrada casal:
- Até 23:30 - R$80,00 com R$30,00 consumíveis no Bar
- Após 23:30 - R$80,00 de Entrada (consumação à parte).


MONÓLOGO FILOSÓFICO

Sou um solitário que já perdeu a conta dos corpos a que tentei me unir. Envelheço em um grande chalé que divido com uma cadelinha poodle, me enclausuro em uma biblioteca que me serve de fortaleza. O mais grave é que sou um apaixonado pela própria solidão, pela minha ordem interior, pela paz indevassável. Sofro de uma inaptidão visceral para me apegar a quem não se interessa em corresponder expectativas, mas admiro os detalhes dos pequenos gestos de afeto. Tudo isso me transformou em um promíscuo noturno, me acostumei ao desencanto e por esse motivo é que valorizo muito o encontro com o feitiço da paixão.

O desempenho sexual pode se tornar menos eufórico para alguns homens que ultrapassam o limite da meia-idade, mas o que realmente nos envelhece é a incapacidade de renovarmos o olhar sobre a vida. Todos os dias, tento enxergar o mundo por uma nova perspectiva; tento viver, sempre que possível, as novas experiências que se apresentam.

A dificuldade para experimentar novas perspectivas sexuais reside em encontrar uma outra personagem lasciva que se identifique com os nossos propósitos devassos. Eu a encontrei, seu nome é Isadora Vilhena, essa imperatriz que reina sobre mentes, corpos e corações.

Rogo aos admiradores dessa mulher fora de série que não alimentem ciúmes. Regozijem-se pelas orgias que este velho escriba, cansado de tantas batalhas, vem descrevendo durante o próprio crepúsculo. Não queiram competir, apenas comemorem comigo.

Eu e Isadora somos dois personagens intensos, cada um à sua maneira, cada qual com suas ações e reações. Nosso afeto se aprofunda, não pela harmonia, mas pelo conflito, pelo debate vigoroso sobre posturas e ideias. Ambos, partilhamos de um senso crítico implacável. Certa vez li em algum lugar que só os divergentes possuem a admirável oportunidade de convergir, são indivíduos que fazem do equilíbrio uma construção diária que espanta o tédio da convivência linear.

Recentemente nos afastamos por um breve período, por discordâncias mútuas e diversas. Decepcionado com a minha desistência de continuar erguendo o porto em que Isadora é o farol, descambei novamente para outras camas e percebi o quanto a variedade de mulheres se tornou desinteressante para mim. A idade está me tornando um monogâmico fervoroso.

Procurei Isadora, conversamos, me desculpei pelos excessos, pelas palavras mal colocadas e refizemos a nossa conexão com a promessa de tentarmos exercitar a paciência, aprimorar a compreensão, suprir as expectativas de cada um e reafirmar o compromisso de ter sucesso na relação que concordamos em manter. Foi um momento de êxtase quando alcançamos a convergência. Acredite, forista sem fé, a convergência entre almas diferentes causa o mesmo efeito de um orgasmo.

No instante em que escrevo este relato, me recordo dos nossos bate-papos todas as manhãs, dos nossos cafés da tarde regados a pão francês e frios, dos nossos encontros furtivos nos intervalos do trabalho. Pequenas delícias que indicam a promessa de um final feliz.

HORA DO SHOW

Ir com Isadora ao swing é se sentir como participante de um filme pornográfico dos mais excitantes. Combinamos o valor, o tempo, os detalhes da nova empreitada e perto das dez horas da noite de uma quinta-feira nublada atravessei a melancólica Cinelândia para buscá-la em frente à portaria agitada da Álvaro Alvim, 37. Ela desceu vestida com uma blusa decotada, encaixada em uma minissaia justa que exibia o contorno explícito e provocante de sua bunda indiscutivelmente perfeita. Embarcamos em um táxi e partimos para o Mistura Certa.

A boate estava vazia, pouquíssimos casais e um punhado de solteiros. Confesso que gosto mais do swing às sextas-feiras, o clima de festa e o entusiasmo das pessoas pulsa, mas é preciso nos adaptarmos ao possível para não transformarmos alguns prazeres num ato impossível. Buscamos um lugar estratégico, nos sentamos e observamos o movimento para nos ambientarmos.

Decidimos girar pelos redutos do pecado, paramos numa sala escura, namoramos, desamarrei a blusa de Isadora e deixei seus seios expostos. Infelizmente, a única coisa que consegui atrair foi um punheteiro que nos seguia e se masturbava incansavelmente, mirando o pau na minha direção, um trailer de terror. De resto, um casal chocho ficou num amasso meia boca quase ao nosso lado.

Ainda não havíamos entrado no famigerado labirinto da luxúria, mas finalmente nos encaminhamos para ele, numa última tentativa de buscar o bacanal. Compreenda, estimado forista, atualmente o meu prazer está mais nos olhos do que no pau, mas não se lamente por mim, há mais deleites entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.

Deitamos na grande cama fincada no centro do labirinto, Isadora me pede que eu levante a sua minissaia, atendo o pedido e deixo sua bunda sem calcinha exposta enquanto nos beijávamos ardentemente.

Logo, um grupo de cinco homens e dois casais começaram a nos rodear, um sujeito alto e calvo se aproxima e arrisca-se a alisar a perna da minha parceira, reparo que ele se excita num rápido crescente, veste o preservativo, puxa o corpo nu da Isadora e a penetra pela frente. Ela geme, outro rapaz se aproxima e chupa um dos seus seios, aproveito para mamar o seio desocupado, o homem magro continua a socar a boceta de Isadora, ela geme mais. O sujeito alto e calvo goza e se afasta.

Um segundo homem se ajoelha para lamber o seu clitóris. Naquela escuridão, ouço ele anunciar: “a boceta dela é doce”. Alguém descobriu o segredo óbvio que eu pensava ser o único a conhecer.

Um outro jovem se aproxima, posiciona Isadora e a possui também na posição papai e mamãe. Ela volta a gemer, o garoto mete devagar, num ritmo de quem quer degustar o momento como se degustasse um vinho raríssimo. Noto que Isadora está mais excitada, geme mais alto, goza e amolece o corpo. O rapaz continua metendo, não mais resiste e goza também. De repente, olho em volta e vejo que estou cercado de perus eretos por todos os lados, homens enlouquecidos pela Isadora. No meio daquele breu, tive receio de ser currado por engano.

Encurralaram Isadora, através das sombras eu testemunhei que ela abocanhava mais de um pênis ao mesmo tempo, alguns homens alisavam seu corpo, outros seus seios, sua barriga, suas pernas. Mãos intermináveis exploravam a geografia delicada de Isa em cada centímetro. Ela não se intimidou, continuava a gemer, o que os excitava ainda mais.

O sujeito alto e calvo, o mais empolgado, retornou, segurou seu pescoço, beijou sua testa e num gesto de extremo romantismo citou a frase que marcaria a essência daquela orgia:

— Faremos o que pedir, você é linda, somos todos seus súditos — o olhar do indivíduo expressava mais uma promessa de amor eterno do que a ameaça do gozo iminente, só faltaram os violinos para acentuar o clima.

Isadora fica de quatro, um outro rapaz a penetra contemplando a sua bunda empinadíssima e fica repetindo o mesmo mantra:

— Gostosa! Gostosa! Você é muito gostosa!

Enquanto isso, Isadora executava uma garganta profunda em um pênis que surgiu do meio da penumbra, a vítima não resiste e goza em poucos segundos.

CAI O PANO

Nossa hora havia chegado, alerto a minha companhia, não foi fácil sairmos daquela roda viva de sexo, tivemos que forçar passagem.

É difícil descrever uma orgia povoada por muitos homens e que conta somente com uma única mulher capaz de nocautear todos eles. Assisti a supremacia de uma amazona diante da fome masculina. O que eu posso dizer? Foi um capítulo inesquecível da minha biografia erótica.

Uma hora da madrugada, encerro por aqui este relato insone. Continuo esperando que chegue o “boa noite” que recebo todas as noites, mas pela hora não será mais um boa noite... Sempre admirei gestos de afeto que pairam acima das divergências.

Paixões libertinas são sempre imprevisíveis quando não são avassaladoras. Divergentes se completam pelas diferenças que permitem o encaixe, nunca pela monotonia que embala as almas gêmeas. Há noites que parecem eternas, mas o amanhecer é a certeza inabalável e exuberante que renova a nossa fé na união perfeita. Talvez, Dante não seja mais o mesmo personagem se eu deixar de citar a minha metade impetuosa batizada como Isadora. Que venha a próxima aventura. Yes Girl9