26 de Setembro de 2022 às 22:16
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

DISSE QUE FAZ

ANAL

DISSE QUE FAZ

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

A noite ergueu-se solene, eu caminhava atravessando as brumas sombrias das esquinas, esbarrando em fantasmas de outras eras que ainda assombram a secular Av. Rio Branco. Os espigões soterram o passado francês da antiga Av. Central, Machado de Assis não circula mais pela rua do Ouvidor, João do Rio não escreve mais sobre seus recantos, mas eu continuo vivo, alerta e me embrenho destemido por um cemitério de memórias que se desintegra a cada novo ano. Escrevo sobre o apocalipse. Então, meu aparelho auditivo emparelha com o celular e uma música embala meus passos.

Say My Name


Meu nome? Eu me chamo Dante. Não havia destino, navegava à deriva. Quando alcancei a rua da Alfândega, decidi entrar no Clube 502, uma boate que ajudei a reconstruir os tempos de glória e que agora vive um melancólico declínio. O simpático rapaz que distribui as comandas me recebe com um sorriso...

— Sumiu, mestre. Tava apaixonado?

— De volta e apaixonado pela vida. Como está a casa? — pergunto.

— Umas quinze mulheres.

Ele me entrega o cartão e escalo com calma as escadas incontáveis do sobrado, senti vontade de acampar no meio do caminho para recuperar o fôlego, mas prossegui. Quando alcanço o salão, uma antiga conhecida me abraça, a loira Cris.

— Danteeeee! Você voltou! Tava apaixonado?

Por que todos me perguntam isso? Respondi que estava dando um tempo, tentando encontrar a redenção. Entro na boate e uma música do momento dominava a pista...

Ed Sheeran

Confesso, afeiçoado forista, meu corpo foi capturado pelo som, ensaiei uns passos, me recordei da remota juventude. Duas moças se aproximaram, começaram a rebolar e roçar em mim, éramos três dançando, pedi para uma delas me trazer um uísque e continuei com a mais bonita. De repente, reconheci o rosto, era a Bella, uma loira que provei em um privê da 13 de Maio, linda, sarada, sexy. O uísque chegou, bebo o primeiro gole, sinto o gosto acre rasgar a garganta, as pupilas se abrem, as luzes reluzem mais, o som fica mais envolvente. Continuamos dançando, o velho Dante e as duas bacantes querendo me devorar. Sugerem um trio, mas eu recuso, preferia ter só a Bella novamente. Pedi uma alcova.

Dentro do quarto, Bella se desnuda e exibe seu corpo definido em músculos na medida certa, os seios indescritivelmente perfeitos, a bunda empinada pela musculação, coxas grossas e torneadas, os cabelos loiros que escorriam pelos ombros, pelas costas. Abraços, beijos profundos na boca, mamadas em seus seios, nos embolamos na cama, corpos que se confundiram num só corpo, meu combalido pênis ergueu-se e roçava perigosamente nos descaminhos daquela mulher feita de perfeição. Ela me chupa, quer meu leite, mas não me entrego. Inverto a posição, mergulho com a boca em sua vagina quente e úmida, minha língua lambe seu mel, ela se contorce e goza sem pudores. Bella se põe de quatro e me pede...

— Agora, deixa eu te sentir, Dante...

Ajoelho-me e penetro em seus domínios mais profundos, como um monge que entra maravilhado em uma sagrada catedral. Bella é para se comer ajoelhado e agradecendo a graça concedida. Ela geme alto enquanto me abriga nas fronteiras mais profundas do seu útero, começo a socar devagar e acelero junto com o meu entusiasmo. Gozo como um crente que presencia um milagre. Ave, Bella.

Conversamos, nos despedimos, volto a recepção, pago a conta, desço os degraus do sobrado e reconquisto o noturno das ruas. Como em um novo milagre, meu aparelho auditivo capta uma música do Legião Urbana pelo celular, me comovo...

“Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição”


Perfeição

Embrenho-me nas sombras, me misturo aos fantasmas, desapareço. Todo libertino é eterno até que suas cinzas se desfaçam sobre um novo corpo em pecado.