BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
DISSE QUE FAZ
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
SIM
Meia hora depois, o cenário do restaurante se ilumina, Gisele entra com seus longos cabelos loiros, shortinho jeans desfiado, camiseta justa e se aproxima para me abraçar e me trazer um beijo daqueles que faz a gente pensar que arrumou namorada. Baião de Dois e AXL ficam atônitos, como se estivessem vendo uma entidade que imaginavam fictícia se tornar real. Gisele estava radiante, linda. Disse que não poderia demorar e me perguntou se eu não queria ir logo com ela para o Palácio de Cristal, não titubeei, respondi que sim. Meus dois companheiros de conversa tinham lido os relatos sobre a boate, mas não consideraram conveniente visitá-la no dia da festa da visibilidade trans. Compreendi os argumentos, estão recém-separados e ainda falta aquela coragem para ousar. O olhares de AXL e Baião de Dois para Gisele salivavam quando nos despedimos e parti com a diva stripper para subir os degraus do velho sobrado onde está instalada a boate.
O salão lotado, não havia mesa vaga. Gisele foi falar com o garçom Maquita para dar um jeitinho para mim e ele improvisou um lugar perto do palco. Uma noite atípica, muitas travestis, algumas que deviam ser conhecidas, pois foram reverenciadas pelo público presente. Gisele me deixou só, foi falar com outras pessoas e se preparar para as apresentações que faria. Maquita demorou para me atender, mas veio com a cachaça quando apareceu (que fama de cachaceiro estou conquistando).
— Garotoooo, você de novo aqui — Monike (com K), a travesti do primeiro relato, conseguiu me localizar na multidão — Tá sozinho outra vez?
— Estou com a Gisele, ela me convidou — respondi com um tempero de orgulho.
— Uuuui. Ele não é fraco, não — segue-se a frase uma risada quase histérica.
Monike se afasta e Maquita chega com o segundo copo de cachaça, mas anota três doses na comanda. Deixei passar. Estranhei que não me oferecesse a famigerada empada. Batidas da caixa de som, as luzes se apagam, o palco se ilumina devagar e entra uma trans dublando AUTOMATIC LOVER ao lado de um sujeito fantasiado de robô. Viajei no tempo, foi foda. Grande performance.
Automatic Lover
Um breve intervalo e entram uns boys no palco fazendo coreografia do Village People com Macho Man tocando ao fundo e eu, o velho Dante, libertino de tantas e incontáveis mulheres, assistindo a tudo na fila do gargarejo. A vida nos reserva situações inimagináveis. A apresentação termina, outro intervalo.
Reconheço, estimado forista, eu já estava meio vesgo pelo efeito das doses de 51, mas pude viver para assistir a um dos momentos apoteóticos desta minha breve existência. Reconheci o som do Enigma quando ele vazou das caixas, o palco se acendeu em uma tênue luz azul.
Age Of Loneliness
O cenário mostrava um homem vestido de padre, amarrado a uma cadeira, cabeça presa. Quando a música ganha corpo, Gisele entra vestida de freira, aproxima-se do “padre”, lambe seu rosto e começa a rebolar como a serpente que corrompeu o paraíso. Mesmo com o hábito branco cobrindo seu corpo impecável, ela transpirava sensualidade. O “padre” estático fingia resistir à tentação e Gisele o provocava, roçando-se e despindo-se com a graça e a leveza de uma bailarina. No fim, com os seios divinos à mostra e um minúsculo fio dental vermelho, ela sobe na cadeira em que o “padre” está amarrado, leva sua boceta até o rosto da vítima e uma luz vermelha ilumina a boate como se fosse a chama do pecado. Tudo se apaga. Trevas. O palco se ilumina, Gisele e o “padre” agradecem e os aplausos rompem frenéticos da plateia. Acredite, forista sem fé, eu vivi para ver isso, talvez não precise mais testemunhar muitas coisas no resto da jornada. Definitivamente, Gisele é uma divindade sexual.
Ela veio beber comigo, me pediu para ficar e assistir a outros dois shows que ela ainda faria, mas eu estava muito bêbado e cansado. Ela me puxou para uma das cabines do banheiro, nos pegamos, não rendi muita coisa. Esta semana, ela irá para São Paulo e depois para Florianópolis, passaremos alguns bons dias sem contato físico. Sim, afeiçoado forista, o libertino ama, ama demais, por um tempo que é mais curto do que a vida. O libertino é a terra onde o amor brota, mas não frutifica. Quando saí da boate, começou a tocar World Hold On e foi um delírio geral, não olhei para trás para ver o que acontecia. Ganhei as ruas. A partir de agora, qualquer aventura é possível...
World Hold On