BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
SIM
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ

O celular toca enquanto eu bebia em um boteco remoto da Lapa. O dono da Mosaico me chama para ir a festa que acontecerá na casa. Um libertino não rejeita convites. Bebo uma última dose da Salinas, pago a conta e vou procurar o Herbie (meu fusca), que me lembrava ter estacionado em algum ponto da sombria rua Gomes Freire. Avisto Herbie, pacato e silencioso sob a sombra de uma árvore centenária. Aciono o motor, o fusquinha ronca como um Lázaro que ressuscita. Encaixo um disco aleatório no CD-Player e o som surpreendente de Enigma transborda das caixas de som e inunda a cabine...
Age Of Loneliness
Acredite, forista sem fé, não resisti. Desci do fusca abri as portas e fiquei dançando discretamente, embalado por aquela melodia que parecia fluir da própria madrugada. Talvez, uns poucos travestis que me observavam de longe tenham imaginado que se tratava de um gay surtado, não me importei. A brisa glacial daquela noite se dissipava enquanto meus movimentos desconexos aqueciam o sangue. Que liberdade, que êxtase que experimentei. Voltei ao fusca, acelerei e a faixa do CD virou para Gravity of Love, também do Enigma.
Gravity of Love
O fusca deslizava sobre o negrume desabitado do asfalto, as luzes pálidas de vapor de mercúrio descortinavam cenários em um deserto de silêncios. A cachaça girava em mim, alterando a minha percepção, me obrigando a comungar com todos os fantasmas que percorrem a noite sem terem descoberto o sentido de uma existência que se foi. Quando alcancei a Praça da Bandeira, fogos de artifício explodiram no céu, próximo à linha do trem, sem que eu soubesse de onde partiam. Tudo se acendia em luzes coloridas, me senti jovem. É provável que a velhice seja isso, o descompasso entre a mente e o corpo. O corpo envelhece, mas a mente rejuvenesce.
Embico na noturna rua Ceará, mantenho o rumo até a Hilário Ribeiro e estaciono. Assim que desço do veículo, um rapaz se aproxima e faz uma reverência respeitosa que destruiu todas as minhas ilusões de juventude.
— Tio, com todo respeito, o senhor se parece com o meu falecido avô. Levei até um susto quando o senhor saiu do carro.
Quis mandar tomar no cu, mas compreendi a carência daquele menino cumprindo seu papel de flanelinha. Como vingança implícita, dei cinquenta centavos e prometi dar o resto do valor que ele me pediu para guardar o carro quando retornasse. Não dei. Quando passo em frente ao bar “O pecado mora ao lado” (sim, existe um bar com esse nome nos arredores da Vila Mimosa), identifico um som que adoro: Tal king Heads - Psycho Killer. O impulso de dançar me assaltou novamente, mas segurei a onda e evitei desmunhecar. Melhor não fazer disso um hábito.
Psycho Killer
A Mosaico já estava em frenesi quando cheguei, apresentei-me na portaria e o costumeiro tratamento VIP me é oferecido. Mosaico é a minha Fortaleza da Solidão, um lar cravado nas vizinhanças do desbotado passado imperial. Logo de cara, vejo alguns amigos libertinos, trocamos ideias, brindamos com cervejas e gritamos o lema:
“There Can Be Only One”
Como revelei, libertinos são poucos, pois não se reproduzem. Vivem para o momento, para o prazer, para as descobertas, guiados pela luxúria. Cumprimentei a gerente, os funcionários e fui rondar a pista em busca de alguma presa. Não demorou para que eu e Marcele nos esbarrássemos, ela se aproxima afirmando que prometi levá-la para a alcova na última visita, mas sumi. Pago minhas dívidas com juros, reservei uma suíte para nós dois.
Para aguardar a arrumação do quarto, ficamos no camarote. Marcele serpenteava na minha frente, roçava a bunda no meu combalido pênis, me mostrava seus peitos de pera para provocar minha saliva. A garota se empolgou na performance erótica e comecei a me sentir Harrisson Ford com Emmanuelle Seigner numa lendária cena de “Busca Frenética”.
Busca Frenética
O quarto ficou pronto.
Escrevo este relato da rua e aqui seria o ponto onde eu narraria toda aquela mesmice da objetividade do sexo, porém, hoje eu me recuso. Digo que Marcele não decepcionou. Completa, oral estupendo, beijos voluptuosos, seios divinos. Gozei horrores, mas não consegui fazê-la gozar. Quando nos despedimos, ela me passou o whatsapp e sugeriu que nos encontrássemos fora. Quem sabe? As primeiras fagulhas da manhã começavam a despontar no horizonte. Cazuza cantou na mudez da minha mente...
“Pro dia nascer feliz O mundo acordar e a gente dormir, dormir. Pro dia nascer feliz. Essa é a vida que eu quis. O mundo inteiro acordar e a gente dormir...”