07 de Dezembro de 2013 às 00:00
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

07/2010


Madrugada de quinta para sexta-feira.

Prostitutas não são apenas o nosso obscuro objeto do desejo, elas representam a nossa evolução.

Na juventude, pagamos pela curiosidade, pelo mistério. Pagamos pela descoberta.

Na fase adulta, pagamos para saciar uma sede interminável, a libido embaça os sentidos. É a luxúria. Pagamos pela boceta.

Quando amadurecemos, o sexo já não nos domina, há um vazio detrás do orgasmo. Pagamos pelo Amor.

Quanto mais envelheço, mais me entedio. Talvez, seja um desvio psicológico, alguma espécie de insanidade, o meu desejo só desperta pela adrenalina. Gosto dos bordéis. Aprecio as mulheres-pizza ou garotas delivery, as nossas conhecidas Frees. Porém, nada disso me emociona. Não há incêndio se não houver risco.

O silêncio era cego, a pista da Av. Rodrigues Alves ocultava os sons em ninhos de penumbra. A luz mostrava timidez na rota que leva ao Cemitério. O celular direcionava para uma Caixa Postal. Eu não sabia se iria conseguir encontrá-la. Não sabia sequer se ela ainda fazia ponto no mesmo local. Prostitutas são entidades etéreas, aparições que se desvanecem sem deixar vestígio.

Durante a madrugada, alvorece um universo paralelo, chama-se Av. Brasil. Naquela imensa reta sombria, todos os caminhos se entortam. Minha bússola era o Cemitério. Girei o volante, eu e o Sucatão penetramos na Av. Monsenhor Manoel Gomes. Às margens do Campo Santo, procurávamos o um milagre: Gisa.

Há quem duvide. Há quem não creia. Leões de cativeiro terminam esquecendo-se do cheiro acre da selva, do calor abrasador da caça. Não, Forista sem Fé, eu ainda não desisti. Logo no princípio da Avenida, diante do Memorial do Carmo, minha Ninfa Poltergeist defendia o seu posto. Ruiva, alva e bela. Se os Deuses não a tivessem criado mulher, seria uma esfinge desafiadora sobre algum mausoléu antigo.

Não sei explicar o porquê, eu estava solitário, avistar a Gisa foi como encontrar uma ilha após dias à deriva na aridez do mar. Emocionei-me. Fiz a volta para outra pista e estacionei o meu táxi diante dela. Não houve palavras. Houve um sorriso, desses tão deslumbrantes que o coração palpita ao encará-lo.

Abri a porta, finquei minhas botas no asfalto, dei uns três passos e nos beijamos. O cemitério girou, as tumbas giraram, a Av. Brasil girou, o mundo inteiro rodopiou na vertigem daquele beijo. O rádio do carro estava ligado, volume alto, sintonizado na JB FM. A Natureza não recompensa os céticos, mas acaricia os que acreditam. Neste exato momento, a música que vazava pelas caixas era All For a Reason – Alessi Brothers.

https://www.youtube.com/watch?v=ZTLO9dnVhsY

Do sepulcro, nascia o Amor.

Ela entrou no carro. Iluminados pelas velas que guiam as almas, rumei para o Motel Stop Time.

Dentro do quarto, ela se despe e revela o corpo sinuoso. Seios firmes, pernas grossas. A barriguinha seca, ornada por um crucifixo prateado na altura do umbigo. A Gisa não é somente bonita, possui o toque inexplicável do estilo.

Eu me deito e ela envolve o meu membro com os lábios, sempre com a boca fresca, refrigerada por uma bala halls. A chupada com sopro de menta é como aprisionar o pau numa gaveta de necrotério. Gozar é morrer. Provavelmente, por esse motivo, os melhores boquetes tenham buscado a vizinhança do cemitério.

Ejaculei com tanta força naquela boca que a minha visão tonteou. Um impacto profundo. Ela pousou a cabeça sobre o meu peito, afagou meus cabelos e conversamos amenidades.

Hora de ir. Eu a devolvo ao seu local de origem. Antes de sair do Sucatão, ela me olha com uma ternura cativante. Retoma sua posição, me lança outro sorriso e eu acelero para lugar nenhum. Pelo retrovisor, a imagem da minha amante foi se tornando pequena na distância, emoldurada por um muro branco por onde cruzes e querubins se erguiam. Sobre a calçada, beirando à morada da morte, meu anjo pairava destemido. As asas escondidas num sorriso. Se Gisa não fosse um nome, seria um mantra.

A Av. Brasil fica para trás e a cidade volta a ser um ***** de olhos frios em busca de alguma ilha acolhedora.

(R$ 60,00 por 1h no Motel)