04 de Setembro de 2020 às 22:55
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

DISSE QUE FAZ

ANAL

DISSE QUE FAZ

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM

Aproximavam-se os primeiros minutos da madrugada quando estacionei o Sucatão na penumbra de mistérios e devassidões da Rua Ceará, à margem da Vila Mimosa. A terra da perdição, das mulheres erradias, dos homens extraviados. “Vós que entrais, abandonai todas as esperanças”, escreveu o poeta Dante Alighieri sobre o Inferno, hoje ele escreveria a mesma sentença sobre os descaminhos da zona de meretrício. Na zona, o Sol é temido, pois seus raios amarelando o céu com a cor da cerveja encerram o ciclo da luxúria. As putas não querem que amanheça, os libertinos não toleram o amanhecer. São almas que amam a noite. A noite é uma mulher vadia que a todos recebe e abraça como madrasta generosa. Havia uma lua cheia imensa no céu despejando sua luz azulada nos hiatos escuros do caminho, meu destino era a Mosaico.

Segui meu rumo, de dentro de um bar vazava o som pesado do Evanescence...

Call Me When You're Sober

Como disse em outra ocasião, a Mosaico é a única casa que tenho me arriscado a frequentar esporadicamente durante a pandemia, pelo tratamento excelente que recebo e pela consideração que um dos gestores da casa parece ter por mim. Num mundo em que a ingratidão é master, eu contrabalanço tentando ser grato aos que me demonstram deferência. Alguns foristas nutrem recalques pela forma como sou e fui tratado em algumas casas, se eles fossem legítimos libertinos talvez também conseguissem ser vistos como presenças importantes. Como escrevia Fernando Pessoa: “O mundo é para quem nasce para o conquistar E não para quem sonha que pode conquistá-lo”.

A Mosaico foi a única casa carioca que conseguiu causar aglomeração de clientes ao levar uma famosa atriz pornô para realizar um striper e ficar à disposição de quem estava presente na casa. Foi notícia de jornal por isso. Em tempos minguados, não é para qualquer um. Agora, a iniciativa está sendo copiada por quase todos os bordeis do Rio.

Costumo ficar na parte externa da boate. Nesta última visita, o garçom me trouxe um copo caprichado de uísque do bom e me avisou que era cortesia. Engoli o malte em um só gole. O mundo brilha mais bonito após um copo de uísque. Fiquei contemplando, pensando na vida, aproveitando o momento, até que avistei uma loira monumental desfilando na área. Linda. Antes que algum marmanjo abordasse a beldade, acenei para ela e perguntei se podia beber comigo. Ela veio em minha direção com um sorriso capaz de romper corações feitos de couro duro. Apresentou-se e se acomodou ao meu lado. Mila é seu nome, é de Búzios, estava ali naquela noite para conhecer a casa. Fiz a conhecida entrevista básica e decidi... Masmorra.

Dentro do quarto, a menina entra com uma toalha que deixa cair lentamente, revelando algo que não poderia ser chamado de corpo, vi uma escultura, um monumento, uma relíquia da Grécia antiga se desnudando diante dos meus olhos mortais. Seios médios de bicos rosados, barriguinha lisa e com uma penugem que refletia o tom dourado dos raros pelinhos que a decoravam, pernas grossas e torneadas e uma boca carnuda que me fazia salivar. Mila sacode os longos cabelos loiros e me abraça no prefácio de um beijo que me causou a sensação de estar dentro da Enterprise indo aonde nenhum homem jamais esteve. Acredite, forista sem fé, eu já provei muitos beijos, mas aquilo era uma abdução. A loira me empurrou na cama e desceu a boca num boquete rapel que me provocou vertigens. A vida sedentária após os cinquenta anos faz da ereção uma descoberta arqueológica. Antes que a magia do pênis ereto se dissolvesse, pedi para que a garota ficasse de quatro e penetrei naquela cavidade mítica que chamamos de vagina. Foi rápido, afeiçoado forista, gozei com um desespero de um coelho no momento da cruza e caí quase desfalecido naquele colchão em que tantos guerreiros foram derrotados por amazonas remuneradas. Estimado forista, se encontrar a Mila por lá, não titubeie: peça uma alcova.

Retornei ao Sucatão, inseri a chave e acionei o motor. Liguei o rádio numa estação aleatória, uma batida familiar inundou a cabine, o som de Pitty cantando "Pulsos". Saída de emergência.

Pulsos

A vida ainda pulsa...