13 de Julho de 2020 às 09:17
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

SIM

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM

"O amor é o triunfo da imaginação sobre a inteligência."
(H. L. Mencken)


A noite invernal exalava uma friagem orvalhada quando aportei o Sucatão na rua Ceará. Havia algum movimento de caminhantes, mas ali nunca sabemos se são gente ou fantasmas de boêmios acorrentados às funéreas lembranças do prazer carnal. Desço do carro em trajes de quem parecia estar desembarcando num planeta radioativo e sou abordado por um flanelinha magérrimo, um personagem gótico que completava o cenário da aventura. A Vila Mimosa é para o libertino o arquétipo da ilha de Avalon, foi nela que forjaram Excalibur, a espada que Eliseu arrancou dos paralelepípedos, ergueu às estrelas e fundou o seu reino: a boate Mosaico, a nossa desregrada Camelot da luxúria.

O leitor mais atento poderia ficar confuso e perguntar se não troquei Rei Arthur por Eliseu. Acredite, forista sem fé, escrevi corretamente. Eliseu é o atual gestor no comando da Mosaico, que numa rara exceção do mercado, não se comporta somente como gestor. Eliseu é o carisma, a alma, o sentido da existência da Mosaico. Sempre foi. É o único administrador de boate capaz de compreender que o cliente é uma conquista e não uma presença acidental. Para ele, qualquer cliente é essencial, sabe açodá-lo pela vaidade. É o soberano dos promíscuos. E o maestro está novamente à frente da orquestra.

Antes de sair de casa fiquei em dúvida sobre onde ir nestes tempos pandêmicos. Soube que a 502 está com meia dúzia de meninas e uma plateia média de três clientes, a 21 se encontra na UTI e respirando por aparelhos, a 65 nem sei como anda, a 4x4 permanece como jazigo perpétuo, a Cancún provavelmente é uma ilha caribenha com um náufrago dentro e a MV30 comprou uma mesa de sinuca para ocupar o espaço vazio. A única sobre a qual ouvi comentários positivos foi a Mosaico, o que facilitou a minha decisão.

Ao me aproximar da casa, a surpresa foi o razoável movimento de clientes e mulheres na parte externa. Surpreendeu-me ainda mais as medidas de segurança que estão praticando. Fazem medição de temperatura na entrada e a desinfecção constante no salão. Sim, afeiçoado forista, antes que me pergunte, vi algumas beldades circulando, algo que eu também não esperava. Pedi uma dose de Red Label, misturei com Red Bull, e fiquei contemplando a vida pulsar naquele idílico e remoto espaço do mundo.

Enquanto os homens perseguem os mais diversos destinos, iludidos pelo dinheiro, pela grandeza ilusória ou pela fama efêmera, o destino do libertino é a vagina universal. Vem do berço. Quando uma loira descomunal raiou no salão da boate, não tive dúvidas, estava ali o meu destino. Alta, olhos claros, lábios carnudos, pernas longas e bem torneadas, bunda firme e arrebitada, seios médios e pontudos, cabelos compridos que escorriam em cachos dourados pelas costas e uma discreta tatuagem de serpente nas costas. Uma belíssima reencarnação de Vênus. Por alguns minutos, fiquei vidrado, enfeitiçado por aquela amazona admirável que desfilava sem pudor toda a sua potência, toda a supremacia da espécie. Movimentei-me para abordá-la antes que alguém o fizesse.

– Qual seu nome?

– Luize. Acho que te conheço...

Muita gente me conhece e nutre por mim ódio, inveja ou paixão, a única coisa que um libertino ancestral como eu não desperta é a indiferença, a irrelevância. Talvez, ela me conhecesse de vista. Conversamos. A garota tem uma beleza hipnotizante, me contou ser do Paraná e estava rodando pelas casas para escolher onde ficar, disse ter gostado da Mosaico. De repente, se aproximou e me tascou um beijo, beijo de língua, com troca de saliva, lábios na pressão. Minha combalida espada deu sinal de vida. Resistir é inútil. Fiz o convite. Alcova.

Luize é daquelas mulheres que quando tira a roupa, quando se coloca nua à sua frente, você fica estático como se estivesse vendo o mar pela primeira vez. É um deslumbre, a perfeição feita de curvas e cavidades misteriosas. Após a contemplação, atraquei-me àquele corpo como um bárbaro invadindo uma cidade suntuosa e desconhecida. Degustei aquela boceta como quem sorve um vinho da melhor safra francesa. Quando veio me chupar, a menina gemia baixinho enquanto engolia meu pau na vertiginosa técnica do boquete rapel. Lindo de ver, maravilhoso de ouvir. Excitadíssimo pelos sons e pelos movimentos ondulantes, pedi que ela ficasse de quatro. Obedeceu. Penetrei lentamente, palmeando cada avanço do membro, a menina deu um gemido mais alto quando percebeu que eu estava completamente mergulhado nela. Não éramos mais dois, éramos um. O poder daquela conexão de volúpias foi avassalador, a química sublime. Que delícia. Velhos como eu possuem um prazo de validade no sexo, não podem se perder em posições ou malabarismos desnecessários. É preciso ser objetivo antes que a fada madrinha nos roube a mágica da ereção. Estoquei a garota com fervor e desabei na morte de segundos que o orgasmo nos proporciona.

Com certeza retornarei à Mosaico e se nos reconhecermos por lá, irmão libertino, a bebida será por minha conta. Que Luize me aguarde, a fêmea colossal.

Voltei ao Sucatão, acionei o motor, liguei o rádio e uma batida extasiante transbordou na cabine. Acelerei. Protegido pela armadura, como um cavaleiro numa cruzada erótica, desapareci no negrume do asfalto. Set me free...

Set me free Yes