24 de Abril de 2021 às 09:53
Mantenho algumas ressalvas, mas não me nego a reconhecer que o elenco que apreciei ontem na 65 é digno dos áureos tempos das Termas cariocas. Uma quantidade significativa de mulheres que fazem cair o queixo dos desavisados.
Sexta-feira, feriado, a maior parte do Centro da Cidade transpirava o marasmo dos desocupados. Bancos fechados, comércio capenga e moradores de rua narcotizados sob as marquises frias da indiferença. Um silêncio sereno cobria as ruas e avenidas. Desci do táxi e caminhei até uma livraria da Av. Marechal Floriano, onde eu deveria buscar uma encomenda feita no dia anterior. Para mim, o Centro é um eco em looping da minha memória, andar naquela região é como entrar no túnel do tempo. Deparo-me com empresas, bares, esquinas e lojas que refletem a minha própria história. Sempre fico com a sensação de que um passo em falso pode me lançar de volta ao passado que me deixou as melhores lembranças. Sim, afeiçoado forista, há uma melancolia em tudo isso, mas é a boa melancolia de uma alma envelhecida, que hoje alcança uma sintonia mais fina com todos aqueles sobrados e igrejas seculares que nos rodeiam na região central do Rio.
Desde 1990 cultivo o hábito religioso de tomar um café na Casa do Café Capital, também na Av. Marechal Floriano. O estabelecimento passou por várias transformações, agora possui mais conforto, mas me parece estar perdendo a qualidade. A Casa do Café capital testemunhou os anos me envelhecerem e eu testemunhei as tentativas de rejuvenescerem a pequena loja que fica quase na esquina da rua Uruguaiana. Há velhices que superam a juventude.
Após o café, entrei na Casa Paladino, outro desses estabelecimentos seculares do Centro, instalada no mesmo local desde 1906. Pedi um chope e me acomodei para aguardar alguns amigos que viriam me fazer companhia. Havia um clima dos romances de Rubens Fonseca que usam o advogado Mandrake como protagonista. Um fim de tarde noir, seria a melhor definição para a atmosfera reinante.
Não, companheiro libertino, não procure romance neste relato. Paixões são inexpressivas porque seguem a vulgaridade da mesmice. Aqui você só encontrará um camelo idoso vagando pela aridez humana, ansiando por qualquer oásis que o console. Caso tente descrever as suas experiências inspirado no meu estilo, aviso a você que aceito o plágio, mas nunca as imitações. A imitação é a manifestação dos sem talento, dos bajuladores e dos dissimulados, mas o plágio nasce da admiração. Não seja um sem talento.
Meus amigos chegaram, bebemos, rimos, cometemos inconfidências e traçamos o roteiro para a noite que se aproximava. A primeira parada foi na 502, fomos recebidos com simpatia pelo gestor da casa, mas o cenário da boate continua triste e decadente. Pouquíssimas meninas e clientes rarefeitos. Ao me aproximar de uma moça que me chamou ao pau, em menos de cinco minutos ela me perguntou se eu ia subir. Perguntei se estava com pressa ou se havia outro cliente esperando (fiz a pergunta e dei ênfase ao cinismo rolando os olhos pelo entorno vazio). Há meninas que, mesmo diante da crise econômica e escassez de clientes, não aprendem a trabalhar. Conclusão, a garota perdeu um programa sem nem sequer ter a consciência de que perdia. Existe a vocação, mas não existe a falta de vocação. O antônimo de vocação é incompetência. Comecei a sentir um sono avassalador e inexplicável quando ainda estava na 502, dizem que essas coisas acontecem quando estamos cercados de um clima pesado, talvez tenha sido isso, pois quando saí da boate e ganhei novamente a rua, o sono passou.
Decidimos rumar para a 65. Fui recebido afetuosamente pela gestão da casa, sem que eu me revelasse como Dante. Peguei a chave do armário e embarcamos no elevador. Assim que saímos da cabine, nos deparamos com uma penca de mulheres atordoantes na entrada da uisqueria. Foi um impacto, fiquei impressionado. Quando entrei na uisqueria, outro choque. Dezenas de ninfas belíssimas formavam a bela ornamentação do ambiente. Precisei reconhecer que os elogios ao staff da casa correspondem à realidade do que vi. Se Jesus ressuscitou Lázaro, a 65 restaurou a minha crença de que ainda é possível encontrar mulheres lindas em Termas.
Com a cabeça transbordante de álcool, bebi mais algumas Coronas. O líquido dourado fazia as luzes brilharem intensas para os meus olhos. Embriagado, faltava pouco para eu ficar inebriado. Não demorou muito para que eu a avistasse, uma crisálida feminina, que num primeiro olhar me lembrou a Paula Toller quando jovem. Seu nome é Patrícia, cabelos curtos no melhor estilo “Joãozinho”, cintura finíssima, bundinha esférica e arrebitada, pernas bem-feitas, um sorriso provocante, olhos expressivos decorados por longos cílios e jeitinho tímido sensualíssimo. Ela se sentou ao meu lado e iniciamos o diálogo temperado por beijos e amassos que foram implodindo a minha resistência. Não houve jeito, decidi pecar.
Subimos à alcova. Que menina deliciosa, se entrega com naturalidade, beija como namorada, faz sexo como quem está em Lua de Mel. Positivaça. Não preciso descrever os malabarismos sexuais que cometemos no leito, até porque se um velho se arrisca em muitos malabarismos, o sexo termina em cãibra. A menina foi maravilhosa, uma das melhores que encontrei em Termas nos últimos tempos ingratos. Fui feliz enquanto durou e me atrevo a recomendá-la àqueles que me seguem e depositam confiança nas minhas palavras. Atente apenas para um importante adendo, estimado forista, a casa é dispendiosa. Bebi 3 Coronas e um Red Bull e a conta do consumo apresentou 90 reais para o meu cartão de débito. Soma-se a isso os momentos com a menina e a despesa vai à quase 400 mangos. Depois que você paga, é preciso tomar um antidepressivo. Talvez, seja por isso que não observei muitos caras subindo para programa, a galera bebe, sarra, zoa e vai embora quando atinge a consumação de 70 reais. Muitas mulheres devem bater cabeça a maior parte da semana, o que me faz ficar ainda mais surpreendido com as quantidades de belíssimas meninas que vi transitando no espaço. A 65 poderia atingir a órbita da perfeição se optasse por valores mais acessíveis.
Deixei a casa e caminhei pela rua do Rosário entorpecida e deserta. Segui até a antiquíssima Primeiro de Março, acenei para um táxi e pedi que me levasse de volta à bucólica Tijuca. A cabeça girava em ritmo ébrio. O Big Ben tropical, que conhecemos como Relógio da Central, tinha os seus ponteiros mirando à eternidade, pois a eternidade habita todas as madrugadas. Adormeci e não sonhei...