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UM SÁBADO NA VILA MIMOSA

Enviado: 07 Mai 2021, 23:06
por membro
UM SÁBADO
Vila Mimosa – R. Sotero Reis – São Cristóvão – RJ


Sábado. Noite fria. Destino: Vila Mimosa.

Visto meu uniforme preto, caminho em direção ao carro, giro a ignição, o motor ronca sedento de aventuras. Num voo rasante, alcançamos a Rua Ceará, escolho um estacionamento, imbico e ancoro o Sucatão. Piso triunfante sobre os paralelepípedos da Sotero Reis. Consigo ouvir o som de tambores, mas eram somente as batidas de um funk que fazia a trilha sonora da minha chegada. Resolvo tomar uma latinha de Skol, rompendo a Lei Seca, gosto de ser transgressor, sou indomável. Coloco as mãos no bolso para pegar a carteira e..... Cadê a carteira? Onde está a carteira? Esqueci em casa!

Retorno amuado ao carroe deixo a Rua Ceará. Acelero para resgatar a única coisa que não se pode esquecer quando se vai à Mimosa: o dinheiro. Aquelas pequenas cédulas de papel são como ingressos para realizar nossas fantasias, a grana é nossa espada.

Em outro voo quase sônico, recupero a carteira e pego de volta o caminho para a Sotero Reis. Estaciono. Novamente, minhas botas sentem o contato com os históricos paralelepípedos da VM, tambores rufam ao fundo, agora sabemos que é o maldito funk nos recepcionando.

Foi quase instantâneo, assim que encontro o miolo da VM, vejo a Natália dançando num biquíni sumário, na sacada da Casa 56. Linda! Alta, olhos claros, corpão, bunda vistosa, pernas grossas.... Impressionou! Faço uma ressalva para os cabelos, excessivamente volumosos, pareciam com uma peruca. Cheguei junto!

- Caramba! Você é linda! E os seus cabelos! ... – Elogio até o que não gostei.

- Ai! Gostou do meu cabelo? É aplique! – Ela responde de imediato.

Muuuuiiito lindo! – Confirmo, tentando conter a ironia. - Foi caríssimo! – Ela valoriza.

Coitada! ... - Calma, amigo leitor, isso eu não respondi, apenas pensei.

Masmorra!

Burocrática, performática e mecânica. Não consegui gozar e joguei a toalha. A menina é simpática, mas fraca na cama. Voltei à pista, o garimpo precisava continuar.... Então, meus olhos esbarram com a Juliete, uma loirinha de cabelos cacheados, carinha de anjo e estilo mignon. Trabalha na Casa onde rola o Pagode do Índio, uma que fica lá no alto, o acesso é por uma escadaria. Marquei na pressão e fiz a entrevista que precede o abate.

- Caramba! Você é linda! E os seus cabelos... – Procuro não fugir ao script.

- Obrigada! ... – Responde educada.

- E o que você faz na cama?

- Olha, eu chupo sem camisinha, beijo na boca, mas não faço anal. – Responde sem pestanejar.

Segunda Masmorra! Entramos no quarto, tiramos a roupa, ela apaga a lâmpada de cem velas que torna o cubículo quase um forno de microondas e começamos o embate.

- Me deixa sentir a chupada sem camisinha que você me prometeu - envio a cobrança.

- Ahan! – Ela não se faz de rogada.

- Vupt.... Lança a boca em meu membro.

- Aaaaaaaaiiii! – Sim, leitor incrédulo, este grito saltou da minha garganta, subiu pelas minhas entranhas.
A explicação para o terrível grito que emiti é simples, a menina não chupava, ela mastiga o pau da gente.

- Pelo amor de Deus, filhinha, vai mais devagar, tenta de novo, mas com carinho. – Insistir foi um ato de coragem da minha parte.

Vapt.... Ela vem de novo, esfomeada.

- Aaaaahhhhhhuuuhhhhh – Grito sem economizar, esta segunda mordida foi pior, pareceu raiva.

Depois de duas dentadas no pau, brochei! Preferi encerrar o programa. Novamente na pista, desolado com o prejuízo, duas moças mal escolhidas. Mas sou indomável, não sairia da Zona no zero a zero.

Camila, mulata fofinha da Casa 58. Fofinha, mas gostosa, eu já a conhecia, faz sexo com vontade, sabe agradar. Eu a escolhi como salvação para aquela noite de desastres. Acertei o negócio e subi pelas as escadas em caracol que parecem terem sido feitas para Cabras escalarem e não para um humano galgar. Terceira Masmorra! Foi perfeito e finalmente consegui liberar a o jorro contido.

Leve, era como se eu flutuasse pelos paralelepípedos enquanto seguia para o Sucatão. O pau ainda dolorido e traumatizado com os dentes do Anjo Canibal, mas eu estava feliz. Ao fundo, os tambores soavam mais lentos, era um Pagode do Belo que servia como despedida. Um maldito Pagode do Belo. Giro a ignição, piso o acelerador e o motor ronca sorrindo. Fim de noite.

Re: UM SÁBADO NA VILA MIMOSA

Enviado: 08 Mai 2021, 19:02
por hugh_hefner
Eu sei que você escreve esses relatos por hobbie e por isso o tom é romantizado.

Na prática, a Vila Mimosa já não vale a pena há muitos anos. É só uma rua decadente.

Olha aí o seu relato de um ponto de vista prático: você se deu mal com 2 garotas e só conseguiu acertar na 3ª.

Gastou dinheiro à toa e ainda passou o maior tempo procurando.

A Rua Sotero dos Reis por lá agora é só de esgoto correndo a céu aberto.

Dizem também que o volume de clientes ficou tão baixo na VM, que até naquela tal Praça Waldermar Costa e Silva está rolando batidas da PM para afastar a "concorrência".

São Cristovão hoje em dia é só furada. Prefiro manter distância.

Re: UM SÁBADO NA VILA MIMOSA

Enviado: 08 Mai 2021, 20:58
por membro
hugh_hefner escreveu:Eu sei que você escreve esses relatos por hobbie e por isso o tom é romantizado.

Na prática, a Vila Mimosa já não vale a pena há muitos anos. É só uma rua decadente.

São Cristovão hoje em dia é só furada. Prefiro manter distância.
Estimado forista,

Eu amava a Vila Mimosa. Não somente eu, mas muitos dos amigos que iam comigo. É claro que havia os que não curtiam o ambiente, os que consideravam tosco, essas coisas de pessoas que querem parecer exigentes.

Sobre a Vila Mimosa, o que eu escrevia sobre ela não era exatamente romantizado, me entusiasmava o lugar, porque o frequentei no auge. Eu já frequentava a Vila Mimosa quando ainda ficava no atual terreno do Metrô, no Estácio. Quando a Zona se transferiu para a Praça da Bandeira, teve um salto de qualidade. Fiz grandes achados sobre aqueles paralelepípedos. É aquilo, tudo um dia acaba, a Vila Mimosa entrou em decadência por diversos motivos, inclusive por uma certa violência que comecei a perceber lá dentro. Todos que geriam o meretrício daquela região colaboraram para o quadro desolador que vemos hoje. Uma pena. De um ponto que faturava milhões de reais, transformaram em área que muitos agora preferem evitar. Em 2009, lancei até um livro que ostenta a Vila Mimosa no título. Na Zona do meretrício eu encontrava um baú de boas histórias. Tudo acaba, isso nos inclui também.

Re: UM SÁBADO NA VILA MIMOSA

Enviado: 08 Mai 2021, 22:22
por Senior69
Caro,Dante! Frequentei a VM num tempo em que a conhecíamos por ZONA,ou Pinto de Azevedo. Trabalhei na CEG ,bem em frente ,tida sexta-feira após o expediente,partia pra lá. Era muito bom!

Re: UM SÁBADO NA VILA MIMOSA

Enviado: 08 Mai 2021, 23:13
por membro
Senior69 escreveu:Caro,Dante! Frequentei a VM num tempo em que a conhecíamos por ZONA,ou Pinto de Azevedo. Trabalhei na CEG ,bem em frente ,tida sexta-feira após o expediente,partia pra lá. Era muito bom!
Sênior,

Eu costumava dizer que a VM era para homem que mija em pé. Terra dos bravos, dos heróis urbanos.

Re: UM SÁBADO NA VILA MIMOSA

Enviado: 09 Mai 2021, 00:24
por Senior69
Caro,Dante ! Naquela época se transação sem camisinha e o máximo que peguei ali,foi chato,uma espécie de carrapato que agarrava na pele,e se usava neocid para matá- Los. É mole!rsrs.