Wilson00 escreveu: ↑21 Jan 2026, 13:42
Não é uma história louca, mas uma situação inusitada
Coito interrompido por gás de pimenta
Agora no início de 2026 reencontrei um amigo de trabalho que não via já há alguns anos, desde que eu me aposentei em 2019, e fomos tomar um chopinho. Papo vai, papo vem, lembramos de algumas passagens de nossas vidas de putanheiros e essa em particular que contarei a seguir, vivenciamos juntos e foi bastante inusitada.
Vamos aos fatos
Contextualização
Corria o ano de 2013 ou 2014, não sei precisar bem.
Nessa época, rarissimamente eu recorria às “
frees” e, muito eventualmente, ia a alguma casa de massagem.
Gostava mesmo de frequentar, e frequentava bastante, algumas termas do centro da cidade. Minhas favoritas eram a 502 e a MV30. Raramente ia na New York (nem me lembro qual era o nome desse puteiro na época) e mais raro ainda ir na 4x4 ou na 65.
Aquele era o ambiente que me atraía e me fazia sentir muito à vontade.
Todo mundo conhecia todo mundo. No caso da MV30 conhecia bem o Tuninho que era o dono, conhecia o pessoal do bar, as caixas e, principalmente, as meninas.
Estou dizendo que eu conhecia, mas isso não era uma exclusividade minha, era praticamente uma norma geral.
Essas termas do centro tinham uma frequência muito cativa e muitos dos que as frequentavam, acabavam conhecendo também pelo menos de vista, vários dos clientes, pois todos se encontravam, ora na MV30, ora na 502, etc..
Ou seja, era um ambiente muito “
familiar”. rsrsrs
Bem, voltando ao relato.
Como disse acima, corria o ano de 2013 ou 2014 e a cidade do Rio de Janeiro fervilhava com as manifestações dos chamados “
Black Bocks”.
Pra que não lembra ou não sabe, faço um breve resumo:
Foi um período de bandalha e quebra-quebra que se iniciou através da ação de grupos organizados, que ganharam grande visibilidade em manifestações nesse período de 2013 e 2014, associada aos protestos “motivados” pelo aumento da passagem de ônibus. O estopim foi um aumento de 20 centavos na passagem dos ônibus.
Os “
Black Bocks”, formavam uma massa na qual, inicialmente, todos utilizavam roupas escuras, máscaras (de esqui, de ninja, ou capacetes), coisas para dificultar a identificação pela polícia, provocavam tumultos, principalmente no centro da cidade com atos de depredação, inicialmente a prédios públicos, bancos e lojas, mas com o tempo passaram a quebrar tudo, até mesmo carros particulares que circulavam pelo centro da cidade. Esses caras eram reprimidos pela polícia com o uso, principalmente, de cacetetes e bombas de gás lacrimogênio e/ou de pimenta.
O evento Inusitado
Apesar desses dias de tumultos, certo dia, saimos do trabalho, esse amigo e eu, e paramos para tomar umas cervejas em um boteco da praça Mauá. Praça essa na qual se encontra uma famosíssima boate/puteiro, a
boate Flórida (será que ainda existe?), antro da antiga malandragem da praça Mauá, de marinheiros e raros turistas desavisados. Nessa boate tem, ou tinha pois não vou lá há muitos anos, uma coisa muito peculiar: um corredor cercado por corrimões no meio do salão, onde as meninas
desfilavam nuas pra lá e pra cá.
Bem, voltando ao assunto que interessa, logo veio a ideia de ir a um puteiro, coisa que acontecia com enorme frequência. Em função do local onde estávamos nesse dia, partimos para a MV30.
Chegando lá, notamos que estava um ambiente diferente, poucas meninas e pouquíssimos clientes, mas para mim o importante foi que a Sofia estava. Sofia era uma morena espetacular e, como sou muito “
fidelizável” (isso é papo para outra ocasião), nessa época eu adorava “subir” com ela ou com a Marcela, outra morena deliciosa. As duas dividiam as minhas preferências na casa.
Bebericamos mais algumas cervejas, conversamos com as meninas presentes e em seguida partimos para o rala e rola. Eu subi com a Sofia e meu amigo com a Mel, uma loirinha bem interessante.
O termo correto era subir mesmo. Apesar de ter uma suíte muito boa, inclusive com hidromassagem, no mesmo andar do salão, na MV30 eu escolhia sempre que possível, um das duas cabines do 2º andar que eram muito boas (
cabines muito melhores que a maioria das cabines da 502, inclusive da maioria da 4x4), com acesso por uma escada de madeira
e cujas janelas davam para a rua Mayrink Veiga. Essa particularidade das janelas, que permanentemente estavam trancadas e, tinham venezianas, é um fator bastante importante para o desenrolar do acontecimento.
Passados pouco mais de 30 minutos, ou seja, metade do tempo do programa, começamos a ouvir uma gritaria na rua. Uma gritaria tão estranha que, mesmo antes de termos atingido o clímax, nos levantamos e fomos tentar ver alguma coisa pelas frestas das venezianas da janela. Então, passado um tempo muito curto, eis que um cheiro horroroso e insuportável de gás de pimenta ou lacrimogênio, sei lá o que era, invadiu nossa cabine exatamente pelas frestas das venezianas da janela.
Ficamos meio que paralisados, assim sem saber o que fazer, os olhos ardendo muito e a respiração muito dificultada. Estava acontecendo alguma coisa muito diferente, corremos pro banheiro pegar alguma toalha pra colocar no rosto e logo percebemos que dentro da MV30 também estava um alvoroço grande.
Interrompemos o programa ali mesmo. Eu comecei a me vestir e a Sofia saiu do quarto correndo, pelada mesmo, pois as roupas civis dela estavam lá no 3º andar, eu acho, já nem lembro direito.
Desci as escadas correndo e logo encontrei meu amigo também espantado com o que estava acontecendo.
Ficamos pensando no que fazer e achamos que era melhor descer, avaliar a situação lá embaixo, na rua, e se possível ir logo embora.
Paramos na porta da boate e lá encontramos um “batalhão” de policiais! Muitos, muitos mesmo, andando pela rua com aquelas roupas de batalha campal. Máscaras anti – gazes, escudo e um cassetete de mais de metro de comprimento.
Ficamos ali na porta até que conseguimos falar com um policial que passou perto de nós e que parecia um oficial. Por sorte, nessa época, trabalhávamos de terno e eu acho que nosso traje ajudou nessa situação. Perguntamos o que estava acontecendo e dissemos que queríamos pegar o metrô. O PM, claro que imaginou bem onde estávamos, nos disse pra sairmos logo dali e indicou pra voltarmos até a Av. Rio Branco e caminhar até a estação Carioca pois o entorno da estação Uruguaiana estava um caos.
E assim foi feito.
Naquela confusão toda, saímos antes de finalizar e também sem pagar nada pois a tia do caixa já tinha dado no pé.
Poucos dias depois, ao retornar à casa, comentei esse “calote” com o Tuninho e ele disse pra nesse dia eu fazer um programa dobrado que, por ele, estaria tudo certo! Encontrei a Sofia e acertamos tudo.
Foi isso.