Fui convidado a opinar aqui pelo autor do tópico. Vamos lá...
Apesar dos meus relatos não serem curtos e muito menos carregarem a rasa e idolatrada objetividade, não costumo demorar para escrever. Trabalho também como escritor, compus livros, dou aulas de redação e escrita criativa, escrever é uma prática quase diária para mim, o que talvez tenha me dotado de alguma agilidade com o tempo. Escrever, porém, não é fácil. Ou melhor, só é fácil para quem não sabe escrever. No meu caso, escrever em fórum é um exercício onde tenho a oportunidade de descrever situações vividas.
É difícil que eu ultrapasse 30 minutos compondo e revisando um relato. Isso me leva a também comentar sobre a minha relação com os fóruns nestes mais de 20 anos que testemunhei a transformação e as gerações em sites como este. Vejo o fórum como um diário pessoal, é onde registro esses encontros sexuais tão desejados com mulheres igualmente desejáveis. Atravessei todos os períodos lendo piadinhas sobre a minha falta de “objetividade”, mas penso como Nelson Rodrigues: só os idiotas conseguem descrever o contato com o corpo de uma mulher com objetividade.
Hoje, a parte mais chata de um relato para mim é justamente aquela em que o sujeito relata o sexo, pois todos os relatos são iguais quando alcançam este ponto. O que faz a diferença entre os textos são justamente os detalhes, as emoções pré e pós o coito. Há quem pareça uma Inteligência Artificial narrando o encontro, não consigo nem ler. Respeito todos que se esforçam para contribuir com o espaço, mas leio poucos com interesse, assim como poucos devem me ler com interesse.
Quem fala de objetividade em um TD é porque não gosta de ler e menos de escrever. Eu amo escrever, sou um leitor dedicado desde os dez anos de idade, a escrita permeou toda a minha vida, influenciou minhas escolhas acadêmicas e minha rotina diária.
Como meus relatos são recheados de descrições e
filosofices, refletindo tudo que me vem à mente e aos olhos a cada novo encontro, tento oferecer a maior quantidade de cores possíveis ao que vivi e preciso me valer de algumas técnicas para não ser completamente desinteressante. Considero que a primeira frase, o primeiro parágrafo, são os ganchos que sequestram a atenção de quem lê, é preciso impacto, é preciso a força da sinceridade no começo do texto. Algumas dessas técnicas também me facilitam no desenvolvimento do TD. Não há como escrever um texto sobre um encontro íntimo com uma mulher sem estar atrelado fortemente à realidade e à capacidade de descrevê-la.
Não sou de inserir imagens em relatos, pois considero imagens um gol contra à criatividade, são muletas para quem não sabe criar imagens com as palavras.
É isso. Escrevi muito, como sempre.
