11/2021
Essa entrevista foi de longe a mais pedida pelos frequentadores do GP Arena, e já estava combinada com ele bem antes da maioria colocar no tópico dos pedidos (risos). Finalmente temos ele aqui. É polêmico, causa discussões acaloradas por onde passa, mas ao mesmo tempo é quase impossível ficar indiferente. Claro que falamos do Dante, um dos foristas mais conhecidos do GP Arena e arredores (risos). Vamos a isso, e vale muito a pena a leitura, garanto!
BRAND: Dante, vamos começar logo com polêmica. Uma curiosidade no meio dos relacionamentos que já teve com algumas meninas do meio: você já ajudou alguma menina financeiramente, bancando para ela parar, ou a sair de determinada casa e ficar por conta própria, a guiando nos primeiros passos?
DANTE: Grande Brand! Olha, nunca banquei meninas que conheci como acompanhantes, é uma regra minha que jamais quebrei. Amor não se compra. O que fiz foi ajudar algumas garotas a saírem das mãos de casas do ramo para trabalharem por conta própria, isso em um tempo que poucas se arriscavam a serem empreendedoras. A última que ajudei fez um sucesso estrondoso nos fóruns, usava o nome de “Luana”, morena bonita que conheci em uma boate. Quando nos conhecemos, batemos um papo, ela era muito inteligente e percebeu que o universo que eu revelava poderia ser mais lucrativo, veio para a minha casa experimentar trabalhar como freelancer. Ela morava no interior do Rio, ficar na minha casa facilitou que ela pudesse atuar por conta própria.
Como era inexperiente, eu ficava no WhatsApp como se fosse ela e fazia os agendamentos, costumava dizer que os homens se apaixonavam por mim e saiam com ela. Virei uma espécie de Tootsie, a personagem do cinema. Depois de algum tempo, já acumulando um bom dinheiro, ela pegou uma sala própria e nos afastamos. Pelo que eu soube, parou. Se houve gratidão? Não creio, gratidão é palavra de fachada nesse meio. Dei força para outras que foram famosas também, que despertaram paixões. Se eu ganhei algo com isso? Nada. Ganhei prejuízo (risos)... existem meninas que parecem cultivar raiva de quem as ajuda, mas não me arrependo, eu tinha um sentimento de gostar de ajudar, de propiciar outras perspectivas para mulheres que confiavam em mim. Veja, fiz algumas ganharem pequenas fortunas. Você é uma testemunha disso.
Você acredita que foristas que participam do fórum influenciam outros foristas a também escreverem? Você teve algum forista que levou você a começar a escrever?
Sim, acredito totalmente nisso. Eu sou um exemplo. Quando entrei nos fóruns havia um forista que nem era bem um forista, quase não postava relatos, se comportava mais como um mestre de cerimônias, marcava encontros e narrava esses encontros. Quando descobri que existiam pessoas com interesse em bordeis, que se reuniam quase que semanalmente, fiquei maravilhado. O nick do sujeito que me puxou para os fóruns era “Rei Arthur” e ele se arrependeria de ter chamado a minha atenção se soubesse disso (risos). Infelizmente, tinha um defeito, era bajulador de administrador de fórum, o que quebrava o seu encanto como o excelente forista que poderia ter sido, mas também fez história. No passado dos fóruns me parece que existia uma quantidade de foristas com mais qualidade do que hoje, havia mais envolvimento, mas no sentido oposto também havia muita bajulação e rapapés. Há pouco tempo encontrei o Rei Arthur no Clube 502, sou educadíssimo e me arrisquei a cumprimentá-lo (mesmo com as nossas diferenças antológicas do passado), mas percebi que ele não deseja mais ser lembrado como forista. Havia outro forista que me chamou a atenção, o “Estressado”, que tinha um estilo próprio na escrita e se mostrava como um solitário vagando pelos privês. Eu gostava dele, chegamos a sair juntos, era um sujeito doidinho, mas bacana. Ele animava o fórum, infelizmente escrevia mais no pior deles, o GPFria, mas sempre transitou ali sem ser incomodado, talvez por se envolver pouco com as gangues.
Como falei no início, o Dante é facilmente um dos foristas que todos conhecem, ame ou odeie, mas não é indiferente a ninguém (risos). Com todas essas polêmicas, já pensou em se aposentar em definitivo dos fóruns? Sendo hoje uma pessoa extremamente ativa no Arena, o que o seduz no site a ponto de continuar dando sua contribuição por aqui?
Costumo dizer que os que me odiaram é que fizeram a minha “fama”. Já me afastei dos fóruns por dois períodos, a última vez em que me exilei durou uns dois anos. Quando voltei, criei o grupo dos Libertinos e acho que fiquei mais famoso do que era antes (risos). Sina. Na verdade, os que me odeiam se ressentem pela minha escrita, pela forma que me destaco através da palavra, sem fazer muito esforço. Os mais antigos se ressentem ainda mais, pois sabem o quanto recebi como benefícios espontâneos apenas por saber escrever. Há também os que não me conhecem, nunca falaram comigo, mas se deixaram contaminar por osmose, tipo o “nunca te vi, sempre te odiei” (risos). A falta de personalidade é um mal terrível. O cães ladram e a caravana passa, diz o ditado popular. Nunca me incomodei com os que chamo de “sem talento”.
Gosto demais de participar do Arena pelo clima amistoso, por perceber que é onde se concentram os melhores da nova safra de foristas, gente afetuosa e bacana. Há muitos anos que não sinto mais vontade de frequentar encontros de foristas porque sempre foram chatos e eu acabava me expondo para pessoas esquisitas, mas aqui no Arena a minha vontade de frequentar grupos está sendo revitalizada pela qualidade da participação da galera.
Continuando no tema Arena e suas impressões de quem já passou por vários outros do gênero. Essa área de entrevistas mesmo, que é uma ideia antiga, que estava quase extinta (risos), mas que procuramos aprimorar aqui. O que vê de diferente nela, e que lhe levou a aceitar nosso convite?
Acredito que a grande sacada em reviver a área de entrevistas foi dar a ela uma diversidade de personagens, sem preconceitos, algo que não havia antes. Eu, por exemplo, apesar de ser um forista histórico e muito conhecido, nunca fui convidado para entrevista alguma, o que ainda me acontece é de ser vetado em determinados espaços (risos). O Arena quebrou o tabu e me chamou para um depoimento tipo “Memória Globo”. Foi muito legal esse gesto e eu não poderia recusar. Além disso, é uma forma de humanizar os nicks, de levar os foristas a compreenderem que atrás do personagem existe uma pessoa real.
Relembrando os velhos tempos de fórum, tem saudade da convivência com alguns foristas? Ou pior, alguns dos quais não tem a menor saudades (risos)?
Sem rasgar seda, sentia saudade da convivência com você. Sendo sentimental, sinto saudade da convivência com um forista que considerava um grande amigo, o Silent Bob, outro nick histórico. Como sempre, em fórum, as pessoas se afastam pelos motivos mais banais ou por algum tipo de deslealdade, mas isso não é só no fórum que ocorre, acontece na vida também. Costumo dizer que o fórum é um tubo de ensaio da vida real.
Dos que não sinto saudade alguma, prefiro nem citar. Sou muito intuitivo e percebo quem gosta ou antipatiza comigo quando é um sentimento que transborda da pessoa. Agora, com essa coisa de “curtida” nos relatos, dá para notar os que não apreciam a nossa participação, em algum momento, inevitavelmente, a gente percebe quem são.
Vamos ao tema da sonegação nos fóruns. O Dante sabe tão bem como eu que isso é algo que sempre existiu e sempre existirá, porque não há como mudar isso. De dez atendimentos que vem do Arena, a menina provavelmente recebe relato de um deles, com sorte. Isso deveria fazer os que tiram algum do seu tempo serem mais valorizados ainda pelas meninas? Essa pergunta tem a ver, claro, com um tópico criado por você e que causou (e ainda causa (risos)) bastante polêmica...
Brand, não tenho a menor dúvida. Uma acompanhante com bom senso comercial jamais dispensaria um forista como eu ou você, jamais se atreveria a dizer que não tem horário. Ela daria um jeito. Não adianta uma profissional ter o tópico todos os dias em evidência através de foristas que somam dois ou três relatos e dispensar foristas que estão há duas décadas em fóruns. É ser burra. As garotas precisam a aprender a valorizar o forista que escreve, eles representam propaganda gratuita e de boa qualidade.
Quantas vezes recebo cobrança para escrever os TDs que realizo? Muitas vezes. As meninas querem os relatos, mas sem oferecer qualquer contrapartida. A gente escreve, mas chega um momento em que desanimamos. A garota pode alegar que não existe isso de contrapartida, que tudo é uma troca, mas não é uma troca. Eu pago pelo serviço, ela não me paga pelo TD. Escrevo o relato por carinho, para compartilhar um bom momento com a comunidade, escrevo como continuidade do prazer que vivi. Não é uma troca, é um gesto de afeto que pratico quando escrevo um relato. E que gesto de carinho a garota oferece quando me nega um horário alegando que a agenda está cheia? Cheia de ninguém, porque talvez nenhum cliente daquele dia escreverá sobre ela.
A LITERATURA
LORD_OMAGNIFICO
1 - Dante, sou apreciador dos seus textos, tanto que comprei seu livro e gostei bastante das histórias. Certamente, um clássico literário underground da putaria. Na estante está ao lado da minha coleção do Marquês de Sade.
2 - Pretende escrever a parte 2 do livro Paraíso de Dante? E pretende escrever um livro de ficção / romance baseado em alguma meretriz icônica que conheceu?
1 - Lord, muito obrigado. O livro é antigo e hoje acho sem graça. Não pretendo escrever o volume dois, mas estou com um projeto mais sofisticado sobre a vida na prostituição.
2- Não, não pretendo. Livros sobre putas viraram clichês e não vejo mais mercado para eles. Tenho meus livros, de autoria da minha identidade real, o último ganhou até bons elogios da crítica especializada. Se tiver interesse, passo o nome para você via mensagem privada.
CAMARADA_BORIS
Grande Dante. Não sou de ler relatos, mas entro no site só pra ler os seus, escreve muito bem. Já pensou em escrever críticas de filmes/séries/livros? Ou até mesmo resenha dos bares que você visita?
Boris, eu tenho diversos livros publicados pela minha identidade real, já conquistei prêmios literários e o meu último livro foi bem-visto pela crítica literária especializada, o que me deixou muito orgulhoso. Todos os meus títulos estão disponíveis para compra. Sou jornalista e professor por formação, então também tenho algumas coisas publicadas na imprensa, principalmente como colunista cultural. Caso tenha interesse em ler, basta me procurar por mensagem privada e passo as referências. Obrigado, meu querido.
PREDATOR
Você recentemente criou o site “Os libertinos”, que é um blog voltado para esse universo. Você pretende no futuro alterar o perfil desse site para torná-lo mais interativo? Já tem em mente novos projetos associados a esse universo? Quais?
Não. Não haverá interatividade além da função de comentar, mas aceito textos de foristas que queiram publicar histórias no blog. Posso publicá-los dando crédito ao autor. Gosto de manter o blog, consolidar a marca que criei. Gosto da marca “Os Libertinos”.
Tenho o projeto vago de um livro. Existe um autor antigo que me inspira, que adoro e que fez um magnífico registro da prostituição da Lapa em três livrosque indico. É praticamente uma trilogia sobre prostituição carioca nos anos 30. O autor é o Luís Martins, os livros, infelizmente, só são encontrados em sebos. Tenho certeza de que muitos aqui iriam adorar conhecer esse autor.
ARAÚJO72
Dante, primeiro quero lhe agradecer por nos brindar com textos bem escritos e bem-humorados. Eu me divirto lendo seus relatos. Já pensou em lançar um livro contando as aventuras de um libertino?
Grande Araújo72! Cara, tenho um livro chamado “O Paraíso de Dante”, é bem antigo, tosco, mas está disponível para venda por aí, na Internet.
HISTÓRIA NOS FÓRUNS
VIAJANTE
Dante, tu és uma figura de ótimo vocabulário, escrita impecável e consegue passar bem sua emoção no encontro com as meninas. Isso é bem legal! Pergunto como o forista Dante se vê, o que pensaria sobre esse mundo de fóruns sobre GPs e se acha que é possível mesmo criar um clima de confraria nesses fóruns.
Fala, grande Viajante. Fui na Loren movido pelo seu magnífico TD. Obrigado por compartilhar. A minha resposta para você será a mais longa. Irei direto ao ponto, não acredito em confraria e amizades de fórum, talvez por ter começado a participar em um período mais hostil, com gente mais dissimulada. Mesmo quem restou do pessoal antigo eque ainda está na ativame soa insalubre. E não é por ser pessimista que não acredito, mas por entender o universo do sexo como uma arena competitiva, que envolve muita vaidade. Na minha última experiência de amizade em fórum levei uma punhalada nas costas de fazer inveja a Júlio César.
Ressalto que também não é muito fácil ser meu amigo, sou um cara intenso, com senso de humor debochado, mas sou um tímido crônico, muito reservado, não é incomum que as pessoas me julguem, erroneamente, como antipático. Tímidos costumam ter uma vida interior intensa, eu sou intenso, isso me leva a não acreditar em amizades genéricas ou em panelas sociais. E os fóruns favorecem às panelas e às amizades genéricas. Ao mesmo tempo, me pauto pela simplicidade nas atitudes, o que faz algumas pessoas imaginarem que têm uma intimidade comigo que não ofereci. Tudo comigo exige uma conexão muito forte, não consigo me sintonizar com nada que seja superficial.
Quando me iniciei nos fóruns, vivi a ilusão ingênua de que era possível cultivar amizades, mas nunca foi. Com alguns foristas eu falava todos os dias, pelo falecido MSN, depois pelo Facebook e WhatsApp, eu os considerava amigos. É aqui que entra o engano, eu era amigo deles, mas eles não eram meus amigos. Tenho histórias de decepção com esses “amigos de fórum” com tarja de falsiane que fariam você chorar.
Talvez alguém diga que sou sentimental, eu sou. Lealdade para mim é um valor primordial em qualquer tipo de relação, mas quem ainda acredita em lealdade atualmente, não é mesmo? Gente ligada ao universo do sexo pago não é só adepto da prostituição sexual, são prostitutos sociais também, o cara diz que é seu amigo, mas fala todos os dias com o sujeito que não gosta de você (rss). É complicado.
Se você é um personagem que encontra destaque em fórum pela forma que escreve ou pela quantidade de experiências que tem condições financeiras de viver, surge uma onda de inveja, de recalque camuflado de alguns membros. Inclusive, acho que a minha fama foi muito mais construída pelos que me detestam do que por aqueles quesimpatizam comigo. Nos fóruns antigos existiam até alguns “haters”, fui muito perseguido por eles. Esses doidos eram comuns. Gente com patologia psiquiátrica também frequenta fórum e vai aos encontros.Com o tempo fui percebendo que parte da galerinha que me odiava nos fóruns tinha perfil de caloteiro, de 171, de bajulador de cafetão, de metido a valente, gente que pede fiado, com desequilíbrio emocional e por aí vai. Fazem parte do grupo que chamo dos “sem talento”, os medíocres que não sabem conviver com quem parece melhor e mais preparado do que eles.
Não faz muito tempo, no período em que a polarização política estava mais forte, não reparei que dois ex-foristas insanos (desses sem relevância) me seguiam pela Av. Presidente Vargas. De repente, me abordam com um tapa nas costas e pelas costas, começam a me xingar. Não preciso dizer a opção política dos caras, mas um deles tinha essa motivação política doentia, pois eu me manifestava de forma engajada em um grupo de WhatsApp. Apelidei as figuras de Popeye do IAPI e Kunta Kinte da Praça Arariboia, um é pirado o outro é bobão. Vejam o nível de algumas indivíduos que frequentam fóruns.
Eu mantive encontros recentes com um pessoal que achava bacana, mas pareiporque vi a mesma atitude da panela que exclui, não inclui. Não sei conviver com panelas. Com alguns pouquíssimos foristas ainda falo, mas não vejo. É aquele contato virtual de quem tem preguiça de ser amigo. Convençam-se, fórum não é território onde se cultivam amigos. Forista quer plateia ou quer saber da vida dos outros, não quer amigos. Fóruns são ferramentas de troca de informações, de debate de ideias, não são portal de amizade porque para ser amigo é preciso ser digno da amizade. Saiba que se você alcançar destaque por algum motivo, em qualquer situação da vida, não vai passar impune (risos). É provável que você já saiba de tudo isso, mas eu tive que descobrir a duras penas.
O recalque e a inveja são venenos terríveis desde Shakespeare e comigo tudo isso acontece por conta da minha forma de escrever.
Realmente a palavra bem colocada ganha uma visibilidade imensa, podem ter certeza disso. Por este tópico é possível notar que são os foristas da nova safra do fórum que enviam perguntas, os mais antigos guardam muito ranço para demonstrem qualquer respeito, qualquer carinho. Mas é aquilo, “eles passarão, eu passarinho...”
WOLFGANG
Dante, nem todos tem o dom da escrita, cada um com as suas habilidades, porém já li de alguns, geralmente novatos, que evitam escrever TDs, sonegar, por vergonha, ou "para não passar vergonha". O que pensas a respeito?
Wolfgang, o mito dos trashs. Vejo que quem sente vontade de escrever e não escreve está passando vergonha diante de si mesmo. A escrita é prática, é como tocar um instrumento, se você não pratica, não domina; se você não afina, não sai música. Existe também um preconceito com fóruns de sexo, perdi a conta de quantas vezes ouvi que é babaquice participar desses fóruns, mas eu não considero assim. Os fóruns são um registro importante da vida sexual de uma época.
Eu já fui procurado até por sociólogos conhecidos querendo informações sobre os nossos roteiros e estilo de vida. No lançamento de um dos meus livros, apareceu até diretor de cinema que me lia pelos fóruns e se mostrou interessado em roteirizar algumas das histórias.O forista é um bandeirante que desbrava os andares subterrâneos da prostituição, chega perto, respira o ar. O forista é um patrimônio cultural. Se alguém que frequenta o fórum ainda não começou a escrever, escreva. Escrever completa a experiência.No meu caso, além de ter a escrita como um ofício, sou um leitor voraz desde os doze anos de idade, tenho uma biblioteca imensa que mal cabe no meu apartamento. Escrever é escolha, pratica e estudo. Quando você tem um tema que faz parte da sua própria vida, fica muito mais fácil descrever as histórias que saboreia.
É importante revelar que escrevo, geralmente, de improviso, pelo celular. Escrevo na hora do almoço, quando paro em algum bar ou sentado em um banco de praça perto de onde moro. Raramente uso o computador para escrever aqui. Devido a isso, não é incomum que eu erre na construção do texto, das frases etc. Tento corrigir depois, pela edição. Mas se não vejo, o erro fica lá. Para alguém com a minha formação, é uma vergonha errar qualquer detalhe da escrita, mas o fundamental é não deixar de escrever.
O interessante é que não alcanço repercussão somente nos fóruns, meu perfil nas Redes Sociais arrebanha milhares de seguidores, meu site pessoal idem, inclusive em uma página que mantenho até hoje sobre taxistas (um negócio em que também já investi). Tive diversos posts que viralizaram e foram republicados em mídias de destaque.É sina (risos).
DIONIZIO_RJ
Dante, em alguns de seus relatos percebo certo saudosismo de antigos fóruns, de como funcionavam em comparação por exemplo ao GP Arena. Quais seriam essas características perdidas? O que havia que agradava? O que hoje não agrada?
Sir Dionizio, vejo você como um dos caras mais elegantes no trato dentro do fórum, além de demonstrar maturidade e serenidade nas questões mais polêmicas. Parabéns.
Cara, eu não tenho nenhuma nostalgia dos antigos fóruns, foi uma época horrorosa (risos). Os fóruns eram conduzidos por gente tacanha, arrogante, criavam uma infinidade de regras para reprimir e oprimir os foristas. Eram intolerantes, preconceituosos. Vejo os fóruns como a primeira manifestação do modelo de Rede Social, mas foram conduzidos por gente que não possuía maturidade ou preparação para conduzi-los.
O Dante nasceu com a inauguração do primeiro fórum sobre acompanhantes, o Hot-Fórum, tive um primeiro nick, me afastei e retornei dois anos depois como Dante para tocar o terror (risos). No Hot-Fórum causei uma revolução, destronei a panela de babacas que reinava e entreguei a administração a um forista que vocês hoje conhecem e respeitam, e ele merece esse respeito porque é um empreendedor. Quando a panela do Hot-Fórum caiu, recebi até ameaça. Tem noção do poder que os sujeitos achavam que o fórum possuía? Criei o bordão “agora, o fórum é dos foristas”. Sim, o fórum sempre foi dos foristas e os caras que chegavam à administração tratavam o forista como capacho e o fórum como feudo.
Foristas são os fornecedores de conteúdo de qualquer fórum, são a matéria-prima, as prostitutas são o tema principal que abordam. Sem os foristas que escrevem não há fórum, talvez não existam nem garotas de programa sem eles. Todos sabem disso, mas os fóruns antigos maltratavam os foristas e fomentavam grupelhos de idiotas. Se o fórum começa a minguar em posts é o alerta de que o tratamento com o forista está mal administrado. Não adianta enviarem mensagens privadas em massa para intimar os foristas a escreverem depois que o desencanto se instala.
Sinceramente, hoje jamais escreveria em um fórum onde eu soubesse que vetam foristas por motivos falsos. Isso é o que não me agrada e jamais agradou. Questão de solidariedade e coerência, pois lutei décadas contra essa mania de excluir foristas. Se você, forista qualquer que me lê, vai continuar escrevendo em um fórum onde vetam foristas, aí é da sua consciência, da sua ética. Sempre lutei contra a máxima “não é comigo, então que se dane”. Eu sempre penso assim: não é comigo, mas pode vir a ser, então vamos enfrentar o que é errado. Nos fóruns de outrora, sinceramente, quase nada me agradava, mas eu insisti. Hoje, o que me agrada, é o clima que encontro aqui, a maior maturidade dos membros que escrevem.
Há um equívoco do forista novato, pensar que para ser conhecido precisa escrever e se pulverizar em todos os fóruns que descobre. Não, não faça isso. Se concentre em um, fortaleça a sua marca em um único fórum, será muito mais produtivo. Evite fóruns que praticam opressão. Eu comecei postando em um único fórum e, apesar das muitas adversidades que enfrentei, me mantive fiel a ele até que terminou. A falta de fidelidade é uma mancha na credibilidade do forista.
PREDATOR
1 - Como ocorreu a escolha do seu pseudônimo? Está associada ao autor de “A divina comédia”?
2 - Um dos tópicos mais polêmicos que você escreveu no nosso fórum foi sobre A ANTIGP. Todo o imbróglio envolvendo algumas garotas durante aquele acalorado debate você atribui à discordância com as suas ideias ali expostas ou a uma incompreensão sobre o que você disse? Houve algum arrependimento em relação a aquele episódio?
3 - Se você administrasse um site como o nosso, o que tentaria fazer de diferente e por quê?
1- Sim. Foi numa noite em que decidi retornar ao falecido Hot-Fórum, depois de um desses poucos intervalos que me impus. Estava pensando em um nick quando meus olhos esbarraram com um exemplar de “A Divina Comédia”, gostei do nome “Dante” e me cadastrei assim. Desse dia em diante fui o inferno dos administradores de fórum que me levavam muito a sério (risos).
2 - Quanto ao tópico da ANTIGP, houve incompreensão, falta de capacidade cognitiva e negação da autocrítica incentivada pelos bajuladores. Nunca me arrependi de oferecer opiniões construtivas, mas não posso obrigar uma garota a ser inteligente ou a se autoavaliar. É de cada uma. Admiro muito a Alícia Ferrari, para mim é uma das mais inteligentes e sensíveis que passaram pelo fórum, sinto muito o vazio que a ausência dela deixou. Tomara que retorne. Praticaram muitas agressões naquele tópico da antigp, justamente porque não existiram argumentos sólidosdaspartes que me contestavam. A ignorância se manifesta na arrogância, é aí que está o seu canal de comunicação.
3 - Eu administrei o fórum mais icônico sobre sexo pago, o HotForum. Lá eu fiz a diferença porque abri o caminho para que hoje os foristas possam escrever TDs sem limite de caracteres e com liberdade de estilo. Abri caminho para que foristas possam postar quantos TDs quiserem sobre qualquer garota, desde que sejam verdadeiros. Valorizei o forista. Criei várias iniciativas que vieram a ser copiadas pelos fóruns derivados do HF. Na minha época, o fórum tinha duas sedes para festas e encontros, a Mosaico e a Red Light. Aconteceram festas inesquecíveis, foristas encontraram a alma gêmea, alguns se casaram, foi o mundo perfeito. Criei grupos que deixaram saudade em muita gente: Os Indomáveis, O Clube do Pândego e Os Libertinos. Sinto orgulho de ter sido no fórum alguém que transformou o que foi um feudo em uma festa aberta e democrática.
OS RELATOS
ANCIENT PROFLIGATE
Caro maestro, um homem que escreve bem também é um ávido leitor. Imagino que leia os relatos dos membros deste nobre confraria. Qual critério é o mais importante para ti na avaliação de um relato? A narrativa, forma, conteúdo, originalidade, evento interessante ou inusitado? Nenhuma destas? Forneça um pouco de luz sobre alguém que começou a escrever inspirado por alguns anos lendo seus textos, escritos sob a alcunha de Dante…
Camarada Ancient, você é ídolo e escreve muito bem. Tem razão, sempre fui um leitor fanático, desde os 12 anos de idade. Sendo um cara tímido e muito reservado, a leitura foi o meu exílio. Minha biblioteca é imensa e já precisei doar uma parte dos livros por questão de espaço físico.
Sim, leio os relatos da galera dos fóruns, nem sempre comento por ser distraído nesses detalhes. Só pelo esforço que o cara faz para escrever, ele merece a consideração da minha leitura. Claro que existem diferenças de nível no domínio da construção, do enredo, mas não quero engessar ninguém falando sobre qual tipo de escrita prefiro. O bonito é a diversidade dos estilos e desde que o texto comunique a mensagem com clareza, é um bom texto para o fórum, é válido.
Repito, escrever é prática, é estudo que permita o domínio da língua, é leitura que enriqueça a mente com outros estilos e uso das palavras. Escrever também exige coragem, dizia Clarice Lispector. Fico feliz que a escrita tenha sido um assunto tão abordado e recorrente na minha entrevista, isso é excelente. O fórum, afinal, também é cultura. Obrigado, amigo.
CARIOCAGALUDO
Além das damas, de onde vem a sua inspiração para escrever os relatos?
Faaala, Carioca. Tudo beleza?
Cara, eu acho que a minha necessidade de escrever vem da forma como enxergo a vida, desse prazer imediato de viver, de degustar o momento. Sou um observador de tudo, creio que isso é uma característica de tímidos crônicos como eu. Não sou de papo, não gosto muito de falar, sempre me sinto sem assunto diante da aproximação de alguém, então me resta observar, filtrar o que vejo e traduzir toda essa carga de sensações quando começo a escrever. É meio que por aí. Para ser muito honesto, me considero um sujeito muito reprimido, me liberto quando escrevo, despejando tudo que vi sem necessariamente me envolver. É isso.
YOJIRO
Seu esforço no texto devido a um bom atendimento, não traz uma segunda intenção de receber algo em troca? A minha pergunta é indiferente à forma de retorno, seja financeiro ou não. Caso seja afirmativo, não seria interessante que isso fosse mais explicito junto a suas parceiras? Se não, poderia ser esse o motivo de algumas de suas decepções e não seria mais prático simplesmente escrever por escrever?
Minha opinião no seu caso é que não, você acaba escrevendo porque gosta daquele momento, mas posteriormente ao fortalecimento da relação, acaba migrando para o sim por uma parte natural de todos nós chamada ego, mas gostaria de saber seu ponto de vista em relação a isso.
Bela pergunta, samurai. Yojiro é o nome que mais escuto quando entro nas salas das gueixas, uma perseguição (risos). Cara, sou de fato um escritor e como escritor sou um artista e qualquer artista possui aquela questão do ego inevitável. Por outro lado, escrever é uma das artes menos valorizadas no mercado. Todo mundo escreve, mesmo que mal. A escrita, para a maioria das pessoas, parece não exigir uma qualificação. Eu sou qualificado, por isso escrever para mim não é esforço, é um fluxo natural da minha expressão artística. Não pinto, não danço, não toco instrumentos (apesar de ter estudado piano por muito tempo), mas escrevo. Escolhi a escrita e profissões ligadas à escrita.
Já conquistei boas situações pela escrita, mas nunca foi algo forçado. Citei em perguntas anteriores que alguns proprietários de termas gostavam de me ler (surpreendente, não?) e me deram passe livre nas termas que pilotavam. Fiz sexo com tantas mulheres sem precisar pagar que já preenchi a minha cota.
Outro detalhe, por mais que os meus textos pareçam elaborados no fórum, são textos de improviso. Os textos em que realmente trabalho são os que escrevo para os meus livros, para jornais etc. Em fórum, escrevo de improviso e erro muito nesse improviso. É um exercício que realizo e aproveito para registar minhas experiências que também serão memória algum dia. Por incrível que pareça, eu já escrevo por escrever nos fóruns, desde sempre.
Também posso responder as suas perguntas com outras perguntas. Quem realmente me lê nos fóruns? Você acredita que as meninas leiam os meus TDs? São poucos os que leem, samurai e isso jamais se reverteria em qualquer benefício para mim, mas talvez se reverta em um benefício para as meninas, pois os poucos que me acompanham e gostam de me acompanhar fazem parte dos clientes mais qualificados, de melhor nível, com capacidade de compreensão de textos e consequentemente com maior poder aquisitivo. É isso.
GPs E ATENDIMENTOS
O PANDA
1. Caro Dante, reconhecendo que você é uma figura bastante popular aqui no fórum, o quanto você já usou o nome Dante para receber benefícios em programas?
2. Você já disse que optou por ter uma vida libertina. E observo que tem certa dificuldade em aceitar opiniões alheias. Esse fato contribuí para o senhor preferir GP's a ter alguém próximo a você?
1- Considero patético o forista que imagina que ser forista irá proporcionar acesso a facilidades ou 0800. Não proponho escambos porque vejo como uma atitude ridícula. Isso não quer dizer que eu não receba propostas em que me ofereçam benefícios. Recebo propostas, não costumo aceitar. Só aceito quando sei que poderei escrever um relato que reflita a verdade do atendimento. Além disso, por muito tempo, frequentei termas e boates sem pagar absolutamente nada, tudo de graça, bebidas e mulheres, isso ocorreu pela razão de alguns donos de boates e bordéis acompanharem os meus relatos e se apresentarem como meus “fãs”. Não posso negar, aceitei a oportunidade e comi gente de perder a conta. Então, pergunto a você, afeiçoado forista, não valeu a pena escrever nos fóruns? Valeu.
Essa coisa de ter acesso grátis em puteiros despertou uma inveja colossal, um recalque diabólico dos “sem talento”. Muitos dos antigos ainda guardam raiva de mim por não terem conseguido o que eu consegui apenas escrevendo, nada além disso. Como sou uma alma generosa, sempre tentei estender os benefícios que recebi a outros foristas, convencendo os proprietários das boates a realizarem promoções, sorteios e distribuição de cortesias.
2 - Não tenho nenhuma dificuldade em acolher opiniões, é uma interpretação equivocada que você faz. Eu apenas defendo as minhas opiniões com argumentos, com convicção, enquanto muita gente defende a própria posição de maneira agressiva e arrogante, não com argumentos. Não estou aqui somente para concordar, para aceitar o que considero errado. Há quem tenha raiva da inteligência, eu só sinto raiva da burrice. Não existe essa de preferirter garotas de programa perto de mim porque não é uma questão de preferência, é escolha de momento. Admiro garotas que trabalham com o corpo, não é um trabalho fácil, exige muito traquejo social e psicológico. É realmente uma profissão especial e por isso alimento grandes expectativas sobre os atendimentos que contrato. Já tive muitas mulheres perto de mim, mulheres de família e da vida. O que nunca tive ou tenho foram preconceitos, com nada.
MARTINHODENIKITY
1 - Por que o assunto relacionados diretamente a fio terra, chupada no cu, inversão, consolo não estão presentes nos relatos? Penso que se aqui é anônimo e pra trocar experiencias, porque o sigilo? E se você já experimentou ou é adepto dessas práticas, pode dividir com a gente?
2 - O quanto a fama do Dante no mundo da pularia representa na sua vontade de encontrar com uma GP?
1 - Vamos lá, querido Martinho. De acordo com o vocabulário LGBTQIA, eu seria um ator sexual ativo, não me interesso pelas práticas passivas como “fio terra”, coisas no “cu”, inversões e consolos. Apesar de me considerar realmente um libertino, mantenho um estilo mais tradicional. Não censuro ou debocho, de forma alguma, de quem cultiva essas fantasias e fetiches. Se você curte, nota 10 para você. Por outro lado, tenho em mim um componente de voyeur muito forte, o que me faz ser um adepto entusiasmadodo do swing, desde que com uma parceira que tenha total sintonia comigo.
2 - Vejo o aspecto de fama de fórum como uma percepção muito frágil. Você pensa que tem fama, mas na verdade não tem. É uma ilusão, um equívoco. Para ter fama em fórum você precisa ser lido, pois é um veículo que prioriza a escrita, e pouca gente lê hoje em dia. A sensação é de que existe mais gente que escreve do que lê. Talvez, a impressão da minha “fama” venha da escolha que faço de exercer o meu direito à opinião, partindo da crença que o fórum é um espaço de opiniões e debates. Talvez, eu seja conhecido pelo tempo de atividade quase ininterrupta que tenho nesses espaços, do eco dos antigos fóruns, quando eu fui muito combatido por imprimir senso crítico em um espaço que tentava padronizar o pensamento.Diante disso, a minha suposta “fama” não tem nenhuma relação com o desejo de fazer sexo com garotas de programa. Encontro garotas pelo mesmo motivo que você deve encontrar, para matar a febre de sexo que nos ataca constantemente.
LP COME QUETO
Dante, baseado nos seus ricos e detalhados relatos, gostaria de levantar uma questão hipotética: Se você fosse uma GP, você teria uma lista de clientes VIP (talvez um top 10) aos quais ofereceria prioridade ou mesmo algum nível de diferenciação? Acharia interessante a adoção de um modelo de negócios que envolva uma "viagem na 1ª classe", tão comum nos dias atuais?
Come Queto, símbolo sexual do fórum. Se eu fosse uma GP que usasse o fórum como ferramenta de marketing e trabalho, claro que eu selecionaria alguns clientes que fizessem diferença nesse marketing. Se eu fosse acompanhante, ofereceria prioridade para um cliente como eu, como o Brand, como o Fazzo, como o Dionizio, como o Balaban e tantos outros que são hiperativos no site. Foristas que tentam imprimir marca ao TD. A antigp paga uma pequena fortuna em anúncios, mas esquece que tem o canal mais nobre de divulgação disponível, os foristas. Não procuro mais garotas que nunca me disponibilizam um horário na tal “agenda aberta” (acho burocrática demais essa expressão). Escrever sobre um encontro sexual, na minha opinião, é uma arte e um trabalho que nos consome tempo. No fim eu pago para fazer propaganda das meninas com quem saio, então não posso aceitar que elas não me priorizem um horário que possa estar reservado para o mané que não vai se dar ao trabalho de dizer nada sobre elas. A maioria das profissões que envolvem comércio não encontram propaganda grátis, a garota de programa tem isso e não valoriza como deveria.
Não vejo que seja necessário oferecer promoções, isso é uma liberalidade de cada uma, mas seria fundamental começarem a reavaliar a importância do forista que escreve e dos que já possuem uma identidade no fórum, isso é crucial para o sucesso de qualquer menina. Inflar-se com relatos de qualquer um não é a mesma coisa de alcançar a visibilidade com relatos de foristas que o tempo e a constância legitimaram.
LORD O_MAGNIFICO
Qual foi a GP mais marcante que você conheceu?
Uma gaúcha que atendia no Rio, em Copacabana, na década de 90. Usava o nome de Karin e fiquei enlouquecidamente apaixonado por ela. Afinidade absoluta. Era uma mulher inteligentíssima e com um corpo impecável. Infelizmente, decidiu migrar para a Europa, casou-se com um inglês e nunca mais tive contato. Sei, inclusive, que ela ganhou um prêmio na Espanha ligado à literatura. Uma acompanhante diferenciada, um estilo que não existe mais e, se existe, é raríssimo. Não consigo evitar de me empolgar por mulheres inteligentes.
FAZZO CASANOVA
1 - Com certeza paixões já passaram por seu coração putanhesco, vemos que seus relatos têm muita paixão, mas aquela que lhe tira o sono e lhe faz flutuar, já aconteceu?
2 - O que tira você do sério, durante um atendimento?
3 - E finalmente, o que vc tem contra as flores? Afinal, a massagem bem-feita com uma flor, pode ser muito poderosa (risos)!
1 - Grande Fazzo, tive a oportunidade de falar com você diretamente e já sabe da minha admiração pela sua participação no fórum. O seu estilo afetivo, de carinho com meninas e foristas, é ótimo. O mundo precisa de mais afeto e você traz isso para a nossa convivência. Como eu disse acima, já me apaixonei uma vez. As outras paixões foram aquelas que chamamos de “amor de pica”, nos enlouquecem, tiram o sono, nos levam a loucura, mas não é amor romântico, é “amor de pica”. O amor romântico tive por uma acompanhante gaúcha chamada Karin, que atuou em Copacabana no início da década de 90. Namoramos. Ela decidiu ir para a Europa e nunca mais voltou, não é exagero dizer que quase morri de desgosto (risos).
2 - Má vontade, frieza, performance mecânica, puta coreografada, arrogância.
3 - Certamente, já mandei muito mais flores na vida do que você pode imaginar. Eu era sócio de um troço chamado Clube das Flores, que ficava na Rua do Lavradio. Eles tinham lista das minhas destinatárias favoritas. Por aqui a gente brinca para descontrair, nunca me leve a sério.
WOLFGANG
Sem querer chamar de velho, por favor (risos), mas experiente, você está nessa vida de libertinagem há muito tempo! Como era na época pré internet para descobrir onde as coisas aconteciam? Nos locais de rua até suponho, mas digo, descobrir onde eram os privês e afins.
Sou velho, meu camarada. Não vou dizer que envelhecer é bom. Jornal. Basicamente, se buscava informações em jornais. Nos classificados. O contato se fazia por telefone.
RAI
1 - Com quantas GPs já teve relação sexual sem usar preservativo?
2 - Já se envolveu com alguma GP? Se sim, quanto tempo durou?
3 - Já saiu no 0800, aproximadamente, com quantas GPs desde que a vida putanhística começou?
1 - E aí, Rai? Tudo bem com você? Antes de tudo quero dizer que é muito bacana ver suas perguntas aqui, eu e alguns foristas ficamos com a impressão de que você nutria alguma bronca comigo desde que se cadastrou neste fórum. Chegou questionando o motivo de eu ser “imortal”, fazendo piadas maldosas, demonstrando raiva e ressentimento sem motivo algum, dizendo que ia “bater na minha casa”. Fico feliz em ver o seu gesto de grandeza em se reaproximar de maneira saudável e superar alguma diferença que desconheço qual seja. Respeito muito os gestos de grandeza. Admiro você, não sei se é ligado área de saúde, mas é legal acompanhar seus conselhos e alertas sobre doenças sexuais. E é importante para quem promove a saúde do corpo demonstrar saúde mental. Agora, você está de parabéns.
Respondendo a sua pergunta, sexo sem preservativo só com muita afinidade e sentimento de segurança. Isso ocorreu pouquíssimas vezes.
2 - Já me envolvi com muitas garotas do ramo, muitas. Meus relacionamento com garotas de programa duraram pouco, são relações complicadas, carregadas de muita agressividade. Inclusive, eu era próximo de uma das suas musas, a Karina, que namorava um policial amigo meu.
3 - Eu tive passe livre em pelo menos três termas, não pagava nada, nem consumo nem programa. Então, comi muitas mulheres no 0800, muitas, de perder a conta. Realmente não sei quantas meninas peguei no 0800, talvez mais de uma centena. Como expliquei acima, não recebi esse benefício para promover as casas, mas porque os donos dos estabelecimentos me acompanhavam pelos fóruns e gostavam muito de ler o que eu escrevia, se tornaram “fãs” e quiseram ser generosos comigo.
Grande abraço, querido.
PSOUZA021
1- Dizem que a primeira vez é a mais marcante. Você lembra qual foi a primeira GP com quem saiu e o que te levou a esse primeiro encontro [NOTA: pergunta do ARAUJO72 também]?
2 - São altas horas da madrugada, você está andando pela rua Mem de Sá e pelo movimento sabe que nada lhe resta a não ser voltar pra casa, mas no caminho até o sucatão você encontra uma lâmpada. Ao pegar e esfregar ela sai um gênio, mas não um gênio qualquer, mas sim um libertino. Ele te concede 3 desejos: você poderá escolher 3 encontros de 1 hora cada, com qualquer gp do presente ou do passado onde você estará na sua melhor forma e a menina em sua melhor fase. Quais seriam essas escolhas? E porquê?
1 - A minha primeira vez com uma puta foi horrível, apavorante. Eu tinha perto dos 15 anos de idade e fui levado por uma galera mais velha da rua. Levaram-me para a antiga e famigerada Casa Rosa, que ficava na Rua Alice, perto de Laranjeiras. Pediram-me que eu escolhesse uma mulher, vi uma balzaquiana fumando em um canto e falei que seria ela. Chamaram a mulher, ela me conduziu até a beira de uma escada onde era preciso passar por uma catraca para subir. Isso mesmo, uma catraca, tipo roleta de ônibus. A mulher me perguntou se era a minha primeira vez e eu confirmei. Praticamente tive uma ejaculação precoce, mas pedi a ela que dissesse aos caras que me levaram que foi um fodão. Um desastre.
2 - Pergunta dificílima, grande Psouza. Creio que ninguém se lembrará das garotas que citarei. Começo pela mais recente, se chamava Luana, vivemos momentos apoteóticos pelos swings do Rio. Outra que é quase peça de museu se chamava Karen Spiller, também foi uma baita parceira. E a última, mais antiga ainda foi uma por quem realmente me apaixonei e se chamava Karin, isso na década de 90.
O MUNDO LIBERTINO
PAPAI NOEL
1) Na sua opinião, o que há de melhor e pior no métier libertino?
2) Que conselho você daria pra quem está começando agora nesse mundo?
1- Colossal Papai Noel, obrigado pelo interesse em saber algo do que penso. Acredito que o melhor do métier libertino seja a euforia que a gente vive antes de cada encontro, de cada visita a um bordel. A adrenalina de experimentar uma mulher sem saber ao certo o prazer que ela poderá nos proporcionar. É provável que essa adrenalina e a ansiedade que precedem o sexo sejam os ingredientes que nos causam o vício pela promiscuidade. O pior do métier libertino é justamente quando você se dá conta de que está fazendo sexo por vício, não mais por prazer, aí é a hora de reavaliar a conduta.
2 - Como primeiro conselho, eu diria para que não caiam no vício do sexo pago desregradamente, é ruim, torna tudo mecânico, desbota o prazer e pode gerar problemas financeiros na vida de quem perde o controle. Vi muitos marmanjosse afundarem na prostituição com dívidas, fim de casamento e outras pequenas tragédias. Num segundo conselho, se a sua intuição diz que o sexo será mais ou menos, acredite na sua intuição e não vá.
BALABAN_RJ
DANTE, grande boêmio do Arena, ADMITO que até bem pouco tempo não 'sabia' reconhecer quão IMPORTANTES e RELEVANTES são seus textos, mas diante de sua vasta experiência, me diga: nesse mundo da 'PUTARIA', vale mais o cara ser 'SAFO' de nascimento ou a 'EXPERTISE' adquirida durante a 'VIDA'?
Querido Balaban, o guerreiro das vaginas, grande forista. No mundo da prostituição você só ganha experiência e malandragem com o tempo, se viver submerso nele com regularidade. Então, como quase tudo na vida, você só adquire a expertise vivendo. Fico feliz que tenha reavaliado a sua opinião sobre mim, um gesto de grandeza. Sempre houve muita implicância com o meu nome nos fóruns, alguns por recalque, outros por contaminação dos “sem talento”, principalmente quando frequentam espaços onde fui vetado. Você teve a personalidade e a independência de me olhar novamente e ver que sou um cara legal (risos). Curto seus relatos de montão.
CAMARADA_BORIS
A vida libertina já afetou sua vida pessoal / social? Tipo perder amizades e namoros por causa disso.
Boris, a vida libertina já chegou a afetar o meu extrato bancário num período em que perdi o controle do vício, mas recuperei a razão antes de me prejudicar muito. Hoje, sou muito mais atento a minha movimentação bancária.Nunca perdi amizades pessoais por conta da libertinagem porque separava as duas vidas, a libertina e a social. E sempre que namorei, por incrível que pareça, fui fiel. É por isso, inclusive, que faço a diferença entre libertinos e adúlteros. O libertino, como a própria origem da palavra nos remete, é um cara livre para viver o que quiser, sem mentiras ou dramas de consciência; a vida do sujeito que opta pelo matrimônio ganha algumas regras e amarras que não permitem que ele seja realmente um libertino.
CORCEL
Após tanto tempo acompanhando a libertinagem e a boêmia carioca, e depois de tantas modificações de seu formato qual sua visão e expectativa para o futuro?
Grande e inimitável Corcel. Sou um homem dos bordéis, mas os bordéis cariocas estão morrendo, morrem devido a falta de renovação dos velhos rufiões que os gerenciam, morrem por se comportarem como cartel, por serem tocados por gestores inaptos até para gerenciarem um botequim pé-sujo. Some-se a isso o poder avassalador da Internet e das redes sociais, que os cafetões de bordeis também não sabem gerir. A Internet deu mais independência às meninas espertas, a maioria delas está perdendo a insegurança e passando a atender por conta própria, o que é ótimo. Queria que os bordéis sobrevivessem, que mudassem o modelo, mas com o pessoal que está no lemefico pessimista.
PREDATOR
A sua vivência no mundo libertino é apenas um entretenimento ou também um “refúgio” pessoal?
Veja, meu querido colega, viver o universo libertino sempre foi um dilema para mim. Eu me culpava muito por gastar com prostitutas quando sabia que não precisava disso. Então, por muitos anos, vivi um ir e vir nos bordéis. Havia tempos em que frequentava e tempos em que me ausentava. Hoje, mais velho, um celibatário assumido, não enfrento mais esse dilema. Vivo e deixo viver. Pego mulheres de família, mas também pego garotas de programa. Perdi a capacidade do amor romântico durante a jornada, com isso perdi um pouco da poesia que ele envolve, mas são os riscos da idade e das experiências que escolhemos.Neste período recente, foi um refúgio realmente, pois vivi um período de forte depressão causada pelo luto.
PSOUZA021
Mestre Dante, é muito bom passear pelos seus contos da boêmia carioca, mas a noite do Rio, como todos sabem, é muito perigosa. Queria saber se já passou por alguma situação de perigo, aquela que dá um frio na barriga e você pensa "FODEU".
Obrigado, Psouza. Na verdade, nem são contos, são crônicas que construo em cima do que experimento como frequentador da noite. Sinceramente, como sou um cara muito discreto, muito reservado, não me lembro de ter passado por aperto ou perigo nas minhas incursões noturnas. Tento saber entrar e sair de qualquer lugar. Evito os riscos e fico atento aos perigos.
AS MENINAS PERGUNTAM
SHERON TOMAZELY
A pergunta que lhe faço é se você tem noção do porquê da mudança comportamental de algumas GPs q você tanto declara em seus relatos uma certa admiração, carinho e satisfação. Você imagina ou tem ideia do porquê dessa mudança, que vai do céu ao inferno repentinamente ao você entrar em contato para supostos repetecos?
Sheron, você não sabe a alegria que me deu trazendo aqui uma pergunta. Sei que teve faíscas comigo, mas agora chega aqui e demonstra a sua superioridade como mulher. Parabéns. Você prova que a discordância de ideias não precisa afetar as relações interpessoais. Tenho uma admiração profundíssima por você, que me faz ver uma mulher guerreira, que busca conquistar clientes aprimorando sempre o atendimento. Você ganhou mil pontos comigo hoje.
Vamos a resposta. Na verdade, essa mudança comportamental só ocorreu com uma das meninas com quem saí neste ano de 2021. Fiquei magoado por se tratar de uma garota pela qual eu tinha enorme simpatia, saí diversas vezes com ela (que cobrava acima da média), escrevi sobre todos os encontros e tenho certeza de que turbinei o interesse dos clientes por ela. De repente, do nada, a menina foi desrespeitosa e ríspida comigo em um contato pelo WhatsApp, não por estar estressada ou com problemas, mas por fofoca, isso ficou transparente para mim. Não sei se foi fofoca da companheira de sala ou de algum namoradinho com ciúmes, mas foi por fofoca que me tratou mal. Como trato todas as meninas com respeito e carinho, não admito ser tratado de outra forma. Eu perdi porque não poderei mais sair com ela; ela perdeu porque abriu mão do cliente que mais a divulgava, que mais valorizou o trabalho que desenvolvia. Não falo sobre o atendimento porque o atendimento dela nem era nada de excepcional, mas eu acreditei que tínhamos uma conexão de carinho, algo que me entusiasmava muito. Perdemos os dois. Vida que segue...
ALICIA FERRARI
Muso maiorrr (risos). Antes tarde do que nunca... Enfim não poderia deixar de participar.Tantas perguntas bacanas que fiquei perdida agora (risos), mas vamos lá. Muito se fala no seu tempo em fóruns e nesse mundo libertino, e mesmo assim vc consegue se adaptar aos "novos tempos''; me refiro ao blog "Os Libertinos" que inclusive sigo e leio sempreeeeeee (risos). A idéia surgiu de onde? E quais são suas pretensões? É só por diversão mesmo, ou existe algum projeto futuro?
Quanto aos fóruns e sites de relatos como o GP Arena, o que mais te incomoda e o que vc mais curte?
Alícia, na minha modesta opinião, você é uma modelo de profissional e de pessoa. Você é uma profissional com uma carga de sensibilidade que me impressiona profundamente.
Sobre o site “Os Libertinos”, é mais um registro pessoal, onde deixo concentrado o que é da minha autoria nos fóruns e de memórias pessoais. A ideia surgiu após a leitura de um livro de Bukowski chamado “Crônica de um Amor Louco”. O site é mais por diversão e para preservar as minhas memórias afetivas.
Dos fóruns de hoje, decidi me manter somente no GPArena, os outros ainda cultivam aquelas práticas da era medieval, copiaram o pior do fórum matriz, não o melhor. O que mais me incomoda é que nunca gostei de nada que exalasse um espírito centralizador, mas tento compreender que os fóruns hoje não são apenas fóruns, são um empreendimento também, um negócio. O que eu curto, pelo menos aqui no Arena, é a nova safra dos foristas, é outro vinho, outro aroma, outro sabor, muito mais decantado e agradável.
LUNNA AGUIAR
Você foi umas das primeiras pessoas com quem saí aqui desse fórum, inclusive lembro que na época me deu várias dicas e orientações, sou agradecida por isso. Obrigada! Hoje, o que mais te incomoda em um encontro com uma garota?
Lunna, que emoção gostosa ver uma pergunta sua.
Olha, acredito que as garotas se incomodam muito mais comigo do que eu com elas. Sou um cliente simples, sem grandes exigências e de desempenho sexual pífio, mas como todo homem que está migrando para a terceira idade, tenho limitações que exigem paciência e muitas vezes uma compreensão que nem todas querem oferecer. A única característica que me incomoda em uma mulher é a mesma característica que me incomoda nas relações diárias: agressividade, frieza, grosseria e má vontade.
Espero repetirmos o nosso encontro.
LOREN ANDRADE
Dante, quais foram as melhores garotas que você saiu em 2021?
Querida, uma delas foi você. Quase todos os meus encontros deste ano de 2021 foram ótimos. Alícia Ferrari, Alice Massagista, Carol Terapeuta, Maya Gueixa, Giovanna da 502, Nanda Martins, Lunna Aguiar, Adriana Massagista e tantas outras que com certeza serei injusto por não me lembrar de nomes agora.
PAMELA WINSTON
1 - Dante querido, você como apreciador de botecos e amante da noite, quais bares e botecos denominaria como seu top 5 para a galera (meninos e meninas) sentar e curtir uma ótima cerveja e possivelmente dar uns flertes (risos)?
2 - Cite a sua pior aventura desde o início na putaria.
Pam, sou seu fã. Você é uma mulher elegante e educadíssima. Adoro isso.
1 - Sobre bares e restaurantes, posso dizer que curto botecos e lugares tradicionais como o Bar Brasil, no Centro (um dos meus preferidos); o Beco das Sardinhas, também no Centro, que anda meio caído; a Casa Paladino (Centro); a Adega Portugalha [NOTA: citada pelo Martinhodenikity em pergunta idêntica a da Pamela, fica aqui a resposta a ele tanmbém], no Largo do Machado; o Restaurante Lamas, no Flamengo; a Churrascaria Carretão, em Copacabana; o Bar das Quengas, na Lapa; o Beco da Noite, na Lapa; recentemente, adotei o Bar do Baiano, na rua da Relação, Lapa. Baiano, por sinal, é o primeiro garçom cafeta que conheci na vida.
2 - Olha, fui muitas vezes banido dos fóruns antigos por não abrir mão do meu direito de opinar, por tomar partido de foristas e garotas que a administração sacaneava e por não entender como erro postar relatos com a mesma menina toda vez que eu saía com ela (sim, isso era visto como promoção indevida de garotas nos fóruns antigos). Fiquei de saco cheio e abri uma comunidade no antigo Orkut chamada “Vila Mimosa Vip”, em uma época que frequentei muito a VM.
Acontece que a minha maldita maneira de escrever começou a chamar muito a atenção na zona e quando a comunidade foi descoberta pelas mulheres da Vila Mimosa a coisa explodiu, creio que fiquei conhecido até na Associação do meretrício. Para a minha infelicidade, também ganhei fama entre alguns sujeitos que se diziam seguranças lá dentro. Não sei se realmente eram. Ocorreu que existia outra comunidade também sobre a Vila Mimosa que se denominava “Oficial”, essa comunidade fazia uma coisa escrota,exibia fotos das garotas, atitude que suspeito até hoje ser obra de um forista velho que tirava fotos lá dentro e distribuía presentes comprados na rua da Alfândega para as meninas. O cara era patético. Resumindo, a minha comunidade foi confundida com a comunidade do cara que colocava fotos das garotas da VM e comoganhei fama lá dentro por conta dos meus textos fui intimidado por um desses supostos jagunços. Depois disso, encerrei a comunidade e dei um tempo da Vila. Saber escrever tem um preço, às vezes alto (risos). O caso ficou conhecido porque uns três foristas estavam comigo e um deles, que usava o nick de Manitiba (um anãozinho bobão que trocava de nick todo mês), fez questão de divulgar a situação que vivi, agravando o problema. Detalhe, o anãozinho saiu correndo feito gazela quando viu o jagunço me abordar. Eu tenho a virtude de ser extremamente controlado nesses momentos de ameaça de violência.
No fim, dois anos depois, retornei à zona aclamado e enaltecido pela maior e melhor casa da área, me ofereceram uma festa de aniversário que foi anunciada até nos classificados do jornal O Dia. E aí começa outra história... o mundo gira e é redondo
O LADO PESSOAL
BIGORNA
Dante, aqui no GP Arena todo mundo já sacou que seus relatos são diferenciados. Como disse o camarada Wolfang, tem gente que até evita de escrever pra evitar comparações e não passar vergonha (acho que eu até tô incluído nesse grupo (risos)).
Me identifico com você porque também sou velho também. Pude acompanhar toda essa transformação no mundo da putaria ao longo dos anos... mas confesso que fico sensibilizado quando você começa a falar da Tijuca. Bate uma nostalgia e viajo no tempo, através das suas palavras consigo até ver as imagens de como ela era... sempre quis saber se você é escritor, jornalista ou é apenas o exercício de quem tem o dom da escrita.
Grande Bigorna, obrigado pelo seu interesse na minha escrita. Tenho uma formação avançada em Letras (com mestrado e doutorado completados no tempo do onça);também possuo graduação em Jornalismo, profissão que adoro; sou escritor profissional, com alguns livros publicados, fui premiado e selecionado como finalista de diversosconcursos literários; também tenho artigos espalhados pela imprensa. Para completar, não entendo a escrita como um dom, é uma paixão que exige estudo e treinamento constante de quem quer se enveredar por ela. Escrever é algo que você está sempre aprendendo, principalmente em uma língua complexa como o português. Gosto da comparação que iguala o aprendizado da escrita ao aprendizado de um instrumento musical, é preciso praticar várias horas por dia, treinar o ouvido, o ritmo. Com os fóruns, consigo unir o útil ao agradável, faço um registro dos meus encontros, das minhas jornadas e ainda pratico o meu amor pela palavra.
Sobre a bucólica Tijuca, o único bairro do Rio que gerou um gentílico, eu sou apaixonado, um tijucano convicto.
PREDATOR
Qual é a sua formação profissional? Já exerceu alguma docência? Qual?
Como eu disse mais atrás, tenho formação em Letras (mestrado e doutorado) e Jornalismo. O que não quer dizer muita coisa, pois conheço gente com formação semelhante a minha em fórum e que não sabe escrever. Não gosto de divulgar minha formação, não me vanglorio. Ao contrário de muitos colegas, tenho até vergonha, pois considero a formação acadêmica no Brasil um processo burocrático que não se reflete na formação intelectual. Faculdade no Brasil é fábrica de títulos de nobreza, não de capacitação intelectual. Dei aulas por um período muito curto porque odeio dar aulas. Sou professor de português e literatura por formação. Na vida profissional, atuei predominantemente na área de marketing, tanto como funcionário público, devidamente concursado que fui, como em grandes empresas privadas e multinacionais. Já investi em frota de táxis (diziam que eu era “taxista” em uma época) e recentemente, fundei uma pequena editora e atuo na área de educação em negócios de família.
TENISTA
Confrade Dante, em que ano você iniciou nessa nobre vida de putaria? Conte como foi no começo, lá em POA e depois vindo para o Rio de Janeiro. Como eram esses locais e se você sente falta daqueles tempos ou de alguma dama histórica específica.
Honorável Tenista, sou gaúcho de nascimento e fui iniciado no sexo em 1979. Nasci em uma cidade chamada Lajeado, no interior do Rio Grande do Sul, mas vim para o Rio de Janeiro ainda criança. Sou um gaúcho com raiz carioca, não tenho sotaque do Sul, não uso bombachas, mas gosto botas e de um chimarrão na cuia. Tenho família no Rio Grande, minha experiência com as mulheres de lá são de visitas que faço à cidade que é meu berço. Conheço os grandes bordeis de POA e os pequenos também. Havia um que eu gostava muito na rua Dom Pedro II, que simulava um desfile de moda, mas era um desfile de putas, elas entravam uma por uma, desfilavam em uma passarela e você escolhia a que queria que se sentasse ao seu lado. Nisso, a gente trocava uma ideia e decidia se subiria ou não. Caso não fosse subir, você solicitava outro desfile. Uma ideia diferente, mas interessante. Não sei se esse bordel ainda existe, peguei umas gaúchas de tirar o fôlego por lá. Sinto falta de Lajeado, mas a minha vida é no Rio. Certa vez, conheci uma menina de lá que era book rosa, fiquei doido por ela, que nem era tão bonita, mas realizava uma foda que deixava qualquer um sofrendo do famoso “amor de pica”. Trouxe ela para o Rio, mas a relação não prosperou.
FINALIZANDO
Agora para finalizarmos... o nosso habitual bate e volta muito rápido, sobre esses assuntos:
HOBBY: Livros e escrita
BRASIL: Desolador
TIME: O mesmo do meu pai, o sofrido Vasco da Gama
BAIRRO: Tijuca Forever
CIDADE: Lajeado, Rio Grande do Sul
ANIMAL: Cachorro
NÚMERO: 6
LEITURA: Clássicos
SEXO: Swing
GPARENA: Melhor opção do momento, talvez a única de qualidade que aborde o Rio de Janeiro. Site para o qual eu decidi oferecer exclusividade nas postagens.
E chegamos ao fim dessa entrevista sensacional, que foi mais completa do que poderia imaginar (risos). Considerações finais!
O que posso dizer nas considerações finais? Sempre mantive muita franqueza e intensidade nas minhas relações, em qualquer nível. Nunca suportei hipocrisia, dissimulações e nunca abri mão de exercer meu direito de ser quem sou em qualquer ambiente. Talvez, por isso, eu tenha encontrado muita resistência dos antigos fóruns comigo, com a minha postura. Não sou melhor do que ninguém, me considero até pior em muitas comparações, mas os fóruns sempre foram um tubo de ensaio em que os principais ingredientes são a vaidade, o fenômeno das opiniões de manada, a incapacidade de laços honestos e profundos. Aprendi que as relações que se pautam pela ótica do sexo são fragilíssimas e pouco sinceras, aprendi isso participando de fóruns sobre acompanhantes.
As pessoas gostam de se conhecer, de frequentar festas, encontros, mas tudo se resume a uma vitrine, para os foristas e para as garotas. Há uma dificuldade muito grande de conexão em todos os sentidos. Por algum tempo, fui ingênuo como forista e como pessoa, acreditei em amizades virtuais, apostei em pessoas que eu me atrevia a conhecer e conviver pessoalmente, levei muito a sério o que jamais pode ser levado a sério. Aprendi que quando um sujeito se aproxima para dizer que “fulano não gosta de você”, ele está revelando que também não gosta de você (risos). Descobri que pessoas julgam outras pessoas não por uma opinião pessoal e sólida, mas pela precariedade da opinião de terceiros. Quantas vezes me julgaram mal pelos olhos alheios e não pelos próprios olhos? Perdi a conta.
Participar de fóruns foi um gesto de resistência. Fui maltratado, expulso, exposto, mas insisti. Virei o jogo, tornei-me administrador de um fórum pioneiro, agreguei comigo pessoas que pareciam valer o esforço, comprei briga de gente que era sacaneada, sumi, voltei, sumi de novo e estou aqui. Alguém pode querer ironizar dizendo que levei muito a sério sites sobre prostituição, mas não foi isso. Eu levei a sério o jogo de submissão e humilhações que os fóruns promoviam, levei a sério as relações interpessoais que surgiam nesses espaços. Entendi que, por falar de sexo, os fóruns refletiam muito da vida real no comportamento dos foristas. Foi dos fóruns que extraí alguns bons artigos que publiquei na mídia.
O que fica para mim da participação nos fóruns? Modéstia a parte, fica a minha bravura, a minha obstinação, o meu senso de justiça, a minha vontade de revolucionar, a minha individualidade e a minha paixão pela palavra.
Tenista
:
Nosso muito obrigado Dante. Parabéns por seu estilo único, polêmico, verdadeiro . Forte abraço
Predator:
Conforme já imaginava, essa entrevista jamais seria algo diferente do extraordinário. A nossa gratidão ao confrade Dante por já há muito ter aceito gentilmente o feliz e assertivo convite da administração assim como a todos que deram a sua cota para esse indescritível feito que ficará registrado nos anais libertinos. Um grande abraço a todos.
LP come queto
:
Dante (oh, lenda viva!), essa entrevista que faz jus à sua reputação pelo estilo e pela inteligência! Brand, uma vez mais parabéns pela qualidade da moderação. GPArena, muito bom o nivel e diversidade das questões levantadas
!
Bumpy Johnson:
Muito bom!!!
Senior69
:
Uma entrevista para ser lida e relida ! Ousaria dizer que serve como um manual de como proceder, até mesmo, fora da vida libertina. Dante,com seu estilo único,só enriquece este fórum. Obrigado, Dante! E,mais uma vez uma moderação magnífica do Brand. Foi enriquecedor lê-la. Parabéns a ambos!
Dionizio_RJ
:
Execelente entrevista Dante, não imaginava tanta história de vida ligada aos fóruns. Sou um iniciante em fóruns, apesar da idade e dos anos saindo com Gps. Falar dos seus relatos é chover no molhado, tem uma identidade própria e transpiram autenticidade. Com certeza inspirou muitos que como eu lia os relatos mas nem sequer frequentavam os fóruns. Obrigado pelo elogio e continue por muitos anos ainda nos brindando com seus relatos. Saudações vinícas.
Fazzo Casanova:
Excelente entrevista confrade Dante! Percebi em alguns momentos a separação do personagem e do ser humano, isso é bom, pois nós que interagimos bastante aqui, muitas vezes somos confundidos com nossos personagens, não deixando que as pessoas conheçam os seres humanos por trás deles. Em geral, apenas as damas conhecem o nosso "verdadeiro eu". Parabéns.
Papai Noel
:
Mais uma entrevista excepcional que, como bem pontuou o confrade Senior69, é pra ser lida e relida. Parabéns ao Brand pela iniciativa e também pela diagramação e montagem das perguntas separadas por assunto, foi uma ótima ideia. Quando ao Dante, além dos parabéns, quero agradecer pelas dicas pontuais ao longo da entrevista, que falam desde conduta e caráter à prática da escrita, desmistificando que seja necessário um dom pra isso. Inclusive fiz uma auto análise dos poucos relatos que escrevi e percebi que do primeiro para o mais recente há uma pequena evolução. Mais uma vez parabéns e como costumo dizer, eu não te conheço, mas agora sei mais sobre você. Grande abraço!
Deco1272
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Excelente entrevista Dante! Vou procurar seu livro "paraíso de Dante" e os recomendados do Luis Martins que vc citou.Parabéns ao Brand tb pelo formato da entrevista separando por temas.
Bart
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Gostaria de parabenizar o mestre Dante por essa excelente entrevista dada ao GP Arena e também ao Brand por fazer um excelente trabalho com essa entrevista fantástica com esse mito da boemia carioca! Parabéns!
Wolfgang
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Parabéns ao Dante e ao GPARENA por mais a belíssima entrevista!
Psouza021:
Sempre escutei falar muito do bordel mais famoso do Brasil a Casa Rosa, frequentado por políticos e famosos com portas escondidas para as celebridades passarem sem serem notadas mas só pude frequentar ele quando a atração já não era mais o sexo. Muito legal saber desse dado... Grande entrevista Dante....
Alicia Ferrari
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ESPETACULAR... Parabéns ao Brand pela excelente escolha e contribuição! E Parabéns a vc Dante, por nos proporcionar esse conteúdo incrível, obg por nos permitir conhecer esse seu lado "humano" e de uma elegância e gentileza que s
ó quem o conhece sabe, não esperava nada menos vindo de vc... E realmente " participar de foruns é um gesto de resistência" obg por isso tbm muso
Nanda Martins
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Parabéns Dante, excelente entrevista.! Brand sensacional como sempre !! Bjs
Piru do Centro
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Excelente entrevista! Deu gosto de ler, parabens aos
envolvidos, muita historia legal!
Onix Terapias
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Parabéns! Muito boa
P. Winston:
Dante muito obg por compartilha um pouco da sua historia opnioes e sua vida. Ahhhh obg pelo elogio!
Jucabar
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Grande entrevista, Dante!!! Depois dessa bela leitura, me tornei ainda mais seu fã!!! Meus parabéns!!!
Sheron Tomazely
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Parabéns Dante por sua personalidade própria e opinião mais q formada a partir de suas exclusivas experiências vividas e comoartilhalhadas.
CariocaGaludo
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Excelente entrevista confrade! Não imaginava que vc era tímido rs.. Agora entendo o porque dos seus relatos serem tão descritivos e poéticos. Parabéns mais uma vez pela entrevista confrade!
Pato Rouco
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Entrevista FODA!
Corcel
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amigos forístas , não esperava nem menos, nem mais desta incrível entrevista . uma palavra " excelente " , parabéns a todos os participante , ao nosso anfitrião e ao entrevistado , extremamente solicito
!!!!!
membro:
O velho Dante agradece a todos.
Mayara Rios
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Entrevista maravilhosa.
MuriloRJ
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Rapaz, bom demais!
Pinstripe Paulistano:
Acho sempre válido conhecer mais a fundo os maiores bastiões dos fóruns que você frequenta, você aprende muita coisa. "A Anti-GP" provavelmente já se tornou patrimônio imaterial do GP-Arena, tanto que até eu, que entrei aqui praticamente ontem, já deixei meu pitaco por lá. Que outros foristas como o confrade Dante mantenham vivas essas discussões e questionamentos da vida de putanheiro :)
Peter White
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É um prazer ler tudo que Dante escreve. Maestria no trato com a língua portuguesa! Parabéns pela entrevista confrade